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Project Cars Project Cars #210

Project Trip #210: uma viagem de costa a costa pelos EUA a bordo de um Mustang conversível

Meu nome é Alexandre. Tenho 34 anos, sou florianopolitano, um manézinho da ilha, mas moro em Curitiba há 9 anos. Nunca tive a menor vontade de visitar os Estados Unidos. Hoje digo: Não sei o que eu tinha na cabeça. Já visitei a Europa algumas vezes, conheço alguns lugares no Brasil e na América do Sul. Mas depois que eu conheci minha noiva Fernanda, o mundo ficou menor.

Começou em novembro de 2011 quando fomos a New York. Ficamos em um apartamento no Brooklin e foi fantástico passar oito dias circulando sozinhos por Manhattan, planejando estrategicamente visitar o maior número possível de atrações. Mas eu não queria conhecer o “Estados Unidos” que todo mundo conhecia. Quando voltamos ao Brasil, comecei a olhar melhor o mapa do país e pensei: Vamos atravessar os Estados Unidos. Não deve ser tão difícil.

 

Entupido de horas extras por conta de um projeto recém-implantado na empresa, planejei meus dias de férias com muito cuidado, completando com horas extras aqui e ali, finalmente consegui! 46 dias de férias! Do dia 26 de abril de 2012, uma quinta-feira que antecedia o feriado de 1º de maio, até dia 6 de junho de 2012, a quarta-feira anterior ao feriado de Corpus Christi, o que na prática me faria voltar ao trabalho só dia 11. Fernanda não tinha nada disso, claro. Na época ela trabalhava em uma operadora de viagens, mas não teve dúvidas. Foi pedir demissão: “Na volta, a gente vê”.

Acontece que o chefe dela ficou tão empolgado com a viagem quanto nós estávamos, e concedeu dois meses de folga não remunerada. Quando voltássemos o emprego dela estava garantido.

Neste Project Trip, eu pretendo passar um pouco de como é divertido e como vale a pena se lançar em uma aventura como essa. Mais do que estar em um carro icônico, passar um pouco do sentimento de estar nele em um país incrível, onde a experiência de dirigir é muito gostosa, e dar algumas dicas e mostrar as atrações e os visuais que experimentamos. Espero que gostem!

 

Plano

O primeiro plano era esticar uma linha, quase reta, entre New York e Los Angeles. Como na figura abaixo:

Plano

Mas com tantos dias disponíveis, nos permitimos um ziguezague pelo país. O destino final mudou para San Francisco e apareceram outros destinos. Iriam ser 42 dias de viagem. Abri uma planilha eletrônica e coloquei:

27.abril – Chegada a New York
7.junho – Partida de San Francisco

Entre essas datas, listei todas as cidades que gostaríamos de conhecer, adicionando um dia para cada uma,com a ajuda do Google Maps,e distribuindo os dias restantes naquelas cidades com mais atrações, onde passaríamos mais tempo. Foram meses pesquisando as cidades nos sites das prefeituras, na Wikipédia, e onde mais surgissem dicas de viagem no Google. Tentar ver um jogo de basquete aqui, passar a tarde em um parque ali, ver o pôr-do-sol de tirar o fôlego em determinado local, jantar uma determinada comida típica.

O plano sofreria alterações on-the-fly, mas quando deixamos o Brasil ele estava traçado da seguinte forma:

Plano2

27-28.04 – 1 noite em NY (já havíamos visitado há pouquíssimo tempo)
28-30.04 – 2 noites em Philadelphia
30-03.05 – 3 noites em Washigton DC
03-04.05 – 1 noite em Cleveland
04-06.05 – 2 noites em Detroit
06-09.05 – 3 noites em Indianápolis
09-12.05 – 3 noites em Chicago
12-14.05 – 2 noites em St. Louis
14-16.05 – 2 noites em Memphis
16-19.05 – 3 noites em Dallas
19-21.05 – 2 noites em Oklahoma City
21-22.05 – 1 noite em Amarillo
22-24.05 – 2 noites em Albuquerque
24-26.05 – 2 noites em Flagstaff
26-30.05 – 4 noites em Las Vegas
30-03.06 – 4 noites em Los Angeles
03-07.06 – 4 noites em San Francisco

Quatro noites nas últimas três cidades eram a gordurinha a ser queimada, caso alguma coisa desse errado. De outra forma, imaginamos que seria um descanso mui útil, se tudo ocorresse dentro do planejado.

