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Zero a 300

Zafira OPC com 400 cv | O festival Bugatti em Molsheim | Toyota anti-Raptor e mais!

Bom dia, caros leitores! Bem-vindos ao Zero a 300, a nossa rica mistura das principais notícias automotivas do Brasil e de todo o mundo. Assim, você não fica destracionando por aí atrás do que é importante. Gire a chave, aperte o cinto e acelere com a gente!

 

TurboZentrun faz Zafira OPC chegar a 400 cv.

A Zafira é um carro de muitos órfãos aqui no Brasil, onde foi vendido como um Chevrolet. A sofisticada minivan da Opel durou aqui no Brasil, inalterada, de 2001 até 2012, quando foi substituído por um carro desenhado aqui no Brasil para o mercado brasileiro apenas, por brasileiros: a Spin.

2001 Opel Zafira OPC

Sim, a Spin é bem menos sofisticada que a Zafira. Também é baseada num carro menor que a Zafira. Por mais que a gente lamente, o Spin era muito melhor ajustado para nossa realidade: era inerentemente mais barato para se produzir. A prova deste acerto é que continua em produção, e diferente da Zafira, ainda vendido com lucro: a Zafira no fim era mantida em produção apenas para “segurar um mercado”, sem lucro, apenas pagando contas. Ficou ofendido com o fato de que a gente só pode ter Spin e não Zafira? O sentimento é válido, mas entender isso e aprender a lidar com o mundo real, necessário, né? Melhor aceitar, como dizia o velho deitado.

Spin: inferior, mas brasileira e de sucesso

Para os órfãos da Zafira, porém, a notícia de hoje causa ainda mais desconforto, pois lembra que mesmo quando tínhamos Zafiras aqui, não eram as melhores Zafiras. Na Europa existiu também o Zafira OPC: lançado em 2001, tinha um dois litros 16v Turbo, com nada menos que 192 cv, fazendo esta a minivan mais rápida de seu mercado. Disponível apenas com uma transmissão manual de cinco velocidades, fazia 0–100 km/h em 8,2 segundos e chegava a 220 km/h. Tem gente que diria que minivan tem que ser confortável, não esportiva, mas essas loucuras são sempre divertidíssimas; assim era a Zafira OPC.

Zafira OPC, segunda geração

E mais: a Zafira na Europa ganhou uma nova geração em 2005, que não tivemos aqui; a versão OPC continuou nesta nova Zafira, com o mesmo motor Z20LEH, mas agora com nada menos que 240 cv. Uma minivan rápida de verdade.

Agora, 15 anos depois desta segunda geração da Zafira OPC ser descontinuada, um preparador alemão trás ela de volta. Como toda preparação alemã, requer validação TÜV, fazendo dele um kit engenheirado de verdade. A empresa, chamada TurboZentrum, troca o turbocompressor por um mais moderno, refaz a calibração, entre outras coisas: o resultado são impressionantes 400 cv na perua Zafira.

O preço da modificação não é estratosférico: € 1844, ou R$ 9.607.  O mesmo motor de 2,0 litros também pode ser encontrado sob o capô do Opel Astra OPC da mesma geração, H, o carro que aqui virou Vectra. O kit, então, pode ser montado também nele. (MAO)

 

Reino Unido deve voltar atrás com o banimento de combustão interna em 2030.

Após muitos boatos, parece que é verdade: a BBC, um canal intimamente ligado ao governo, reporta que o Reino Unido está pensando em atrasar o banimento de motores de combustão interna de 2030 para 2035.

Não é à toa: este prazo de 2030 era originalmente uma meta mais agressiva em comparação com o plano da União Europeia, que sempre foi 2035.  A meta inglesa mais agressiva de 2030 foi inicialmente introduzida em Novembro de 2020 pelo governo do então primeiro ministro Boris Johnston.

Espera-se que o atual primeiro-ministro Rishi Sunak fale à nação nos próximos dias, revelando uma série de flexibilizações políticas relativas às emissões. No entanto, foi relatado que não é provável que Sunak volte atrás no objetivo de atingir emissões líquidas zero até 2050.

Embora o gabinete de Sunak se tenha abstido de comentar as especulações, um porta-voz do governo afirmou o compromisso inabalável com os objetivos de emissões líquidas zero. O porta-voz enfatizou que a abordagem do governo daria prioridade ao pragmatismo para garantir que os custos não sobrecarregassem as famílias trabalhadoras do Reino Unido, permanecendo ao mesmo tempo resoluto em alcançar emissões líquidas zero.

