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Separados no nascimento: os carros que são parecidos por acaso – parte 2

Há algumas semanas, fizemos um post comparando carros de marcas diferentes que, por outra razão que não parentesco, eram absurdamente parecidos — por inteiro ou olhando de determinado ângulo. Os comentários de vocês vieram lotados de exemplos, e agora vamos citar mais alguns deles!

 

Hyundai i30 e Honda Accord

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Um caso bastante curioso é o do Hyundai i30 da geração passada, lançado em 2007, e o Honda Accord de sétima geração, fabricado entre 2002 e 2007. Enquanto o hatch da Hyundai era apresentado, o sedã/perua/cupê da Honda se despedia — e, aparentemente, o sul-coreano herdou as feições do japonês.

Quer dizer, olhando casualmente para os dois talvez você não perceba muito bem. Mas, olhando os dois de frente pelo ângulo exato, a inspiração da Hyundai é evidente. Só não dizemos que aconteceu mesmo porque, bem… não estávamos lá quando o i30 foi projetado. Mas está tudo lá: o formato dos faróis e a distância entre eles, a grade dianteira (soma pontos o fato de ambos terem um “H” estilizado no emblema — só que o da Hyundai está em itálico) e até a disposição dos elementos do pára-choque.

 

Chevrolet Vectra B e Honda Accord

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E o Hyundai i30 não é o único carro parecido com o Honda Accord. Voltando alguns anos no tempo, temos o Accord de quinta geração, vendido entre 1994 e 1995. Pois o Opel Vectra B, segunda geração, lançado dois anos depois, é a cara dele.

Quer dizer, está mais para “traseira de um, retaguarda de outro” (OK, esta foi ruim). Novamente, é tentador dizer que os designers da Opel plagiaram a traseira do Accord que, nas versões cupês ou sedãs, parece usar até mesmo as lanternas do Vectra. Ou vice-versa. De qualquer forma, talvez isto seja reflexo das tendências de design do fim da década de 1990. Dito isto, o Opel Vectra B (e, consequentemente, nosso Chevrolet Vectra B) é considerado um dos carros mais bonitos de seu tempo, que trazia, inclusive, elementos de design que só vieram se tornar comuns anos mais tarde, como os espelhos bem integrados à carroceria.

 

Chevrolet Onix e Volkswagen Gol

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Vejam bem: não é a gente que está falando, é o povo que diz: muita gente considera a traseira do Chevrolet Onix uma cópia do Volkswagen Gol G5 (que, como já dissemos várias vezes, na verdade é a terceira geração e todo aquele papo). O primeiro foi lançado em 2012 e o segundo, em 2007. Ainda que a maioria das linhas dos carros seja distinta, o formato das lanternas traseiras, a disposição dos elementos delas e o desenho da tampa do porta-malas são muito parecidos — o que levou muitos fãs de carros a dizer que a inspiração foi para lá de intencional.

O caso desde 2014, o Onix é o novo líder do mercado, posição ocupada pelo Gol por 27 anos consecutivos até então. Será que o desenho parecido dos dois tem algo a ver com isto?

 

Renault Sandero e Citroën DS3

 

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Esta aqui não é tão evidente logo de cara, mas repare no desenho das lanternas traseiras destes dois franceses. Quer dizer, um francês e um romeno. O DS3, hot hatch divertidíssimo equipado com motor 1.6 turbo de 165 cv e câmbio manual de seis marchas, foi lançado na França em 2009 e chegou ao Brasil em 2012. O Sandero ganhou o visual atual com a chegada da segunda geração, que foi lançado lá fora como Dacia em 2012 e, no Brasil, como Renault em 2014.

Quando foi lançado, o Citroën DS3 tinha como marca o visual excêntrico da carroceria (como a “barbatana de tubarão” nas colunas B e a pintura em duas cores). O Renault Sandero é mais “normal”, por assim dizer, além de ser um carro com formato mais verticalizado, mas a traseira dos dois carros é tão parecida que dá até para confundir olhando rápido ou à noite.

 

Ferrari 250 GTO e Shelby Cobra Daytona

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A gente falou bastante de carros que costumamos ver nas ruas do Brasil ou de outros países, mas semelhanças também aparecem entre carros de corrida. Um exemplo clássico é o da belíssima Ferrari 250 GTO e do Shelby Cobra Daytona, versão fechada do famoso roadster britânico com motor V8 americano.

A Ferrari 250 GTO teve 39 exemplares fabricados entre 1964 e 1966, sendo que a primeira série de 33 carros feitos em 1962 e 1963 é a mais famosa por seu visual. O Shelby Cobra Daytona, por sua vez, teve seis exemplares construídos em 1964 e 1965. O visual semelhante dos dois carros é, em grande parte, devido ao fato de ambos terem a mesma finalidade — serem os mais velozes nas corridas de turismo da Europa.

 

Lincoln Continental e Bentley Flying Spur

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Esta aqui fez barulho quando aconteceu. Em abril de 2015, a Lincoln apresentou o conceito da nova geração do clássico Continental — 13 anos depois do fim da geração passada, baseada na plataforma Panther (a mesma do Ford Crown Victoria). O conceito foi bem recebido por representar um belo salto em relação ao modelo anterior, mas muita gente apontou uma semelhança mais do que passageira com o Bentley Flying Spur — que, veja só, até 2013 se chamava Bentley Continental Flying Spur.

Diferentemente da maioria dos casos, a semelhança não estava no desenho dos faróis e lanternas (que, convenhamos, são bem diferentes), mas no formato geral e nas proporções da carroceria. Na verdade, os dois carros eram tão parecidos que até mesmo um dos designers da Bentley, Luc Donckerwolke, manifestou-se no Facebook.

“Querem que a gente envie o ferramental do modelo?”, disse Donckerwolke, dirigindo-se à Lincoln. “Eu teria chamado de conceito do Bentley Flying Spur e mantido os quatro faróis circulares”. Já chefe do departamento de design, Sangyup Lee, descreveu o Lincoln como “uma piada, sério.” E ainda acrescentou: “é bem decepcionante, especialmente para uma marca exclusiva como a Lincoln”.

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No fim das contas, o modelo de produção foi apresentado no início do ano. As proporções ficaram mais murchas, o que tornou o carro menos parecido com o Bentley — se isso é bom ou ruim, não somos nós que vamos decidir.

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