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História

356 “Gmünd”: os primeiros Porsche produzidos em série não eram alemães

Em 1948, as primeiras unidades do Porsche 356 saíram da fábrica em uma série de 50 unidades. Mas, diferentemente de todos os outros Porsche que vieram depois, estes carros eram austríacos, e não alemães.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o risco de bombardeamento da cidade de Stuttgart fez com que Ferdinand Porsche transferisse seu departamento de design para a Áustria. Enquanto isso, seu filho Ferry Porsche permaneceu na Alemanha com a equipe de engenharia.

Com o fim do conflito, em 1945, Ferdinand foi chamado à França para dar continuidade aos trabalhos no Volkswagen, como parte das  reparações de guerra. Contudo, em poucos meses ele acabou divergindo do governo, que, pressionado pelos fabricantes locais, acabou o prendendo como criminoso de guerra em dezembro daquele ano. Ferdinand ficou preso em Dijon por 20 meses sem direito a julgamento. Quando finalmente foi solto, ele tentou voltar à Alemanha, mas foi impedido pelas forças de ocupação. Assim, decidiu levar o restante de sua empresa para a Áustria, junto com sua família.

Já em 1947, Ferdinand queria que o primeiro modelo produzido em série por sua marca fosse um esportivo. Por esta razão o Fusca, projetado por ele, chamado simplesmente de Volkswagen, não foi vendido sob a marca Porsche.

A honra foi reservada para o carro projetado pela equipe de engenharia liderada por seu filho, Ferdinand “Ferry” Porsche. Ferry tinha um Volkswagen Cabriolet com motor sobrealimentado por compressor mecânico, e por isso queria que o carro fosse um esportivo leve, cujo baixo peso e aerodinâmica permitissem bom desempenho. Ele achava que era mais sensato ter um carro leve com potência suficiente do que um carro grande com potência exagerada. Assim, o primeiro protótipo foi um conversível com motor central-traseiro, do qual foram feitas quatro unidades.

356-prototipo

A mecânica era emprestada do Volkswagen — o mesmo motor boxer de quatro cilindros de 1,1 litro, porém preparado para desenvolver 40 cv, e o mesmo câmbio não sincronizado. O chassi, contudo, era novo, e sua dirigibilidade rendeu elogio da imprensa especializada na época. Motivado Ferry então resolveu colocá-lo em produção, porém como um cupê de motor traseiro para aumentar o espaço interno.

Foi assim que começou a ser fabricado a primeira série de esportivos da Porsche. Não se sabe ao certo quantas unidades foram produzidas — algo entre 48 e 52, sendo que “por volta de 50” é a resposta mais aceita —, o que torna esta primeira leva do 356, que ficou conhecida como Porsche 356 “Gmünd”, ainda mais especial. Recentemente a Porsche divulgou um vídeo sobre um dos últimos a deixar a linha de montagem: o 356 nº 50.

O vídeo mostra as pequenas diferenças em relação aos modelos fabricados na Alemanha: a carroceria era de alumínio, os para-choques mais discretos, quase embutidos, o para-brisa mais baixo e dividido ao meio, e os charmosos indicadores de direção, parecidos com as “bananinhas” dos primeiros Fusca do Brasil, porém posicionadas nos para-lamas dianteiros.

356-1

O pequeno motor de 40 cv não é exatamente rápido — a velocidade máxima não passava muito dos 130 km/h e o 0 a 100 km/h levava mais de 20 segundos —, mas é curioso ver como o 356 é, realmente, um elo perdido entre o Fusca e o 911. Basta ver seu perfil, que era arredondado e alegre como o do Fusca, porém já trazia a traseira mais alongada e as proporções gerais mais baixas que fariam do 911 uma lenda entre os esportivos nas próximas cinco décadas.