A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Car Culture Zero a 300

Sinthesis 1970: o esportivo italiano único no mundo – projetado pelo pai do De Tomaso Pantera

A ideia de construir seu próprio carro é algo que certamente já passou pela mente de todo entusiasta – por que devemos nos contentar com os carros projetados e construídos por outras pessoas? A realidade bate à porta pouco depois: criar um carro do zero é extremamente difícil. E por isso é notável quando alguém consegue.

Ainda não é assinante do FlatOut? Considere fazê-lo: além de nos ajudar a manter o site e o nosso canal funcionando, você terá acesso a uma série de matérias exclusivas para assinantes – como conteúdos técnicoshistórias de carros e pilotosavaliações e muito mais!

 

FLATOUTER

Plano de assinatura com todos os benefícios: acesso livre a todas as edições da revista digital do FlatOut e demais matérias do site, download de materiais exclusivos, participação em sorteios e no grupo secreto no Facebook (fique próximo de nossa equipe!), além de veiculação de até 7 carros no FlatOuters e até 3 anúncios no site GT40, bem como descontos em oficinas e lojas parceiras*!

R$20,00 / mês

*Benefícios sujeitos ao único e exclusivo critério do FlatOut, bem como a eventual disponibilidade do parceiro. Todo e qualquer benefício poderá ser alterado ou extinto, sem que seja necessário qualquer aviso prévio.

CLÁSSICO

Plano de assinatura na medida para quem quer acessar livremente todas as edições da revista digital do FlatOut e demais matérias do site1, além de veiculação de até 3 carros no FlatOuters e um anúncio no site GT402.

De R$14,90

por R$9,90 / mês

1Não há convite para participar do grupo secreto do FlatOut nem há descontos em oficinas ou lojas parceiras.
2A quantidade de carros veiculados poderá ser alterada a qualquer momento pelo FlatOut, ao seu único e exclusivo critério.

Talvez isto até ajude a explicar a admiração que muitos nutrem pelos fora-de-série brasileiros, por exemplo: eram carros feitos aproveitando ao máximo o que se tinha à mão, mesmo que muitas vezes não fosse o ideal. E, com criatividade, determinação e talento, funcionava.

Mas estamos aqui para falar dos fora-de-série brasileiros – ao menos não hoje. Vamos falar de um fora-de-série norte-americano com sangue italiano: o Sinthesis 2000, que em 1970 encantou o Salão de Turim com suas belas proporções, suas formas limpas e harmônicas e o ronco de seu motor flat-four de dois litros e 160 cv, vindo do Lancia Flavia.

544951-1000-0

Seu nome é Sinthesis 2000, e ele foi imaginado, criado e construído em 1970 por um engenheiro mecânico (hoje aposentado) chamado Peter Giacobbi com a ajuda de um amigo muito especial – o designer Tom Tjaarda, famoso por assinar as linhas de carros como o Fiat 124 Spider, a Ferrari 330 GT 2+2 e, claro, o De Tomaso Pantera – que também foi lançado em 1970.

124spiderferrari_330_gt_2_2de_tomaso_pantera_1

Peter Giacobbi trabalhava na Itália no fim dos anos 60, e sua profissão o colocava no mesmo círculo social de gente como Ferruccio Lamborghini, Giulio Alfieri (engenheiro da Maserati) e o próprio Tom Tjaarda. Segundo o próprio Giacobbi, certa noite ele e Tjaarda foram a um jantar e, depois de algumas taças de vinho, tiveram a ideia de construir um carro juntos. Um carro que fosse veloz com uma Ferrari – que, em sua visão, eram “caminhões de lixo muito rápidos” e não muito mais do que isto. Notou alguma semelhança com a motivação de Ferruccio Lamborghini em 1963?

1444966749_giacobbi-motor

No dia seguinte, Tom Tjaarda – ainda de ressaca, segundo Giacobbi – começou a trabalhar. Ele desenhou não apenas um rascunho, mas todos os elementos necessários para construir um molde em madeira para dar início à fabricação do esportivo. Depois, procurou Giacobbi para mostrar-lhe os planos.

Giaccobi, que realmente achava que tudo não passaria de um devaneio induzido pelo álcool, topou na hora. A ideia havia partido dele, portanto o carro seria dele – Tjaarda aparentemente só queria se ocupar depois de trabalhar no De Tomaso Pantera. Segundo Giacobbi, as linhas que Tjaarda desenhou eram perfeitas desde o início – e assim, ele podia se concentrar nos aspectos técnicos do carro.

Giacobbi_Sinthesis_Lancia_Flavia Giacobbi_Sinthesis_1970

O nome escolhido foi Sinthesis – porque o esportivo seria a síntese das influências italianas e norte-americanas de seus criadores. A própria grafia misturava as grafias italiana (sintesi) e inglesa (synthesis) da palavra. Mais tarde, Giacobbi adicionou o sobrenome 2000 Berlinetta, refletindo a capacidade do motor e a configuração da carroceria.

