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Project Cars

Project Cars #341: comprando e reparando um Subaru Impreza de leilão

Constatado que o  Saturn Aura não era financeiramente viável de ser reparado, o vendi e passei a frequentar o leilão novamente à procura de um segundo carro. Logicamente faço a lista contendo vários carros plausíveis de serem adquiridos, dependendo do valor, mas este era um Subaru.

Não que Subarus sejam difíceis de aparecer por aqui, mas não fogem do preto e prata básicos. Mas este era azul, a cor que mais gosto, e também a cor característica da marca, astutamente chamada de World Rally blue. Da mesma maneira que um dia tive vontade de ter um Vectra GT, também era um sonho ter um Subaru, ainda mais depois de dirigir alguns veículos da marca.

Lembro-me do dia em que voltando do norte do Paraná pela BR277 com uma Outback 2003 emprestada, peguei chuva pesada por muitos quilômetros e fiquei impressionado com a estabilidade e a segurança que o carro propiciava. Enquanto a maioria dos carros trafegava em velocidade reduzida, compatível com as condições da estrada, eu dirigia a 110 km/h na maior tranquilidade. Mas tive empatia pelos outros, já que me lembrava da época do Clio, quando sofria para trafegar naquelas condições. Depois disso tive a oportunidade de guiar uma Outback 2008 H6 no mesmo trajeto e ali já tinha me apaixonado duas vezes.

Pois bem… oImpreza estava um pouco mais danificado do que eu gostaria. Mas quem se importa? Eu tinha que comprar aquele carro! Outro comprador estava persistente e ficamos cobrindo os lances um do outro por algum tempo. Arrematei por $3200 + impostos, acima do que seria uma boa compra, mas agora ele era meu. O perdedor veio falar comigo e disse que tinha ido ao leilão apenas para compra aquele carro, pois tinha uma sucata com as peças que seriam necessárias para o conserto. Deixou seu telefone comigo, caso eu quisesse algo.

Com a lista de peças na mão, fiz o contato, mas o preço que ele queria estava acima do preço de mercado para peças usadas. Por exemplo, pedia $150 em cada farol usado, enquanto paguei menos de $350 em um par novo, paralelo. O para-choque que ele tinha era da versão comum, não do modelo Sport. Externamente o Impreza Sport se parece a versão WRX, exceto pela falta da entrada de ar para o intercooler no capô. Mas com um motor Boxer 2.5 e AWD já dava pra ser feliz.

Apenas um adendo, esse motor é o mais problemático da linha Subaru, e quem for comprar um usado da marca atente-se para retirar os cabos de vela e ver se não há vestígio de óleo vazando pelo anel. Caso o sistema de arrefecimento não tenha sido bem cuidado – recomendam apenas fluído original –  é bem comum a junta do cabeçote corroer em volta das galerias de água e permitir a passagem de fluído de arrefecimento para dentro do motor e/ou dutos de óleo. Felizmente esse estava funcionando com muita saúde, apesar dos seus 120 mil km, e sem luz de injeção acesa!

O arremate foi em fevereiro deste ano, e demorei cerca de três meses para deixar o carro pronto. Sendo o segundo carro não havia tanta pressa. Além do mais tinha que aguardara temperatura alcançar valores positivos para que eu pudesse fazer algumas coisas por conta própria na garagem de casa. A cesta-básica era a seguinte: capô, faróis, grade, alma do para-choque e a capa do para-choque. Os paralamas não foram afetados e não precisaram ser pintados. A mini frente foi deslocada para trás na colisão, mas o funileiro assumiu a bronca de puxá-la de volta, sem necessidade de troca.

Na caça às peças, acabei comprando praticamente tudo novo. Apenas a grade foi adquirida usada, por $50. A capa do para-choque adquiri na concessionária, pois foi o único local que vendia o modelo aplicado na versão Sport: $320. Alma do para-choque $120 e capô $220. Quem comparar as fotos verá que utilizei por faróis de máscara cromada, em vez dos de máscara negra originais. Apesar de custarem o mesmo preço, acho que a máscara negra nos faróis não combina com o carro, principalmente pelas lanternas traseiras serem também transparentes/cromadas.

Preferi trocar e achei que deixou o carro com a dianteira rejuvenescida. Os faróis comprei no eBay, vindos dos EUA. paguei $289 no par + $51 de envio e imposto de importação. A proximidade com Yankees faz a compra de peças por aqui ser muito tranquila. Algumas empresas mandam diretamente de lá pra cá com um custo de envio razoável, enquanto outras preferem não enviar. Porém, para estes casos existem vendedores do eBay especializados em comprar as peças da loja americana, despachar para suas residências (normalmente com frete grátis) e então redespachar para o Canadá com um frete razoável. Uma terceira opção é o uso das caixas postais em cidades próximas à fronteira. Como Winnipeg fica a menos de 100 km da divisa com os EUA, existem empresas que enviam para uma cidade fronteiriça chamada Pembina (Dakota do Norte) e cobram a partir de $5 por embalagem recebida.

Cabe ao comprador atravessar a fronteira e ir buscar seu produto. Logicamente que não compensa atravessar para receber apenas um produto, mas para quem tem demanda, fica a dica. No final das contas sempre utilizei o método tradicional e recebi o produto em casa, em torno de uma semana após a compra, utilizando envio convencional. Nada de ficar com a mercadoria parada na aduana por dias/meses e/ou impostos surpresas.

