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Car Culture História

Top speed: a evolução da velocidade máxima dos carros de rua


Qual é o carro produzido em série mais veloz do planeta? Não estamos falando de aceleração, mas sim de velocidade máxima, OK? Pois bem: se for considerar o recorde oficial, aferido e emitido pela Guinness World Records, a resposta é a mesma desde julho 2010, que foi quando o Bugatti Veyron Super Sport passou dos 431 km/h na pista de testes de Ehra-Lessien, pertencente à Volkswagen. Se formos considerar o recorde absoluto, porém, as coisas são um pouquinho mais complicadas.

Antes de chegar nesta parte da história, porém, vamos revisitar toda a evolução dos recordes de velocidade. É uma boa hora para fazê-lo pois, ao que tudo indica, estamos prestes a conhecer um novo recordista; alguns superesportivos lançados nos últimos anos estão dispostos a abocanhar o título de carro mais veloz do mundo em breve. But first things first. 

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Desde quando se mede a velocidade dos carros? Bem, a resposta mais lógica está correta: desde que os carros existem. Já contamos aqui, detalhadamente, a história dos recordes de velocidade em linha reta disputados em Bonneville Salt Flats, o enorme (e plano) deserto de sal plano que fica no estado de Utah, nos EUA. Pilotos de todas as partes do mundo começaram a ir para lá no início do século XX, mais ou menos na mesma época do ano, e em 1914 foi estabelecido o primeiro recorde nas planícies brancas: o Blitzen-Benz, monstro germânico com um quatro-cilindros de 21,5 litros e 200 cv e transmissão por corrente, chegou aos 228 km/h.

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Dito isto, o Blitzen Benz era um automóvel construído especialmente para quebrar recordes de velocidade, e não um carro produzido em série. O Velo começou a ser fabricado artesanalmente em 1894, onze anos depois da construção do Patent-Motorwagen, e era bem parecido com ele. Quando falamos em “primeiro carro produzido em série”, queremos dizer que o Velo foi o primeiro automóvel a ter mais de uma unidade fabricada seguindo o mesmo padrão da original, para fins comerciais. Ele tinha um motor monocilíndrico de 1.045 cm³ (era 1.0, cara!) e 1,5 cv; era controlado por um manete, e não por um volante; e chegava a impressionantes… 20 km/h.

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O Benz Velo teve 67 unidades fabricadas em 1894 e outras 134 no ano seguinte, e até 1902 1.200 exemplares rodavam pelas ruas e estradas. Considerando que a Guinness World Records exige um mínimo de 30 unidades produzidas para que um carro seja considerado “produzido em série”, o Velo se classificaria com folga. Só que o primeiro Livro dos Recordes só foi publicado em 1955 – e os carros já haviam evoluído muito àquela altura.

Os primeiros registros confiáveis de velocidade máxima, porém, começaram a surgir depois da Segunda Guerra Mundial, que terminou em 1945. Antes disto, não havia tanta preocupação com este tipo de coisa, talvez porque, querendo ou não, devemos admitir que o conflito trouxe diversos avanços aos automóveis – os 4×4 para uso civil, por exemplo, surgiram dos veículos off road militares. Pode ser, também, que os soldados voltassem para casa sedentos por adrenalina – não foi à toa que muitos viraram hot rodders, medindo a força de suas máquinas de semáforo em semáforo, e acabaram contribuindo diretamente com o aperfeiçoamento dos motores de alta performance.

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A partir de 1946, revistas britânicas como a The Motor e a Autocar, além da americana Road & Track, começaram a colocar os carros para acelerar até seu limite como forma de medir seu desempenho de forma objetiva. Dessa forma, o Healey Elliot, esportivo feito em quantidade limitada pelo britânico Donald Healey, chegou aos 169 km/h em uma milha (1.600 m) em um teste conduzido pela The Motor, e foi declarado o carro produzido em série mais veloz do planeta – assim, sem cerimônia.

Naquele tempo não havia internet, e as notícias não se espalhavam tanto, nem tão rápido. Por isto, hoje em dia sabe-se que o italiano Alfa Romeo 6C Super Sport de 1947, dotado de um seis-em-linha de 2,5 litros e 110 cv, era capaz de chegar aos 171 km/h. Diz-se que o francês Talbot-Lago T26 Grand Sport chegava aos 200 km/h em 1947, e foi um dos primeiros a fazê-lo. Mas tudo era um tanto obscuro até a chegada de outro britânico.