Era um detalhamento frágil, não era possível prever tudo. E se chegássemos a uma cidade e não fosse possível se hospedar nela? E se tivéssemos que sair antes, ou ficar mais um dia? E se sofrêssemos algum acidente ou pneu furado?

Por isso tomamos uma decisão que, no nosso caso, foi muito acertada. Reservamos lugar pra ficar em New York. Só.

Apesar de todo o detalhamento feito, um imprevisto no início da viagem significaria replanejar e “re-reservar” todos os hotéis na nossa rota, ou pior, excluirmos alguma cidade do roteiro.Assim a reserva de hotel na próxima cidade seria feita somente no último dia na cidade anterior. Sairíamos de New York no dia 28 de abril e tínhamos que chegar ao aeroporto de San Francisco no dia 7 de junho. Era isso.

 

American Muscle

Com as datas definidas e férias marcadas, partimos para o aluguel do carro. A ideia sempre foi atravessar o país em um típico carro americano. Inicialmente pensamos na categoria do Ford Fusion, mas logo ali, a só alguns dólares de distância, estava a categoria dos conversíveis anunciando: “Mustang V6 ou similar”… US$ 1.700 por 41 dias. Fala sério, menos de 50 dólares por dia (o Dólar na época custava cerca de 1,8 Real)? Por um Mustang conversível? Rá!

Pensando bem. “Mustang V6 ou similar”… similar? E se fosse um Nissan similar? Ou um VW similar? Queríamos um americano, mas só saberíamos na hora.

Um detalhe importante: a taxa de retorno do automóvel, fosse qual fosse, era de US$ 500. Razoável, já que o veículo estaria a 3.000 milhas do local original.

 

A grana

Preparamo-nos como pudemos. Fechamos as passagens com antecedência, alugamos o carro com antecedência. Assim quando a data da viagem chegou boa parte disso já estava pago.

E o seguro de viagem pago também. O seguro é obrigatório. Não dá nem para pensar em atravessar um dos maiores países do mundo de carro, experimentando comidas diferentes sem um seguro de viagem. Qualquer dor de cabeça pode se transformar em uma catástrofe financeira.

Alguns dias seriam econômicos, de fastfoods e comida de supermercado, outros incluiriam entradas em atrações e/ou boa gastronomia e muitas gorjetas. Tudo isso sem contar galões e galões de gasolina. Chegamos à conclusão de que gastaríamos, em média, 150 dólares por dia de viagem. Compramos 2.000 dólares, choramos por um limite maior do cartão de crédito no banco (você precisa bloquear parte do seu limite do cartão na retirada do carro alugado, eles desbloqueiam na entrega) e habilitamos o seu uso no exterior.

 

Travel light

Sorte minha, Fernanda é econômica na bagagem. Nem faria sentido levarmos roupa para mais de 40 dias. Quase todo hotel tem lavanderia self service, e quando não tem, é muito fácil achar uma nas cidades. Levamos pouquíssima roupa em uma mala. Roupa íntima e meias levamos para seis dias, mas fomos com a roupa do corpo e mais uma muda de roupas cada. Sério.

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“Todas as nossas malas na nossa primeira ida a New York”

Assim que pisamos nos Estados Unidos fomos direto a um Shopping Outlet e enchemos a mala no destino com os casacos, calças e calçados que utilizaríamos na viagem. Mais barato e muito melhor.

 

Convívio

A última coisa a ser planejada era a mais difícil de todas: o convívio. Na época morávamos juntos por dois anos. Fernanda e eu entramos num acordo forçado.

42 dias juntos, convivendo toda e cada uma das 24 horas de todos esses dias. Juntos. Qualquer desavença, qualquer briguinha mal resolvida iria tornar um inferno o restante da viagem para os dois. Não adianta não querer ver o outro na frente, no outro dia entrarão no carro conforme o planejado e passarão muitas horas juntos. E 42 dias, vocês sabem, tem pelo menos uma TPM aí no meio.

O acordo era ignorar esses momentos e seguir felizes. Sem opção de estragar essa viagem. Qualquer coisa errada entre nós teria que ser reportada e resolvida imediatamente.

Mas já adianto que, depois disso, não houve problemas.