O resto era funilaria. Na inspeção do chassi o carro foi reprovado por um vinco presente na longarina, como se pode perceber na parte realçada das fotos abaixo.

Foi aí que as broncas começaram: levei de volta ao funileiro e ele disse que não faria aquele reparo, que apesar de “simples” requereria desmontar a frente do carro toda novamente. É o famoso “Já recebi, agora quero que se f*”. Liguei no inspetor, expliquei minha situação e ele recomendou um conhecido dele, especializado nesse tipo de reparo. Por este serviço paguei $600, antecipados, metade do que havia gasto anteriormente na funilaria. Não gosto de pagar nenhum serviço antecipado, principalmente quem já teve que lidar com pedreiro, pintor, etc., mas nessa não tinha muita alternativa. O carro passou na inspeção após o desempeno, mas em compensação recebi meu carro de volta juntamente com um copo plástico contendo parafusos e acabamentos.

Em resumo, o sujeito fez o que era necessário, mas não teve nenhum esmero em remontar o carro. Painéis desalinhados, parafusos faltando, presilhas e parafusos plásticos foram simplesmente cortadas no alicate em vez de sacados com chave de fenda ou espátula, e por aí vai. Falei que não retiraria o carro daquele jeito, mas mesmo cobrando diversas vezes ele não colocou a mão no carro novamente. Depois de alguns dias aguardando e sem retorno, tirei o carro do local do jeito que estava. Em casa, desmontei a frente novamente, e alinhei os painéis. Dos parafusos que ele tinha colocado, um tinha a cabeça vermelha, outro preta, e por aí vai. Nenhum profissionalismo que se espera.

 

Nisso ele ainda perdeu a chave segredo do parafuso das rodas, que fui perceber apenas quando o carro foi levado para a inspeção seguinte. Presilhas plásticas e outros acabamentos danificados foram adquiridos na concessionária ou na loja de peças próxima de casa. Pelo menos custavam centavos e ficaram todos novos. Conversando com quem me indicou (o amigo da onça) ele disse que eu ainda passaria por aquilo outras vezes, pois esses profissionais também recuperam carros salvados e faz parte do perfil deles “eliminar concorrentes”, cobrando caro, fazendo serviço mal feito e/ou alongando prazos.

No dia em que realinhei as peças proveitei que a capa do para-choque estava fora e pintei a entrada de ar de preto fosco, como é originalmente. Inicialmente eu tinha gostado dele todo azul, mas ao olhar os outros Impreza eu preferi voltá-lo como era. Modéstia à parte, o serviço feito em casa ficou perfeito (eu sei que vocês vão duvidar). Outro detalhe é que comprei na casa de tintas uma lata de spray formulada com a cor do carro, para aplicar nos parafusos e eliminar marcas de chave. É algo quase imperceptível, mas quem presta atenção em carros sabe que esses detalhes fazem diferença.

Ah, pra quem tem curiosidade de como o sal usado para derreter a neve corrói o carro, tirei uma foto por baixo enquanto estava no processo de alinhamento. É um motivo dos carros desvalorizarem muito por aqui. Os carros da Mazda são os que mais sofrem com corrosão, mas os carros da Subaru não ficam muito longe, embora tenham melhorado muito nos últimos anos. Já a Toyota faz algum tratamento miraculoso nas chapas de seus veículos e é comum ver Toyota Tercel da década de 90 sem nenhum ponto de ferrugem aparente na lataria. Por baixo, logicamente nenhum escapa.

Para passar na inspeção anual, o pacote era o previsto: troca dos discos enferrujados e também duas buchas da bandeja da suspensão. O as peças do freio troquei em casa mesmo, mas para as buchas da suspensão eu não tinha o ferramental adequado e deixei para a oficina resolver, além de serem baratas ($30 cada). Enfim, pude registrar o carro e pau nas cabritas! No segundo dia rodando com ele levei minha primeira multa: excesso de velocidade em zona escolar. Foi também a primeira vez que fui parado por um policial desde que me tornei motorista. Faz parte.

Como nessa altura estávamos em meados da primavera (banco com aquecimento, mas sem teto solar), o jeito era aproveitar ao máximo as atividades ao ar livre. Acampar, passear no parque, e por que não, remar rio à baixo entre uma cidade e outra à bordo de uma canoa. Neste dia meu carro foi levado até o ponto final e dirigimos um segundo carro de volta ao ponto inicial. Foram aproximadamente 35 km e 5h no total, descontadas as paradas. A aventura foi recompensada por um delicioso cachorro-quente em um restaurante temático dos anos 50, localizado exatamente onde havíamos deixado meu carro, uma feliz coincidência. Apareceu até Acelelive do programa Acelerados, quando eles mostram os carros dos leitores.

Nesse meio tempo vendi o Saturn Astra, que também deu algum lucro, e comprei o que seria meu sexto carro – em menos de dois anos. No próximo e último capítulo dessa saga vou falar do meu atual salvado, um Focus SE 2012, do problema no câmbio Powershift, da mudança para outra província e também um pequeno tour de 5300 km nos EUA. Tem muita coisa ainda pra contar. Até breve.

Pikes Peak Focus 1 Focus 2

Por Fernando Saccon, Project Cars #341

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