O Jaguar XK120 foi um dos primeiros carros a utilizar a velocidade máxima como argumento de venda. Quando o esportivo inglês foi lançado, em 1949, os anúncios diziam que “um Jaguar Super Sports XK120 completamente original de fábrica chegou aos 213,3 km/h sendo observado por oficiais”. Exceto que não era bem assim: o carro usado para medir este recorde tinha o mesmo seis-em-linha de 3,4 litros e 160 cv que todos os outros, mas tinha um para-brisa menor, uma cobertura sobre o banco do passageiro, rodas traseiras cobertas (tudo para reduzir o arrasto aerodinâmico) e relação final de diferencial mais longa.

O XK120 de rua chegava aos 200,5 km/h, e foi o primeiro carro produzido em série, de fato, a fazê-lo. As primeiras dezenas de exemplares tinham carroceria de alumínio, e outros 12.000 carros com carroceria de aço foram feitos até 1954.

O vídeo acima não é do recorde de velocidade, mas sim de um dos Mercedes 300SL mais legais que já vimos

E foi justamente em 1955, um ano depois de sair de linha, que o XK120 foi superado. O desafiante era, novamente, um Benz – o Mercedes-Benz 300SL, que chegou aos 242,5 km/h em um teste conduzido pela revista alemã Automobil Revue, que tirou a média depois de acelerar o carro nos dois sentidos de uma reta (gostamos de pensar que foi em uma Autobahn). A própria Mercedes-Benz era mais confiante: com o diferencial final mais longo, opcional, dizia que o seis-em-linha de três litros e 225 cv era capaz de levar o esportivo de alumínio até os 259 km/h. Em 1961, o Gullwing ficou para trás – o Aston Martin DB4 GT, lançado em 1959, foi levado até os 245 km/h (novamente, a média de duas aferições) pela britânica Autosport.

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A nova década trouxe uma nova leva de grand tourers na Europa – veículos feitos exatamente para atravessar estradas em alta velocidade. O Iso Grifo GT 365, de 1963, era concebido na Itália, produzido pela Iso Autoveicoli, com design de Giorgetto Giugiaro e um V8 Chevrolet small block 327 (5,4 litros) preparado por Giotto Bizzarrini para passar chegar perto dos 400 cv e levar o carro até os 259 km/h, aferidos em 1966.

Do outro lado do Atlântico, a revista Car and Driver levou o AC Cobra, roadster inglês com coração americano criado por Carroll Shelby, até os 266 km/h no fim de 1965. Dois anos depois, o recorde foi superado pelo Lamborghini Miura P400, que na edição de junho de 1967 revelou que o supercarro italiano com motor V12 era capaz de chegar aos 275 km/h.

O touro só foi superado brevemente na década de 1970. Em 1971, a Ferrari 365 GTB/4 Daytona chegou aos 280 km/h nas mãos da Autocar – o GT italiano também tinha um V12, mas este ficava na dianteira. Os italianos deram o troco duas vezes seguidas: primeiro, em 1978, quando o Countach LP400, equipado com um V12 de quatro litros e 375 cv, chegou aos 288 km/h em um teste conduzido pela Auto Motor und Sport, publicação alemã que até hoje é considerada uma das maiores revistas automotivas do país. A segunda vez veio em 1983, quando o Countach LP500S (cujo V12 de 4,7 litros também entregava 375 cv, porém era mais torcudo) chegou aos 293 km/h, também nas mãos da Auto Motor und Sport.

Os alemães ainda conseguiram outro registro histórico na década de 1980. Mais precisamente, em 1985, quando a Ferrari 288 GTO testada por eles se tornou o primeiro automóvel produzido em série a ultrapassar os 300 km/h, chegando a nada menos que 303 km/h.

“Esse vídeo de novo, FlatOut?” Sim, esse vídeo de novo!

Foi a partir daí que o negócio começou a pegar fogo, e os registros começaram a ficar um pouco mais confusos e inconsistentes. Em 1987, a Road & Track levou o Porsche 959, primeiro supercarro da marca de Stuttgart, aos 317 km/h na versão Komfort (mais equipada e pesada), e a 319 km/h na versão Sport (mais leve e veloz). Em ambos os casos, o motor era o mesmo boxer de arrefecimento misto (água para os cabeçotes, ar para o bloco) com 2,85 litros de deslocamento, dois turbos e 450 cv.

