FlatOut!
Image default
Car Culture

Sim: estes bancos da Toyota têm amortecedores – veja como funciona

Quem já andou de jipe ou picape longe do asfalto conhece a sensação. Uma suspensão longa e complacente somada a pneus de perfil alto, e um chassi extremamente rígido sobre o qual há uma cabine apoiada sobre coxins elásticos, causa uma confusão vetorial que nos faz questionar se o esqueleto humano realmente funciona.

Não há muito o que fazer; esse sacolejo todo é inerente a esse tipo de carro. As laterais dos pneus comprimem e retornam em uma frequência, as molas e amortecedores em outra, os coxins da cabine em outra. Quando estes componentes são comprimidos e distendidos em uma mesma frequência — ou seja: todos ao mesmo tempo — a rodagem é suave, os movimentos são harmônicos. Não há trancos nem solavancos. O carro balança pra cá, você balança junto. O carro balança pra lá, você balança para o mesmo lado.

Mas como há trocentos componentes elásticos indo e vindo ao mesmo tempo em um carro que está sobre uma superfície irregular — e isso significa ser diferente debaixo de cada roda, inclusive —, você mal terminou de balançar para a direita quando uma pancada cruzada te joga para a frente e depois para a esquerda e assim sucessivamente para qualquer lado até que o chão volte a ser plano de novo.

Esse efeito também acontece em máquinas pesadas como colheitadeiras e motoniveladoras e, claro, nos caminhões. Nestes tipos de veículos a solução foi fácil: bancos com suspensão. Normalmente eles usam sistemas pneumáticos (uma bolsa de ar, na prática) que amortecem as vibrações e movimentos bruscos do chassi para que o motorista se mantenha sempre em posição ideal de controle e também para trazer conforto durante a operação ou viagem.

Nas picapes e SUV é possível suavizar a rodagem usando um sistema pneumático semelhante, mas na suspensão do carro — as famosas suspensões a ar. Já nos bancos, esse tipo de sistema seria impraticável devido ao tamanho e ao peso, pois exigiria compressor, válvulas e uma bolsa inflável para cada assento.

Mas inviável não é impossível. E se uma determinada proposta não soluciona um problema, talvez seja uma boa ideia pensar em outra. Foi exatamente o que a Toyota fez.

A ideia inicial remonta a um conceito da Lexus de 2015, o “kinetic seat”, criado com o objetivo oposto: aumentar o trabalho muscular do ocupante. O IsoDynamic surge quando a Toyota decide inverter essa lógica e reduzir o esforço do corpo. Todd Muck, engenheiro com trinta anos de experiência em bancos — vinte deles na Toyota — liderou o projeto. Durante a pandemia, ele montou o primeiro protótipo na própria garagem, um experimento inicial que não funcionou como esperado, mas que acabou revelando o princípio correto de funcionamento do sistema e levou ao conceito atual.


O que a Toyota fez? Em vez de usar uma bolsa pneumática sob o assento, compressores etc, os bancos usam um sistema de dois amortecedores hidropneumáticos ajustáveis manualmente. Um deles controla os movimentos verticais, o outro controla os movimentos horizontais. São eles que prendem o banco à sua base, então, na prática, os bancos estão sempre suspensos.

O assento funciona como um sistema de “braço arrastado”: a base tem uma junta esférica traseira que permite cerca de 30 mm de curso vertical, enquanto a dianteira é fixa para garantir segurança em impactos e evitar o submarining — o escorregamento do ocupante por baixo do cinto. O encosto possui um pivô na altura das escápulas que permite pequenos movimentos laterais — até 25 mm — criando o que a Toyota chama de “movimentos de rede” (“hammock motions”). Há também um êmbolo que só atua em impactos fortes, reduzindo a chance de o ocupante bater a cabeça no encosto, algo elogiado especialmente por mulheres que usam rabo de cavalo.

Segundo a Toyota, os bancos podem diminuir em até 7% a carga de impacto sobre os ocupantes, o que reduz a fadiga e aumenta o conforto nas viagens. Os teste internos, contudo, mostram uma diferença ainda maior: usando sensores de eletromiografia, a Toyota registrou até 60% de redução nas contrações musculares do passageiro e entre 25% e 29% nas do motorista.