O Sinthesis foi projetado de forma a obter proporções tão harmônicas que seria difícil, olhando de fora, saber se o motor era dianteiro ou central-traseiro. Também deveria ter uma boa distribuição de peso e centro de gravidade baixo – além, é claro, de uma boa dinâmica. Assim, o carro tinha capô longo, vidros laterais traseiros “de verdade” (mesmo que só tivesse dois lugares, com o motor atrás dos bancos dianteiros) e uma traseira do tipo fastback. São 4,21 metros de comprimento, 1,65 metro de largura, 1,14 metro de altura e 2,43 metros de entre-eixos. É visível a influência do De Tomaso Pantera no design, mas o Sinthesis tem identidade própria.

545001-1000-0 544991-1000-0 544981-1000-0

A carroceria foi montada sobre uma estrutura tubular de aço, com arcos de roda estruturais e um subchassi na traseira para acomodar o conjunto mecânico. Giacobbi optou pelo motor flat-four do Lancia Flavia, originalmente com 1,5 litro de deslocamento, construção toda em alumínio e potência na casa dos 90 cv – e também por seu câmbio manual de quatro marchas. Ele foi o responsável por preparar o motor, projetando novos pistões, bielas, válvulas e virabrequim, aumentando a taxa. O deslocamento do flat-four foi ampliado para 1.991 cm³ e, com a a instalação de dois carburadores em vez de um só, além de um aumento na taxa de compressão, Giacobbi conseguiu elevar a potência para 155 cv.

1970_Sinthesis_2000_Coupe_-_fvrT 544971-1000-0

A estrutura tubular garantia que o Sinthesis 2000 Berlinetta pesasse cerca de 1.000 kg – um número baixo o bastante para garantir o zero a 100 km/h na casa dos oito segundos, faixa bem próxima das Ferrari contemporâneas. Parte disto se devia também aos componentes de alumínio da suspensão, que era derivada do Lancia Fulvia. A diferença é que o Fulvia, que fez história nos ralis, tinha braços triangulares sobrepostos na dianteira e eixo rígido na traseira, enquanto o Sinthesis tinha o sistema independente por braços sobrepostos nas quatro rodas. O Fulvia também cedeu ao esportivo a caixa de direção.

De acordo com Giacobbi, cada componente do carro foi escolhido por ele – volante, instrumentos, comandos no painel, maçanetas das portas e faróis escamoteáveis. Embora também tenha se envolvido na construção, ele preferiu deixar o trabalho de construir a estrutura, fabricar a carroceria e juntar os dois com um time de especialistas italianos escolhidos a dedo. Para sua sorte, naquela época ele recebia em dólares e a taxa de câmbio do dólar para a lira era bastante generosa, lhe permitindo investir uma boa quantia nos melhores profissionais.

Giacobbi_Sinthesis_2000

Como resultado, o Sinthesis 2000 Berlinetta saiu melhor do que o esperado. Apresentado no Salão de Turim de 1970, o carro levantou especulações de que se tratava de um novo lançamento da Lancia, devido ao conjunto mecânico. Segundo seu criador, o carro tem dinâmica excelente – plantado no chão ao contornar curvas, com um subesterço sutil e controlável. Os instrumentos são voltados para o condutor, que tem todos os comandos necessários bem ao alcance das mãos. Os pedais são posicionados perfeitamente para o punta-tacco o sistema de direção possui relação muito direta (herança dos ralis) e boa comunicabilidade. É um esportivo italiano, afinal.

sinthesis2

Era um carro simples, bonito e bem acertado que, para Giacobbi, teria facilmente emplacado caso alguma fabricante tivesse interesse em produzi-lo em série – o que acabou não acontecendo. O sonho de construir seu próprio esportivo, porém, estava realizado – e não surpreende que Giacobbi ainda cuide com todo o zelo possível do Sinthesis GT. Ainda mais agora, para preservar a memória do amigo que lhe ajudou – Tom Tjaarda morreu em junho de 2017, aos 82 anos.

maxresdefault

O último episódio do Petrolicious foi dedicado ao Sinthesis 2000 Berlinetta, e se você ficou interessado em saber como é o ronco de um flat-four italiano carburado acelerando forte, esta é uma bela oportunidade. Um pouco de inspiração para esta quarta-feira, se preferir.

 

 

Matérias relacionadas

Lazareth LM847 é praticamente um V8 Maserati com rodas, banco e guidão

Dalmo Hernandes

Peugeot 3008 lançado no Brasil, Roush lança Mustang P-51 de 737 cv com inspiração aeronáutica, Tesla e motorista falharam em acidente fatal com carro semi-autônomo

Leonardo Contesini

Este Volvo Amazon com um V8 BMW de 620 cv e tração integral é um verdadeiro Frankenstein sueco

Dalmo Hernandes