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Car Culture

Tecno II: o Santana com motor de Golf GTI e tração integral que nunca tivemos


O Volkswagen Santana foi um dos carros mais longevos vendidos no Brasil. Ele foi lançado em abril de 1984, e era o maior VW oferecido no Brasil até então. Feito para encarar o Ford Del Rey e o premiado Chevrolet Monza, ele tinha visual elegante, mecânica consagrada e uma bela lista de equipamentos – características que o ajudaram a sobreviver no mercado nacional até 2006, com mais de meio milhão de unidades produzidas (ainda que tenha passado por grandes atualizações de projeto).

O caso é que, o lançamento do Santana não foi a único grande momento em sua história que aconteceu naquele ano de 1984. Poucos meses depois, o sedã que havia acabado de ser lançado ganhou uma versão especial que, para a Volkswagen, representava uma visão do futuro: o conceito Santana Tecno II.

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Seu nome revelava as intenções da fabricante: mostrar um carro-conceito de alta tecnologia, aproveitando que o Santana ainda era novidade e que a VW do Brasil mantinha relações bastante estreitas com a matriz alemã.

Como você deve lembrar, o Santana nada mais é do que a segunda geração do Passat, que já era vendida na Europa desde 1979. E foi aproveitando recursos disponíveis apenas no modelo europeu que a VW criou um carro realmente impressionante para o Salão do Automóvel de 1984, em São Paulo.

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A carroceria em dois tons, com azul escuro (ou seria preto) na parte superior e para-choques e soleiras na cor prata, lembrava muito o Gol GTi que seria apresentado quatro anos depois. O motor tinha 16 válvulas, a tração era integral e o interior trazia algumas coisas que ainda não eram comuns nem na casa das pessoas. É mole?

O motor, para se ter uma ideia, era um quatro-cilindros de 1,8 litro com cabeçote de 16 válvulas, algo ainda inédito no Brasil. O cabeçote foi desenvolvido pela Okrasa (Oettinger Kraftfahrtechnische Spezial Anstalt), hoje conhecida como Oettinger – que, como dissemos neste post, é considerada a preparadora especializada em VW mais antiga do planeta.

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O cabeçote de 16v foi adotado pela VW na Europa na década de 1980, primeiro pelo VW Scirocco em 1984, e depois pelo Golf GTI 16v de segunda geração em 1986. Em ambos os modelos, a potência do 1.8 16v é de 139 cv a 6.100 rpm e 17,3 mkgf de torque – números bastante parecidos com os divugados para o Santana Tecno II pela imprensa na época (como a revista Motor 3, de onde foram retiradas as fotos que ilustram este post). Ou seja: é como se fosse um Santana com motor de Golf GTI!

Além do motor, outra herança veio da Europa: o sistema de tração Syncro, versão do sistema quattro da Audi que chegou a ser utilizado no Santana/Quantum europeu, com três diferenciais (dianteiro, central e traseiro, sendo que os dois últimos são autoblocantes). Para incorporar o sistema ao carro, a Volkswagen aproveitou toda a seção traseira da plataforma do Santana europeu, incluindo o sistema de suspensão traseira independente por braços arrastados. Com isto, a estabilidade, a aderência e o comportamento dinâmico do Santana Tecno II era decididamente superior ao de qualquer outro Santana brasileiro.

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As outras modificações do carro eram puramente nacionais: os freios, com discos ventilados na dianteira, eram produzidos aqui (mas jamais foram adotados pela Volks por questões de custo), enquanto as mudanças na carroceria e no interior foram desenvolvidas no Brasil.

O carro tinha máscaras negras nos faróis e uma grade de plástico brilhante com furos para admissão de ar do lado esquerdo. A traseira repetia o visual, e contava com luz negra nas lanternas. As rodas eram iguais às do primeiro Gol GT, também lançado em 1984, mas durante o Salão de São Paulo o Santana Tecno II foi equipado com calotas especiais.

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Por dentro, havia bancos Recaro revestidos em couro vermelho, que também estava presente nos revestimentos de porta. O vermelho também estava no carpete, nos tapetes e no console central.

Os bancos tinham ajustes elétricos e memorizador, enquanto o console central trazia telefone e computador de bordo. O painel de instrumentos tinha cluster completamente digital, e havia ainda um computador de bordo que mostrava as horas, o tempo da viagem, velocidade média, autonomia e média de consumo, feita a cada 100 km. No teto ficava um relógio digital com check-control, que utilizava luzes e sinais sonoros para indicar possíveis problemas com o carro. Atrás, entre os bancos traseiros, ficava um console com uma televisão e, por alguma razão, uma calculadora financeira HP 12C.

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Infelizmente, o Santana Tecno II foi apenas um estudo de design e engenharia – nosso Santana jamais recebeu sequer um cabeçote de dezesseis válvulas. No entanto, alguns de seus recursos podem ser encontrados em carros modernos, como aviso sonoro de portas abertas e vidros elétricos com temporizador.

 

O outro Tecno

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Antes do Santana Tecno II, a VW apresentou outro conceito com o sobrenome: o Voyage Tecno. Foi na Feria do Carro a Álcool de 1983, em São Paulo e a ideia era a mesma: visual “futurista”, motor 1.8 16v (com 130 cv) e muita tecnologia do lado de dentro.

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No entanto, o aspecto mais interessante do Voyage Tecno é seu visual: a nova dianteira, com faróis maiores, e os para-choques envolventes, foram aproveitados na primeira reestilização da Família Gol, promovida quatro anos depois, em 1987.

Fotos e informações cedidas por Thyago Szoke, presidente do Santana Fahrer Club. Valeu, Thyago!

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