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Car Culture História

Shelby GT350: a história do primeiro Mustang preparado de fábrica


Se parece que foi no ano passado que comemoramos os 50 anos do Ford Mustang, é porque foi: o primeiro “pony car” da história foi lançado em 1964 e ajudou a consolidar a imagem dos muscle cars nos EUA. Ele custava relativamente pouco, era bonito e bom de acelerar. Não demorou para que as outras fabricantes contra-atacassem — a GM, com o Chevrolet Camaro e o Pontiac Firebird em 1967; a Chrysler, com o Dodge Challenger e o Plymouth ‘Cuda em 1970.

Pode parecer inacreditável agora, mas em 1964, apesar das boas vendas e do motor V8 289, o Mustang não era considerado exatamente um esportivo — este título ficava com carros como o Chevrolet Corvette, que tinham formas mais esguias e motores mais potentes.

De qualquer forma, o Mustang foi um sucesso absoluto de vendas em seu ano de estreia, com mais de 260 mil unidades emplacadas. Em 1965, chega o modelo fastback, cujo teto caía suavemente até a traseira. Esta tornou-se a carroceria mais emblemática: quando se fala no Mustang clássico, é ela que vem à mente. E foi com base no Mustang fastback que o muscle car ganhou sua primeira versão de (ainda mais) alto desempenho: o Shelby GT350.

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Já mencionamos isso inúmeras vezes, mas nunca é demais lembrar: naquela época, grande parte do sucesso de um carro esportivo nas vendas era definida por suas vitórias nas pistas. Com o Mustang, não havia razão para ser diferente, e por isso a Ford logo tratou de tentar inscrevê-lo nos campeonatos de turismo organizados pelo SCCA (Sports Car Club of America). Tentar, porque a organização não aceitou o carro por não se enquadrar no regulamento da categoria. De acordo com algumas fontes, ainda há outra razão: o SCCA tinha reservas quanto à entrada de uma grande fabricante, como a Ford, em uma categoria que era dominada por equipes independentes.

Algo precisava ser feito. Se a desculpa do SCCA era o regulamento, que o Mustang então se tornasse um carro adequado! Para isso, a Ford convocou ninguém menos que Carroll Shelby.

Havia uma boa razão para isso: com a ajuda de Shelby, a britânica AC Cars conseguiu transformar aquele que era um bom esportivo, o roadster Ace, em um verdadeiro hot rod — o Shelby Cobra, de 1962. Com ele, a Ford teve a chance de provar que seus motores V8 eram potentes e capazes de vencer corridas (pois o Cobra era o maior vencedor de sua categoria nas provas nacionais da SCCA); e Shelby tinha a oportunidade de mostrar que entendia do que estava fazendo.

Sendo um cara bem relacionado e conhecido no meio automobilístico havia muitos anos, não havia ninguém melhor que ele para convencer a organização a permitir que o Mustang entrasse nas competições. E, depois disso, fazer do muscle um carro capaz de vencê-las.

Depois de se reunir com o então diretor da SCCA, John Bishop, en julho de 1964, Shelby chegou a uma lista de modificações que tornariam o Mustang apto a competir. Entre elas, a remoção do banco traseiro (os carros deveriam ter apenas dois lugares), aumento da potência do motor para cerca de 300 cv e suspensão mais firme. No fim das contas, não era uma tarefa muito difícil. Só havia um problema: o regulamento não permitia que os carros de corrida tivessem suspensão motor modificados — era um, ou outro. A solução: criar uma série especial do Mustang para as ruas — uma que já tivesse a suspensão adequada para as pistas.

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O trabalho começou em agosto de 1964 e, em janeiro de 1965, o chamado Shelby GT350 já estava pronto para ser revelado ao público. E, sem frustar nenhuma expectativa, era um carro incrível.

O motor era o mesmo V8 de 289 pol³ (4,7 litros) já encontrado no cofre do Mustang, porém equipado com um novo coletor de admissão de alumínio, carburador Holley de corpo quádruplo e sistema de escape retrabalhado, sem restrições. Não era bem a receita pela qual Shelby ficou conhecido — aumentar o deslocamento, claro —, mas dava o resultado esperado: um aumento de cerca de 270 cv para 310 cv nos carros de rua, com torque de 45,5 mkgf.

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Era o bastante para acelerar até os 100 km/h em 6,5 segundos, com máxima a um suspiro dos 200 km/h (há 50 anos, não esqueça). O câmbio, claro, era manual de quatro marchas — da Börg Warner, com carcaça de alumínio. A versão de corrida tinha pouco mais de 360 cv.

Ao contrário dos primeiros Mustang de rua, o GT350 não era um carro confortável de guiar. A suspensão era dura, com eixo-rígido traseiro (e tambores dos freios) do Ford Galaxie; só havia lugar para duas pessoas (o banco traseiro deu lugar ao estepe, melhorando a distribuição de peso) e o ronco do motor dentro do carro era absurdamente alto. O volante era igual ao dos Cobra, e os cintos eram de competição.

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Outras modificações incluíam uma barra transversal no cofre do motor, capô de fibra de vidro com scoop, freios a disco Kelsey Hayes na dianteira, rodas de 15 polegadas (de aço ou magnésio) e, em alguns carros, bateria no porta-malas (também para melhorar a distribuição de peso).

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Só havia uma cor disponível: branco “Wimbledon White”, com faixas azuis opcionais — as famosas racing stripes, que percorriam todo o comprimento do carro de ponta a ponta. Elas eram opcionais e poucos carros foram caracterizados com elas, mas com o tempo as faixas se tornaram parte da identidade visual do GT350. Você dificilmente encontrará um exemplar do primeiro ano de fabricação sem elas.

Dos 562 Shelby GT350 produzidos em 1965, 36 deles foram transformados no GT 350R, a versão de competição — incluindo na conta dois protótipos para testes.

Nos anos que se seguiram, o GT350 continuou sendo produzido, ganhando novas cores, itens de conforto e até, acredite, câmbio automático como opcional. E ele virou até carro de aluguel, quando Shelby firmou uma parceria com a rede de locadoras de automóveis Hertz — era o Shelby GT350-H, cuja história você pode ler aqui.

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Mas foi a primeira leva, aquela de 1965, que entrou para a história. E hoje, 50 anos depois, empresta seu nome e suas cores para o Shelby GT350 2015, com suspensão independente e um V8 de 5,2 litros com virabrequim plano e 533 cv.

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