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Peugeot 208 contra todos: como o novo hatch se sai comparado aos rivais?

A Peugeot, enfim, apresentou o novo 208 – uma geração completamente nova, com plataforma modular e design irretocável e a missão de renovar a imagem da marca no Brasil. Acontece que há um pequeno furo nesta estratégia: o antigo motor 1.6 16v EC5, que tem raízes na década de 1990. Ainda que tenha números razoáveis de potência e torque – 118 cv a 5.700 rpm e 15,5 kgfm a 4.750 rpm (abastecido com etanol) – e seja acoplado a um câmbio de seis marchas, o motor do 208 deixa a desejar em um segmento que já abraçou os motores turbo mais modernos, econômicos e eficientes. Alguns já têm até mesmo injeção direta.

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Com isto, o Peugeot 208 fica em uma posição complicada. O visual é dos melhores e o nível de equipamentos é interessante desde a versão de entrada, que já vem com rodas de liga leve, central multimídia com tela de sete polegadas e volante multifuncional. Isto, por si só, deve ajudar a conquistar compradores.

Mas quem procura um hatchback mais econômico, com mais fôlego em retomadas e com melhor custo-benefício pode ficar tentado a procurar alternativas. Existem hatchbacks extremamente competitivos no mercado atualmente, e aqueles que não forem conquistados pelo 208 e seu motor 1.6 16v podem escolher entre uma série de opções. Por conta disto, chegou a hora de comparar o 208 com o restante do segmento – cada uma de suas versões – e, quem sabe, te ajudar a escolher.

 

O que oferecem e quanto custam as versões do 208?

Fora a versão elétrica, que ainda nem teve preço divulgado – o 208 e-GT, que será o esportivo da linha – existem quatro versões do Peugeot 208. Todas elas têm o mesmo motor 1.6 16v, sempre acoplado a um câmbio automático de seis marchas.

A versão de entrada é a Active, de R$ 74.990. Por esta grana, ele já vem com rodas de liga leve de 16 polegadas, DRLs de LED, quatro airbags, ar-condicionado digital manual, vidros e travas elétricos, central multimídia com tela de sete polegadas e conexão Android Auto e Apple CarPlay, duas tomadas USB dianteiras e controles do sistema de som no volante. Também inclui controles de tração e estabilidade, retrovisores com rebatimento elétrico, cruise control, computador de bordo, direção elétrica e volante com regulagem de altura e profundidade.

No degrau seguinte está o 208 Active Pack, que custa R$ 82.490 – ou seja, R$ 7.500 a mais. Ele vem com os mesmos itens de série da Active, mas o elevado acréscimo no preço traz teto solar panorâmico, ar-condicionado automático e câmera de ré.

O Peugeot 208 Allure é o modelo acima. Por R$ 89.490 (exatos R$ 7.000 a mais), ele vem com os mesmos itens da Active Pack, mais bancos com revestimento em Alcantara, carregador de celular por indução, volante revestido em couro, rodas com acabamento diamantado, painel “soft touch” e sistema keyless para acesso e partida.

No topo da linha fica o Peugeot 208 Griffe, que custa R$ 94.990. Ele tem os mesmos itens da Allure, mais sensor de chuva, sensor crepuscular, faróis full-LED, retrovisores e spoiler traseiro com acabamento em preto brilhante, câmera de 180°, alerta de saída de faixa, alerta de colisão, frenagem automática de emergência, detector de fadiga, reconhecimento de placas de velocidade e sensor de estacionamento.

 

Como cada versão se compara aos rivais?

208 Active – R$ 74.990
Melhor concorrente: Chevrolet Onix LTZ Turbo – R$ 67.390

O líder do mercado brasileiro é, indiscutivelmente, a melhor opção aqui. Em sua versão LTZ Turbo AT, o Chevrolet Onix, tem motor 1.0 turbo de 116 cv, câmbio automático de seis marchas e uma lista de equipamentos praticamente igual à do 208 Active – o Onix tem airbags de cortina que o 208 não tem, chave presencial, câmera traseira, carregador por indução (presente apenas no 208 Allure, que esbarra nos R$ 90.000) e wi-fi nativo na central multimídia MyLink. O porta-malas não está entre os maiores da categoria, com 275 litros, mas ainda é 10 l maior que o do 208.