 

New York City

Depois da chegada, dia de compras (GPS + roupas) e uma noite tranquila de sono no Brooklin, fomos de metrô até a Rua 52 em Manhattan para retirar o carro alugado. A recepção foi meio vazia e logo nos encaminharam ao andar inferior para retirar o carro. Ninguém nos disse qual era o carro e não tinha nenhuma indicação no voucher, então foram minutos tensos até que, depois de um ronco que fez meu coração pular, o manobrista surgiu com um Mustang conversível prata, vindo de um andar inferior.

“Não é esse! Já vou lá embaixo buscar o seu carro”.

“Como assim não é esse? Passa esse Mustang pra cá, que é nosso!” me deu vontade de gritar. Comecei a ficar com medo. Tão perto daquele Mustang e ele ainda iria lá embaixo buscar o nosso carro. “Não seja um asiático, não seja um europeu, porfavorporfavor”. Pra me tranquilizar, dois minutos depois ele subiu com um Mustang conversível branco.

Aquele sorriso. Demorou dias pra sair do meu rosto.

“Fala comigo, amor”
“Não consigo”

Fernanda disse que eu tremia, enquanto eu atravessava a Queensboro Bridge para ir a Brighton Beach nos despedir do oceano Atlântico, antes de seguir para o Pacífico.

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Depois do almoço, seguimos topless para Philadelphia.

E nem passaram 20 minutos depois que deixamos New York, tive que fechar a capota. Fernanda já estava vermelha, assando naquele sol.

 

Philly

Apesar de relativamente perto de New York, custamos a chegar na “Cidade do amor fraterno”.  O trânsito era intenso e os pedágios são pesados, mais de 16 dólares por quase 150 km.  Chegamos e o bom de estar de carro é que ficamos do outro lado do rio Delaware em um hotel barato.

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A Philadelphia tem muitas atrações históricas. Aqui foi onde foi assinada a Declaração de Independência dos Estados Unidos e a cidade tem vários prédios cívicos. Esta é a cidade do Rocky Balboa e, estando aqui, você tem certeza que ele existiu. Ao lado da escadaria da famosa cena do Museu, tem uma estátua do Rocky e no topo da escada tem um ladrilho com a marca dos “AllStar’s” dele. Divertido ver os turistas correndo escadaria acima. Ok, eu admito, fiz também.

Apesar de todo o planejamento de viagem, às vezes nos deparamos com situações que nos decepcionam um pouco. À beira do rio, fica o Penn´s Landing, uma zona rica em programação cultural e feirinhas que, segundo a agenda da cidade, ganha vida em maio. Ficamos na cidade entre os dias 28 e 30 de abril. Um lugar super legal… vazio. Não poderíamos esperar, tínhamos que seguir em direção à Washington DC.

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Washigton DC

A capital. Já vi este lugar ser destruído tantas vezes… ETs, mutantes, catástrofes naturais, chineses… Todos odeiam Washington DC.

Imaginamos que iríamos nos incomodar andando de carro pela capital, mas foi o contrário. É muito tranquilo rodar pela cidade, mesmo assim andamos muito. Washington, Jefferson, Lincoln, os monumentos são sensacionais, tudo é grandioso e o estacionamento geralmente é longe, mas são muitos e são grátis (!).

Washington DC é uma cidade muito agradável,várias praças, calçadões à beira do rio, muitos parques com pessoas jogando beisebol, correndo, tomando sol, lendo… É uma cidade limpa, organizada, clara, muito arborizada, algumas vezes até demais e as árvores atrapalham na hora de tiras as fotos.

Daqui seguiríamos para Cleveland, viajando um dia inteiro para cumprir 600km de estradas atravessando o estado da Pensylvania. Mas… mesmo ouvindo muitas vezes que nada se compara às cataratas do Iguaçu, como eu iria deixar passar a oportunidade de visitar as do Niágara? Quando nós voltaríamos pra ver essa atração? Fomos.

 

Niagara

Depois de 700km de ronco do V6 constante e estradas margeando rios e sinuando entre as florestas da verde Pensylvania, chegamos em Niagara Falls no fim da tarde. Havia recém chovido, algumas poucas gotas molharam o para-brisas e devo dizer o clima foi muito gentil conosco nessa viagem. Em 42 dias, esta foi uma de duas vezes que chuva molhou o “White Horse” – aqui o Mustang já estava apelidado.

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Me julguem, mas realmente não tem comparação. Além de não pagar nada para entrar, nem para estacionar, aqui as cataratas são igualmente espantosas, mas aqui é mais legal porque se pode chegar muito perto do rio e das cataratas. O que não me espanta as pessoas quererem descer as cataratas num barril. Não tinha nenhum barril dando sopa.