Os próximos anos prometem ser interessantes; a sanha em legislar o fim de todos os problemas usando apenas uma caneta, encontrando-se com a dura face da realidade. Vamos observar atentos o desenrolar disso. (MAO)

 

Ettore Bugatti ainda vive em espírito, em Molsheim

O dia 15 de setembro é o dia de aniversário de Ettore Bugatti; um cara com um ego muito maior que a quantidade de letras “T” no seu nome, suficientemente grande para impulsionar uma vida de criações mecânicas incríveis e um culto à sua personalidade que aparentemente perdurará para sempre. Um exemplo: mesmo hoje, 142 anos depois de seu nascimento, a data de seu aniversário é comemorada com um festival enorme e incrível no terreno de sua fábrica em Molsheim, na Alsácia francesa.

A tradição desta festa vem de antes da VW reviver a marca, então não é mera criação corporativa, falsa como uma nota de 3 reais (sim, os mais jovens vão ter que perguntar ao Google o que é uma nota): é uma tradição já, com 40 anos de idade.

O fim de semana mais próximo do seu aniversário de Ettore tornou-se um festival e uma celebração da sua vida em Molsheim e arredores, e 70 veículos com o seu nome estiveram presentes para participar no “Festival Bugatti” deste ano.

Ettore Bugatti montou sua fábrica original na modesta cidade francesa em 1908, em um local que era antes parte da indústria têxtil local; lá criou uma utopia do automóvel como nunca mais se viu, apenas emulada hoje por seus atuais donos. A Bugatti original desapareceu no início da década de 1960, foi revivida na década de 1980 por Romano Artioli na Itália, e depois foi revivida em Molsheim no site original pela Volkswagen de Ferdinand “Evil Doktor” Piëch no final da década de 1990. Hoje é a “Bugatti-Rimac”. Como pode-se notar por essas pessoas envolvidas, ego-driven desde sempre.

Bugatti: a tragédia do filho perfeito

A festa, porém, é sensacional por lembrar do criador de tudo, Ettore, e toda a inacreditável mítica de sua história, que daria um filme muito melhor que a de qualquer Enzo Ferrari. A julgar pelas fotos, um festival sensacional, que também reúne todo tipo de Bugatti, do primeiro e minúsculo tipo 10 de 1909, até o atual Bolide, e todo resto no meio. Os móveis do patriarca Carlo Bugatti, e as esculturas de animais em bronze de Rembrandt Bugatti, irmão de Ettore, mostram o resto da arte da família.

O festival de três dias reuniu os proprietários da Bugatti, claro, mas não foi apenas um evento para o fortunate few. Os veículos foram exibidos em Molsheim para o público desfrutar e, no último dia do festival, estradas selecionadas foram fechadas ao trânsito. Isso deu aos proprietários de Bugatti a oportunidade de mostrar o desempenho destas máquinas especiais, para o deleite do público, lá fora, no mundo real, e onde tudo começou. Eu não posso ir, pois minha educação misógina dos anos 1970 diz que homem não chora.

Até o discurso corporativo, normalmente enlatado e esterilizado para consumo “das audiências modernas” parece ser sido freado neste evento. Diz o press-release, com uma paixão incomum: “Cada carro, cada rugido do motor e cada detalhe feito à mão contam uma história de paixão, legado e uma busca incessante pela perfeição. Molsheim não é apenas um lugar; é onde a alma da Bugatti respira e floresce.” Amém. (MAO)

 

Toyota prepara uma anti-Ranger Raptor

Nem bem se anunciou o lançamento aqui no Brasil da Ford Ranger Raptor e a concorrência começa a se mexer. De acordo com notícias que vem da Austrália, a Toyota, ciente da distribuição mundial agora da Ranger Raptor, trabalha no desenvolvimento de uma variante ainda mais hardcore do modelo GR-Sport.

A Hilux GR-Sport atual é, aqui no Brasil, o mais próximo que tínhamos do espírito da Ranger Raptor; apenas falta um motor megapotente como o V6 biturbo de 400 cv da picape Ford. Em termos de suspensão, performance e velocidade em terreno acidentado, a Toyota já está preparada para enfrentar a Ford. Faltam só 400 cv.

Não que a Toyota seja fraca: o motor é um quatro em linha 2.8 turbodiesel com potência de 224 cv e torque máximo de 55 mkgf; muita gente diria até que mais que suficiente para diversão à que se destina. Mas quando um concorrente que faz 0-100 km/h perto dos 6 segundos cravados aparece, você parece lerdo ao redor dos 10 segundos. Inevitável.

Ainda não se sabe exatamente qual será a resposta da Toyota. Um V8 aspirado? Um V6 turbo também? Diesel? Gasolina? De qualquer forma, já estamos ansiosos. Mais detalhes deverão aparecer no ano que vem. A Hilux GR-Sport reformulada deve ser vendida em todo lugar onde hoje se tem um Ranger Raptor; uma batalha para lá de interessante, deve ser esta. (MAO)