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Project Cars

Project Cars #534: definindo o visual do meu BMW E36 track car


Por Luiz Fernando Lopes Oliveira, Project Cars #534

“O prazer é o abandono da vergonha e a procura do capricho”

(Abdulah Ben Yaffar)

Para a segunda parte da nossa coupé Kakerlake, vamos destrinchar os trabalhos realizados para colocá-la em funcionamento, como citado na primeira parte, e os avanços tidos dali em diante.

 

A história sem fim

Voltando alguns meses no tempo, com o carro descendo na garagem da oficina, muitas questões foram levantadas, e algumas promessas foram feitas. Haja vista o motor parado há mais de cinco anos, e um traslado de guincho sem ousar girar o motor, traçamos um objetivo primário: fazer o motor girar. Para tanto, uma solução de óleo com fluído de freio fora colocado no sistema, deixando agir por um tempo, e o virabrequim foi mexido à mão, para verificar qualquer imperfeição que pudesse haver no conjunto reciprocante.

Passado este fato, abrimos duas frentes. Uma delas era a limpeza do tanque de combustível, para retirar o combustível velho e as demais sujidades que se depuseram lá. A outra, fazer o motor girar por meios próprios, quando girasse a chave.

O primeiro exigiu baixar o tanque e, por consequência, notar bombas e boias inoperantes, bem como um filtro de combustível velho e mangueiras ressecadas. Com bons amigos e um pouco de paciência, vencemos esta etapa.

Já a segunda era mais complicada. Se a alimentação estava resolvida, a ignição estava perdida. Supressores de bobinas foram trocados, bem como velas e bicos. Mas, antes de comemorar, descobrimos que era necessária uma retífica no alternador, no motor de arranque e, visto que era necessária tirar a poly-V para realizar o serviço, já compramos correias, tensores e polias novas para o conjunto.

Nesta derrubada, é claro que mais problemas apareceram! O radiador era inservível e, se vamos mexer no arrefecimento, nada melhor mexer nele todo e melhorá-lo. Radiador novo, da automática (tem espaço para radiador de óleo de câmbio, transformado para radiador de óleo do motor), válvula termostática e bomba d’água novas. Esta é fácil de trocar, mas difícil de acessar. Ao tentar tirar a ventoinha viscosa, esta dificultou a saída, fazendo arrancarmos ela sem amor, e termos que comprar outra. Para tanto, fora escolhido o conjunto da 328i, que usa uma viscosa com melhor capacidade e hélices maiores.

No começo, a promessa eram duas semanas para ligar o motor. Nesta brincadeira, já havíamos extrapolado os seis meses. Como disse na matéria anterior, tempo é algo muito relativo!

Seguindo o método de Jaque, já que estamos parados e sofrendo no motor, vamos ver o resto. Suspensão não valia a pena mexer, pois precisava do carro já pronto para a postura de pista. Freios foram os escolhidos. Pastilhas e discos vieram novos, em medida original, para poder rodar com tempo até decidir melhorias. As pinças foram recondicionadas e pintadas, ficando como novas. E as linhas de freio, replicadas em metal flexível, entregaram aquele feeling fino de pedal, sem risco de fading.

Telefonema no horário de serviço, informando que era hora de ligar a jóia. Passei no posto, busquei uns 30l de gasolina e desloquei para a oficina. Entre tentativas e erros, o carro liga, para alegria geral da nação! Mas, como felicidade de dono de carro velho dura pouco, o câmbio não engata. Para tanto, troca-se tudo. Kit embreagem completo, cilindros da caixa e de pedal novos, flexível em trama metálica e short shifter da SPA.

Depois de nove meses, e muitas peças recuperadas ou trocadas, no fim de uma tarde, vou buscar a alemoa no lava rápido parceiro da oficina, não conseguindo esperar o carro voltar para a loja. Naquela noite, sair para comer lanche com a família, de coupe, e umas fotos para apresentar a bela ao mundo!

Paulada na moleira

E, continuando a nossa história, tudo se encaminhava para uma bela restauração, aos moldes do OEM+, como manda o figurino gearhead. Certo dia, desço ao tapeceiro, e ele, com medo de acabar estragando algo do carro, solicita que eu retire as peças e deixe com ele, para ele realizar única e exclusivamente o trabalho de restauro. Enrolo, converso, e um dia tomo coragem. Não que seja algo difícil, mas é trabalhoso, chato, cuidadoso.