Vale observar que, até poucos dias atrás, o LTZ turbo custava R$ 73.090 – o que já representava uma diferença de R$ 1.900. Agora, o Onix LTZ Turbo AT é R$ 7.600 mais barato que o Peugeot 208 Active. Uma manobra agressiva por parte da Chevrolet, e algo totalmente compreensível neste momento peculiar do mercado.

Agora, se você não faz questão do motor turbo e ainda assim gostaria de pagar menos que os R$ 75.000 que a Peugeot pede pelo 208 de entrada, o Polo 1.6 MSI pode ser uma alternativa interessante. Por R$ 69.100 ele também tem motor de 16v aspirado, com 117 cv (etanol), e porta-malas de 300 litros, consideravelmente mais generoso que no Peugeot.

A central multimídia Composition Touch de 6” é menor que a do Peugeot e o ar-condicionado não é digital, mas fora isto os recursos são os mesmos, e o Polo ainda custa quase R$ 6.000 a menos.

O Renault Sandero GT-Line, versão com visual esportivo do espaçoso hatch franco-romeno-brasileiro, custa trocados a mais que o Peugeot 208 Active – R$ 75.590 – e oferece exatamente os mesmos itens de série, acrescentando ainda câmera de ré e luzes diurnas (DRL) em LED. O motor é um 1.6 16v com os mesmos 118 cv do 208, porém o câmbio é um CVT com simulação de seis marchas.

O porta-malas é o maior entre todos os concorrentes, com 320 litros, mas a plataforma é a mesma desde 2004, quando foi lançado o Logan. O novo Dacia Sandero, que usa uma versão de baixo custo da plataforma modular do Renault Clio, já foi apresentado na Europa e está previsto para estrear no Brasil em 2022.

Na verdade, até mesmo o Sandero RS pode ser, no momento, uma alternativa bacana ao 208 Active – uma proposta mais entusiasta, para um público mais específico, claro. Com motor 2.0 16v e câmbio manual de seis marchas, ele custa R$ 76.990 e ainda têm câmera de ré, bancos esportivos e rodas de 17 polegadas.

Ainda deve-se considerar o Hyundai HB20 Diamond, que custa R$ 73.590. Ele tem motor 1.0 turbo de 120 cv e os mesmos equipamentos do 208 Allure, mais câmera de ré, DRLs de LED e chave presencial – e aletas atrás do volante para troca de marcha, artigo que falta aos rivais. O porta-malas de 300 litros também é uma vantagem.

 

Active Pack – R$ 82.490
Melhor concorrente: Chevrolet Onix Premier Turbo – R$ 77.090/Hyundai HB20 Diamond Plus – R$ 77.990

O salto entre as versões Active e Active Pack é grande – R$ 7.600 a mais por ar-condicionado digital, câmera de ré e teto solar panorâmico. Apesar da diferença de preço, este pode ser um forte argumento de vendas para quem não liga para o motor turbo e faz questão do teto solar (algo que, como veremos mais adiante, só está disponível na faixa dos R$ 90.000, com o Yaris XLS Connect).

Para quem não faz questão do teto solar, porém, o leque de opções se abre.

O melhor exemplo disto é o Chevrolet Onix Premier Turbo. A versão de topo do novo Onix parte custa R$ 77.090, tem o mesmo conjunto do LTZ Turbo, e ainda inclui assistente de estacionamento, alerta de ponco cego e bancos de couro.

É praticamente um empate técnico com o Hyundai HB20 Diamond Plus, versão de topo do compacto. Por R$ 77.990 (apenas R$ 900 a mais que o Onix Premier) ele traz o mesmo motor 1.0 turbo e todos os equipamentos da versão Diamond, mais assistentes de condução raros no segmento – frenagem autônoma de emergência e alerta de mudança de faixa. Ele também acrescenta monitoramento de pressão dos pneus.