Estando na cidade de Niagara Falls do lado americano você pode ver a cidade canadense de Niagara Falls, que parece muito mais divertida, com suas torres de observação e cassinos. Achamos que não custava fazer uma visita do outro lado e jantar.

Fomos até a ponte onde tinha uma cabine de cobrança de pedágio do lado americano. Antes de pagar, perguntei se era exigido alguma coisa para entrar na cidade do outro lado. O homem sorriu e disse:

“Três e vinte e cinco”

Eu sorri também. Paguei os três dólares e parti para a ponte, bem feliz. Acho que não me dei conta da gravidade do que eu estava fazendo.

Cada vez que a Fernanda dizia que precisava de visto canadense para entrar no Canadá, eu rebatia dizendo que quando a gente entrava na Argentina só para jantar, nem precisava dar entrada no país. Que imbecil, né? Uma coisa é um casal de brasileiros passar do Brasil para a Argentina para jantar. Lá nós éramos dois estrangeiros tentando entrar ilegalmente no Canadá.

A senhora que me atendeu do outro lado foi bem gentil, nos registrou, nos acompanhou até o carro e abriu um portão. Ainda inocente, pensei: “Deu certo”. Ainda perguntei se a gente podia voltar na manhã seguinte para ver as cataratas do outro lado durante o dia, e ela bem gentil me respondeu: “Voltem aqui amanhã sem um visto e eu vou ter que mandar prender vocês”. Passei pelo portão que nos levou de novo até a ponte.

A outra cabeceira da ponte também tinha uma imigração Americana. “De onde vocês estão vindo?”.  Putz, e agora? Nervoso, tentei explicar a situação, mas ele, com nossos passaportes em mãos, não conseguia entender de onde diabos eu tinha surgido com um Mustang com placas de New York de dentro do Canadá, sem nunca ter dado saída dos Estados Unidos, sem nunca ter dado entrada no Canadá.

Escapamos dessa. Rindo, claro. Perder três dólares até que foi barato, perto do que poderia ter acontecido.

 

Cleveland

No outro dia seguimos contornando o lago Erie até Cleveland.

É uma cidade estranha, ficamos num hotel esquisito na área industrial. O centro da cidade é até ajeitadinho, mas não conseguimos entender porque alguém viria visitar essa cidade… se não fosse por causa do Rock ‘n Roll Hall of Fame and Museum.

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Dificilmente alguém vai pegar um avião para vir até aqui só por causa dele, mas se estiver passando por perto, vale muito a pena visitar. Em forma de pirâmide e com seis andares de história e pertences dos rock stars, como carros, guitarras, roupas e, claro, muito rock ‘n roll. O museu fica nesta cidade porque Cleveland se orgulha de ser o primeiro lugar onde aconteceu um concerto de rock, em 1952.

 

Motor City

Terminamos de contornar o lago Erie e chegamos a Detroit – a decadente.

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Fomos atrás do museu da Motown Records (Hitsville U.S.A.), a gravadora mais importante da Black Music americana. Aqui foi a sede da gravadora durante toda a década de 60, a gravadora e o estúdio funcionavam em uma casa em um bairro residencial, que é hoje um lugar triste, com muitas casas abandonadas ou mal cuidadas. O Museu é muito legal, conta a história desde a sua criação até o auge e sobre os famosos que gravaram ali: Jackson Five, Steve Wonder, The Supremes, dentre outros.

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Depois visitamos o Museu da Ford, que além de muitos carros de todos os tipos, tem também antigas máquinas a vapor imensas, geradores de energia, máquinas agrícolas, aviões e locomotivas. Muito interessante.

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Compramos um Hot Wheels, que aparentemente só vende lá.

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Indianapolis

Claro que eu fui lá atrás do circuito oval mais famoso do mundo. Fomos pra lá assim que chegamos. Estacionei o White Horse no interior do circuito e fomos ver o Hall of Fame Museum, no centro do Indianapolis Motor Speedway. Faltavam 10 minutos para fechar. A senhorinha da bilheteria deixou entrarmos de graça, já que queríamos entrar a qualquer custo. Circulamos rapidamente pelo interior recheado de carros de corrida de todas as eras, fotos de todos os pilotos e relíquias da lendária “500 milhas”. Voltaríamos no dia seguinte para um passeio de ônibus pelo circuito oval.