No ano seguinte, o Ruf CTR2 Yellowbird, famoso pelo vídeo Faszination Nürburgring e, em essência, um Porsche 911 com motor biturbo de 476 cv, chegou aos 342 km/h no circuito de Nardò Ring, novamente aferidos pela Auto Motor und Sport. 

A maioria das fontes vai dizer que, depois do Ruf, veio o McLaren F1. Sua velocidade máxima foi declarada em 370 km/h em 1993, quando foi lançado, mas na prática o V12 BMW de 6,1 litros e 627 cv era capaz de muito mais: em 31 de março de 1998, no circuito de Ehra-Lessien, o superesportivo atingiu uma velocidade média de 386,4 km/h (é uma história e tanto, aliás).

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Acontece que, por alguma razão, costuma-se “esquecer” que entre o Ruf CTR2 e o McLaren F1 houve outros dois recordistas: o Bugatti EB110, que chegou aos 336 km/h em 1991; e o Jaguar XJ220 e seu V6 biturbo de carro de rali, que alcançou os 342 km/h. Só depois veio o recorde do McLaren F1 – que permanece na posição de mais veloz automóvel de motor naturalmente aspirado já feito.

E assim chegamos à atual treta. Sete anos depois do McLaren F1, no mesmo circuito de Ehra-Lessien, o Bugatti Veyron original, com motor W16 de oito litros com quatro turbos e 1.001 cv, foi o primeiro carro produzido em série a passar dos 400 km/h. Foram, na verdade, 408,47 km/h de velocidade média em duas tentativas. Cinco anos depois, a Bugatti deu mais potência ao Veyron, que na versão Super Sport foi levado para Ehra-Lessien e, na presença dos oficiais do Guinness, marcou 431,07 km/h. Este é o recorde atual… só que ele não é mais válido.

O que aconteceu? Bem, uma série de fatos. Primeiro, a americana Shelby Super Cars, responsável por produzir o SSC Aero, superou o primeiro recorde do Veyron em 2007, quando o carro equipado com um V8 biturbo de 1.200 cv chegou aos 412 km/h em uma rodovia (fechada, claro) no estado de Washington. Quando o Bugatti Veyron Super Sport teve seu recorde declarado, a SSC reclamou, dizendo que o carro usado na aferição teve seu limitador de velocidade desligado e, por isto, não era exatamente igual ao carro que podia ser comprado pelos bilionários.

Isto, bem, é verdade: o Veyron Super Sport, que teve 30 unidades fabricadas (e, portanto, classifica-se como carro produzido em série de acordo com a Guinness World Records), tem um limitador de velocidade que não o deixa passar de 415 km/h. A organização, porém, manteve sua posição e declarou que o Veyron ainda era dono do recorde, pois a remoção do limitador de velocidade não altera as características fundamentais do conjunto mecânico.

Depois, em abril de 2013, o Hennessey Venom GT – o Lotus Exige esticado com motor V8 big block de 1.261 cv, criado pelo texano John Hennessey – chegou aos 428 km/h. John Hennessey, então, cutucou o pessoal do Guinness novamente. E eles foram ouvidos: naquele mesmo mês, a organização soltou uma nota dizendo que, de fato, a metodologia de aferição do recorde precisava ser atualizada para refletir os atuais parâmetros de desempenho dos carros e que, por isso, o Veyron Super Sport não seria desclassificado ,mas a categoria do carro produzido em série mais veloz do mundo seria revista.

Foi o último pronunciamento oficial da Guinness World Records a respeito do assunto. Desde então, a Hennessey ainda tentou a sorte em 2014, ao levar o Hennessey Venom GT para a pista de pouso da NASA, no Kennedy Space Center, e o levou até os 435,31 km/h. Acontece que, por duas razões, o recorde não foi validado pelo Guinness. Primeiro, porque só existem 25 unidades do Venom GT (segundo a FIA um carro produzido em série tem ao menos 25 unidades produzidas em 12 meses). Segundo, porque a NASA não permitiu que o supercarro fizesse mais uma aferição para que a média fosse tirada.

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Assim, desde abril de 2013 o posto permanece em aberto.

 

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