Existe, ainda, o Polo Comfortline, que troca o motor 1.6 16v pelo 1.0 TSI de 128 cv e custa R$ 77.790. Em relação aos demais, ele fica devendo assistências ao motorista e função one-touch nos vidros traseiros.

 

208 Allure – R$ 89.490
Melhor concorrente: Volkswagen Polo Highline – R$ 90.690/ Toyota Yaris XLS – R$ 89.990

A Peugeot deixou claro que aposta no sedutor teto panorâmico para atrair clientes que não façam tanta questão de um motor turbo caso o carro tenha teto solar. Nesse caso, o único rival do 208 é seu exato oposto: o Toyota Yaris, um hatchback com plataforma antiga (ainda é baseado no Etios), com visual um tanto conservador e simplista, mas com uma abertura no teto para deixar entrar luz e vento na cabine.

Ele custa apenas R$ 500 a mais que o 208 Allure, e também é equipado com um motor aspirado com injeção no coletor, no caso o 2NR-FBE de 1,5 litro, porém tem apenas 110 cv.

Pior: ele não faz esforço para compensar este ponto fraco, porque sua lista de equipamentos é comedida (para não dizer outra coisa), limitando-se ao que se espera de um carro desta faixa de preço: sensor crepuscular, sensor de chuva, DRL de LED e sete airbags — ele tem um airbag para os joelhos do motorista, que os demais não têm.

O Toyota fica devendo o painel digital (apenas o computador de bordo tem tela colorida) e a regulagem de profundidade do volante, que só permite ajustar a altura.

Se você não faz questão do teto solar, a opção aqui é o Polo Highline.

Custando R$ 90.690 (R$ 1.200 a mais), além do motor 1.0 turbo de 128 cv, o Polo oferece também rodas de 17 polegadas, painel digital, detector de fadiga (só presente no Peugeot 208 Griffe, que é quase R$ 5.000 mais caro), sensores de chuva e crepuscular e reconhecimento de comandos de voz.

Falta-lhe o teto solar, que não é oferecido nem como opcional, e a função one-touch nos vidros traseiros. Em compensação, ele tem aletas atrás do volante, quadro de instrumentos digital e central multimídia Discover Media com tela de oito polegadas.

 

208 Griffe – R$ 94.990
Alternativa: Volkswagen Nivus Highline – R$ 98.290

Com o Volkswagen Polo GTS passando dos R$ 100.000, não restam muitos concorrentes para o Peugeot 208 Griffe em seu próprio segmento. Isto não seria um problema tão grande caso o 208 Griffe tivesse um motor turbo pelo preço de R$ 94.990 – mas, com o 1.6 16v, fica como justificativa a ampla oferta de equipamentos, que não é igualada por nenhum outro hatchback no momento.

Por isso, vamos deixar uma sugestão aqui: com R$ 98.290, se compra um Nivus Highline, versão topo de linha do crossover-fastback da Volks. Não se trata de um concorrente direto mas ele é o mais próximo que conseguimos chegar de um hatchback nesta faixa de preço — especialmente porque ele mantém o assoalho baixo e a ergonomia de hatchback do Polo (até mesmo suas portas são compartilhadas).

Ele vem com ar-condicionado digital, faróis de neblina com LED, sistema de chave presencial, cruise control adaptativo, frenagem automática de emergência, sistema multimídia com tela de 10 polegadas, bancos de couro, quadro de instrumentos digital, rodas de 17 polegadas, sensor crepuscular, sensor de chuva, sensores de estacionamento na dianteira e aletas de trocas de marcha no volante.

É claro que nem todo SUV ou crossover com preço equivalente tem potencial para roubar clientes do Peugeot 208. O Nivus, porém, tem a peculiaridade de apostar forte no design, assim como o Peugeot 208 – e ocorre que ele também tem conteúdo para justificar o gasto de R$ 3.300 a mais.

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