Por ser ajustável, o sistema pode amortecer desde os grandes impactos comuns no off-road até as pequenas vibrações da estrada como aqueles velhos sonorizadores que eram comuns nas rodovias dos anos 1980 e 1990.

O sistema de ajuste é semelhante ao das suspensões de bicicletas: há duas válvulas para bombear o ar para os amortecedores e, desta forma, ajustar a pressão/amortecimento. Menos pressão torna o amortecimento mais macio, com movimentos mais complacentes. Mais pressão, torna o amortecimento mais firme, com movimentos mais curtos. Os amortecedores ainda têm uma válvula para travar o sistema em uso comum, também de forma semelhante com o ajuste de retorno dos garfos de bicicletas e motos.

A Toyota inicialmente tentou usar amortecedores de mountain bike, mas descartou a ideia porque eles perdem pressão com frequência. O sistema final foi desenvolvido com a Stabilus, a mesma fabricante dos amortecedores de capô e porta-malas, que criou um conjunto hidropneumático selado específico para uso automotivo. E mesmo quando o manômetro marca zero, o sistema nunca fica realmente vazio — ele sempre mantém pressão mínima para atender às normas de segurança para impactos.

A válvula fica sob esta tampa “AIR”

A grande sacada aqui é que o sistema é leve e relativamente compacto, não ocupando mais espaço que um airbag lateral ou um sistema multimídia integrado ao encosto dos bancos.

Para isso, a Toyota teve de redesenhar completamente a estrutura do banco e recorreu à Multimatic, que usa a tecnologia ACCRA para criar peças martensíticas extremamente resistentes. O resultado foi uma redução de 50% na largura da armação interna, de 50 mm para 25 mm. Além disso, o material acolchoado é feito de uma combinação de nylon e fibra de vidro, um material inédito e premiado recentemente pela SAE.

E mesmo com os amortecedores, os bancos “isodinâmicos”, como foram batizados pela Toyota, ainda mantêm ajustes elétricos, aquecimento e ventilação — e, claro, revestimento de couro. O único elemento que ele perdeu foi o ajuste elétrico de reclinação, que precisa ser manual devido ao sistema de amortecimento.


Esta matéria é uma amostra do nosso conteúdo diário exclusivo para assinantes, e foi publicada sem restrições de acesso a caráter de degustação.

A sua assinatura é fundamental para continuarmos produzindo, tanto aqui no site quanto no YouTube, nas redes sociais e podcasts. Escolha seu plano abaixo e torne-se um assinante! Além das matérias exclusivas, você também ganha um convite para o grupo secreto (exclusivo do plano FlatOuter), onde poderá interagir diretamente com a equipe, ganha descontos com empresas parceiras (de lojas como a Interlakes a serviços de detailing e pastilhas TecPads), e ainda receberá convites exclusivos aos eventos para FlatOuters.

FLATOUTER

O plano mais especial. Convite para o nosso grupo secreto no Facebook, com interação direta com todos da equipe FlatOut. Convites para encontros exclusivos em SP. Acesso livre a todas as matérias da revista digital FlatOut, vídeos e podcasts exclusivos a assinantes. Direito a expor ou anunciar até sete carros no GT402 e descontos em oficinas e lojas parceiras*!

R$ 26,90 / mês

ou

Ganhe R$ 53,80 de
desconto no plano anual
(pague só 10 dos 12 meses)

*Benefícios sujeitos ao único e exclusivo critério do FlatOut, bem como a eventual disponibilidade do parceiro. Todo e qualquer benefício poderá ser alterado ou extinto, sem que seja necessário qualquer aviso prévio.

CLÁSSICO

Plano de assinatura básico, voltado somente ao conteúdo1. Com o Clássico, você terá acesso livre a todas as matérias da revista digital FlatOut, incluindo vídeos e podcasts exclusivos a assinantes. Além disso, você poderá expor ou anunciar até três carros no GT402.

R$ 14,90 / mês

ou

Ganhe R$ 29,80 de
desconto no plano anual
(pague só 10 dos 12 meses)

1Não há convite para participar do grupo secreto do FlatOut nem há descontos em oficinas ou lojas parceiras.
2A quantidade de carros veiculados poderá ser alterada a qualquer momento pelo FlatOut, ao seu único e exclusivo critério.