Arranco uma peça, duas, as colunas saem, o forro do teto também. Os acabamentos das laterais, a mina de ouro dos donos de coupé, já estavam fora, para não estragar a peça. E aquilo fica parado, dentro da garagem, me olhando. Não precisou mais que dois dias para eu lembrar o porquê de ter comprado aquele exemplar. É um track car! Continuei arrancando. Tirei os bancos, som, a continuação do painel, que chega até os ocupantes traseiros, e todo o carpet, com aquele isolamento acústico pesado que é colado por debaixo dele. Claro que guardei tudo, pois não sabia se minha ideia estava certa, e tinham itens valiosos no meio, inclusive uma barata viva (daí o nome kakerlake).

Neste ínterim, ajudo um amigo a realizar o sonho da E36 (Instagram.com/pretaveia.e36). No carro que ele comprou, vieram peças sobressalentes, inclusive um volante Momo côncavo, que ele me deu por todo o apoio na escolha, vistoria e compra. E eu, querendo que ele seguisse o caminho da originalidade, mandei de volta alguns itens para ele!

Com o volante em mãos, decidi tirar meu volante sport e, por consequência, todo o sistema de Air bag do carro. Este ano dispunha de bolsa apenas para o motorista, então foi fácil arrancar o volante e o módulo de controle. Uma proposta apareceu, e meu teto solar mandou abraços. Mas não sem antes pesar tudo que havia poupado de peso. Quase 180kg! Claro que isso conta também o banco do motorista, que ainda não tive a capacidade de comprar outro (concha, fixo), mas é um número muito expressivo.

Havia, um tempo antes, negociado a suspensão (amortecedores e molas) na troca de um jogo de rodas, acertando a altura do carro em “dois dedos apertados”. Trampo perdido. Com todo este alívio, o carro subiu para “três dedos” de altura. Já o teto solar, para não deixar o carro com um buraco no teto, tomei o molde em uma folha de Lexan 3mm, e finalizamos com borracha porta do gol quadrado.

 

O básico do básico

Neste ponto, o carro performava muito bem, mas aqueles podres na porção traseira me incomodavam muito. Comecei cotações sobre o assunto, mas parece que a marca BMW faz a inflação acontecer. Até que um amigo, de Curitiba (Valeu King – Instragram.com/theking3.8), se interessa por um jogo de freios de Evo, que havia comprado para colocar na Outlander da patroa e, de quebra, é funileiro naquela cidade.

Foram cerca de dois meses entre a negociação e o envio do carro. Ela não tinha condições de ir rodando, eu estava com a grana curta para mandar de guincho, e queria enviar quando estivesse com o kit LTW completo, para fazer um serviço só.

Um belo dia, no grupo das E36 coupê, o Yarley, dono da Fiber Auto Parts (Instragram.com/fiberautoparts), aceita minha esdrúxula proposta de trocar um kit LTW em fibra (mais leve que o plástico) no meu jogo de rodas da coupê (um jogo de style65 réplicas). Era o passo que faltava! Passei o endereço para ele enviar as peças, me abracei no guincho de um amigo, e o carro caiu lá na capital, aguardando só a agenda do funileiro.

Nesse meio tempo, mudança de cor foi cogitada, bem como bodykit completo e até um jogo de rodas da Super TC2000, o mesmo modelo usado pela Sprint Race. Mas nada formalizado. Na hora do vamos ver, escolhi uma pintura de portas fechadas no ArkticSilber original.

“O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus continua numa boa” e, no fim de julho deste ano, a funilaria fica pronta. Aproveito um guincho vazio rumo Londrina, e trago a Bimmer de volta para casa, depois de quase 10 meses longe. Para não ficar cavaletada, meu irmão me emprestou um jogo de rodas originais. Mas elas não me agradavam, nem me interessavam. Então, ao chegar de volta ao lar, arranquei aquelas redondas para dar ao carro seu novo jogo de rodas.

Um belo jogo de rodas style194 (rodas de inverno da 335 e vendidas no Brasil com o kit M Sport, na 318) de duas talas e pouco mais de 10kg por unidade, recobertas por pneus 225/45 e 245/40, respectivamente. Claro que a cor preta não me agrada, mas o desespero de montá-las me fez aceitar tal pênalti!

Por fim, mas não menos importante, o conjunto óptico fora atualizado, ganhando faróis Bosch, com projetores, Xenon e máscara negra, e os piscas, voltaram a ser laranja, para casar com os repetidores laterais e as lanternas tricolores.

Mas isso foi só a casca do brinquedo…

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