Chegamos pelo autódromo, mas nos apaixonamos por Indianapolis. É uma cidade muito gostosa, baixamos a capota e circulamos pela cidade, muito tranquila mesmo no outro dia, que era segunda-feira. Um canal artificial, limpíssimo ao que parece, serpenteia entre a cidade, parece uma praça contínua onde as pessoas sentam nos bancos e leem livros, namorados passeiam de mãos dadas, outros se exercitam.

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Em Indianapolis completamos 2.000 milhas de viagem (mais de 3.200 quilômetros). O odômetro marcava 30.000 milhas e resolvi trocar o óleo. Fui teimoso. Toda manutenção deve ser comunicada à locadora sob pena de não receber o reembolso do serviço ou pior, multa caso resulte em algum dano futuro. Eu não me importava com o reembolso e isso não iria danificar o carro. Além do mais eu tinha pavor de falar em inglês com alguém no telefone. Mas esse dia chegaria logo.

Depois da troca de óleo voltamos ao autódromo para uma volta de ônibus no circuito. É emocionante estar na pista, mesmo andando a 40 km/h… em um ônibus cheio… onde o passageiro mais novo, sem contar a Fernanda e eu, era mais velho que o dobro da nossa idade. Foi uma situação engraçada.

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Os parceiros de viagem

A estrada que nos levou até aproxima cidade, a Interstate 65, é uma estrada muito boa de dirigir. Ela corta uma grande planície, quase não há elevações ou vales e aqui começamos a perceber uma coisa engraçada. As pistas são largas, os caminhões são proibidos de ultrapassar, e todos andam rigorosamente na velocidade máxima permitida. Caiu até uma lágrima de saudades do Brasil.

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O engraçado é essa parte do: “todos andam rigorosamente na velocidade máxima permitida”. Na prática isso significa que você entra em uma highway (como a I-65) e, por exemplo, se posicionar atrás daquele BMW e ao lado desse Cruze, prega a tal velocidade máxima permitida no cruisecontrol e pronto. Esses serão os seus “parceiros de viagem”, como eu resolvi chamar, por centenas de quilômetros. Ninguém se adianta, ninguém fica para trás, você não ultrapassa ninguém e ninguém te ultrapassa, as distâncias entre seus parceiros permanecem as mesmas, o BMW continua ali na frente, o Cruze continua aqui do lado. Todos usam cruisecontrol. E é como se o trânsito entrasse em transe. Surreal.

 

Chicago

Aqui trocou o fuso horário, ganhamos uma hora! Esse é o barato de viajar de leste para oeste.

Chegamos a Chicago e fomos direto comprar ingressos para o jogo do Chicago Bulls vs Philadelphia 76ers. O jogo de basquete é um espetáculo a parte. O que menos tem é jogo, parece mais um circo com shows de dança, malabarismos, apresentações e mascotes animando a galera a cada intervalo e pedido de tempo. É imperdível.

Em nossa opinião existem certas coisas que não se pode deixar de fazer em Chicago: um passeio no lago, um show de Blues e uma DeepDishPizza.

Estacionar por aqui é caro. Optamos por estacionar no NavyPier, e de lá fazer um passeio no lago visitar as principais atrações. Chicago reúne os maiores edifícios dos Estados Unidos, às margens do lago Michigan. Subimos no observatório no 94º andar do sexto maior deles, o “John Hancook Center”.Chicago é a terra do Blues (e do Blues Brothers), curtimos um show no Buddy Guy’sLegends com o “The Chicago R&B Kings”. E Chicago é o lugar pra se comer uma DeepDish Pizza. Imagine que na pizza que você está acostumado, a massa é um prato raso que contém a cobertura do sabor que você escolhe. Na DeepDish a massa é um prato fundo, é como uma torta com recheio de pizza. É mesmo difícil manter o peso nesse país.

Por último e nada menos importante, Chicago é onde fica o início da Mother Road, a Route 66. Fizemos questão de posicionar o carro lá e levar uma foto antes de partir.Pelo jeito ninguém dá muita atenção para o lugar, já que tudo que há para ver é uma plaquinha pequena com os dizeres: “HistoricRoute 66 BEGIN”. E agora teríamos que ir até o fim!

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Incrivelmente, aqui foi a penúltima vez que passamos por um pedágio nesta viagem. Depois só na ponte Golden Gate, em San Francisco – mas isso fica para as próximas partes. Até lá!

Por Alexandre Souza, Project Cars #210

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