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Uma Vespa com motor V2 de 2,5 litros é a nossa mais nova definição de cadeira elétrica

Você não acha esquisito que o entusiastas usem o termo “cadeira elétrica” para referir-se a um carro pequeno com motor gigantesco e verdadeiro potencial assassino? Estes carros nunca usam motores elétricos! De qualquer forma, este aqui nem é um carro: estamos falando de uma Vespa (sim, aquela scooter retrô charmosinha) que deixou de ser um meio de transporte prático e econômico para se transformar em uma verdadeira… cadeira elétrica. Isto porque, em vez do pequeno motor dois-tempos de 98 cm³ usado na Vespa clássica, ela tem um V2 de 2,5 litros e 190 cv. Quê?

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Um motor V-Twin, ou V2, é um dos mais clássicos tipos de motor de motocicleta. Na verdade, quando foi criado em 1889 por Gottlieb Daimler, ele era usado como motor estacionário. Foi em 1902 que uma companhia britânica chamada Princeps AutoCar anunciou a primeira moto com motor V2 e, a partir daí, várias outras companhias começaram a fabricar os seus.

Até mesmo a Peugeot, que usou motores V2 construídos pela Daimler em seus primeiros automóveis, desenvolveu um motor V2 no início do século 20 — e eles eram tão bons que, em 1907, uma moto com motor V2 Peugeot venceu o Tourist Trophy em Isle of Man.

As raízes do motor V2, portanto, estão na Europa. Dito isso, hoje em dia, a maioria dos entusiastas associa motores V2 às grandes choppers americanas, que são movidas por motores V2 maiores que o quatro-cilindros de um carro popular, têm ronco alto e marcha lenta totalmente embaralhada e muito barulhenta. A gente adora essas coisas, ainda que motos não sejam um tema muito frequente aqui no FlatOut.

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Sabe quem também adora essas coisas? Um cara chamado Mario Kleff, que mora na Tailândia mas é apaixonado por customs e choppers americanas — tanto que ficou famoso por lá construindo monstruosas motos com motores importados dos EUA e preparados. Dá uma olhada nisso aqui, e presta atenção no ronco:

Esta é a 222 Thailand, que usa um motor V2 de 222 pol³ (3,6 litros) com base em um projeto da Harley Davidson, porém modificado pela australiana Hyperformance Cycles. É uma moto grande com motor enorme, com o típico exagero dos americanos no que tange a seus veículos. Não é o caso, porém, da pequena Vespa.

A gente gosta de pensar nas choppers americanas como muscle cars de duas rodas — grandes, potentes, barulhentas e perfeitas para pegar a estrada. Sendo assim, colocar um V2 de 2,5 litros em uma pequena scooter lançada na década de 1940 e usava um monocilíndrico de menos de 100 cm³, é como colocar um motor V8 ou V12 em um Fiat 500 clássico — algo que um pessoal até já fez, lembra?

Pois bem. O que temos aqui, na prática, é um motor V2 R&R Cycle  de 155 pol³ (2,5 litros) preparado, com arrefecimento líquido, cabeçotes retrabalhados pela Hyperformance, comando de válvulas de maior graduação, taxa de compressão de 12,5:1. A alimentação fica por conta de um carburador de corpo duplo S&S Super D, e o resultado são 190 cv e 28,3 mkgf de torque. É um motor que não faria feio em um carro pequeno e leve, se querem saber — o Morgan 3-Wheeler que o diga, visto que os 80 cv de seu motor V2 de dois litros são mais que suficientes para divertir.

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Dito isso, o negócio aqui é ainda mais radical. Até porque da Vespa só sobraram a carenagem frontal, a cobertura do motor e o entre-eixos. Em vez de colocar os pés na frente, como em qualquer outra scooter underbone, agora o piloto precisa montar na Vespa como se ela fosse uma moto comum. O motor toma boa parte da “área útil” da Vespa, transformando-a, efetivamente, em uma chopper.

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A transmissão é uma Baker Torquebox de seis marchas uma das mais populares entre os preparadores de motos americanas, com correia de três polegadas à direita. Os freios são a disco, com pinças de seis pistões na dianteira e na traseira.

O mais impressionante é que uma Vespa original pesa pouco menos de 120 kg — que é mais ou menos o peso de seu novo motor sozinho. Ou seja: a relação peso-potência desta coisinha deve ser absurda. Assim como a ideia de pilotá-la em uma rodovia. Que foi exatamente o que Mario fez no primeiro teste com sua criação.

Imaginamos a cara de espanto de quem cruzou com uma Vespa com vozeirão de Harley Davidson acelerando pela estrada…

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