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Car Culture

70 anos de Ferrari: as 7 Ferrari mais caras da história

Nesta semana, a Ferrari completa 70 anos. Quer dizer: a companhia foi fundada por Enzo Ferrari em 1939, há 78 anos, como Auto Avio Construzione, mas só em 12 de março de 1947 o primeiro carro a usar o sobrenome de Enzo ficou pronto: a Ferrari 125S.

É natural, portanto, que a Ferrari use a data como seu marco zero oficial – o que significa que o 7º aniversário da marca foi ontem. Para comemorar, o pessoal de Maranello fez uma encenação do momento em que a Ferrari 125S ganha as ruas pela primeira vez.

A 125 S era um esportivo de rua com construção de carro de corrida e, apesar da identidade visual ainda imatura, já trazia elementos que seriam vistos na maioria das Ferrari de rua que vieram depois: chassi tubular, suspensão com braços triangulares sobrepostos na dianteira e um motor V12 longitudinal – de apenas 1,5 litro, capaz de entregar 118 cv a 6.800 rpm e usado também na Ferrari 125 de Fórmula 1.

Fizeram apenas dois exemplares da 125 S e, por isso, era de se esperar que ela fosse a Ferrari mais cara do planeta, concorda? Mas não é o caso: a 125S tem valor praticamente inestimável e o paradeiro exato de um dos exemplares ainda é objeto de especulação. Resumindo: ela não está no mercado, e é praticamente impossível que ela mude de propriedade.

Um clássico de como este tem seu preço definido por uma série de fatores: quantidade produzida, demanda, design, nostalgia (quando um carro se torna mais procurado porque a cultura da década na qual ele foi produzido se torna tendência) e, acima de tudo, raridade. Quando um carro raríssimo aparece à venda, o colecionador bilionário mais interessado costuma jogar alto por segurança. Se o carro for bastante disputado, o valor sobe com muita facilidade.

Dito isto, as Ferrari clássicas estão entre os automóveis mais valiosos do planeta. Tanto que, dos dez carros mais caros já vendidos em leilão, nada menos que sete são Ferrari (os outros três são um Mercedes-Benz W196, um Jaguar D-Type e um Alfa Romeo 8C 2900). E a gente vai falar quais são eles agora, na primeira parte de uma minissérie especial sobre a Ferrari. Todos os carros estão com os valores corrigidos, em dólares e reais.

 

Ferrari 275 GTB/C Speciale Scaglietti 1965

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Vendida por: US$ 26,7 milhões (R$ 84,2 milhões)

A Ferrari 275 GTB/C foi uma evolução da 250 GTO feita sob encomenda da Scuderia para combater o Ford GT40 em Le Mans ao lado da 250 LM de motor central-traseiro. Apenas três exemplares foram feitos, todos com carroceria de alumínio ainda mais leve do que na GTO, estrutura igualmente aliviada usando tubos menores e mais finos, e um V12 de 3,3 litros com cárter, seco seis carburadores Weber de corpo duplo e 320 cv.

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Só havia um problema: a Ferrari não conseguiu homologar o carro jundo da FIA porque, antes disso, já havia tentado homologar a Ferrari 250 GTO antes de produzir a quantidade mínima de exemplares necessária, o que irritou a organização. Além disso, a 275 GTB/C pesava menos que o mínimo permitido.

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O carro em questão, de chassi nº 6701, foi o primeiro carro a ficar pronto, em abril de 1965. Como não conseguiu homologá-lo, a Ferrari o vendeu no mês seguinte para um cara chamado Pietro Ferraro, que o utilizou como carro de rua por quatro anos. Depois disso, a Ferrari passou por vários donos, sendo que um deles ficou com o carro por 25 anos. Ao longo do tempo, a 275 GTB/C teve diversas características alteradas, incluindo uma repintura em vermelho, antes de uma restauração que a devolveu o aspecto original realizada em 1998. O carro foi preservado com muito cuidado a partir daí, e foi vendido pela RM Sotheby’s em agosto de 2014.

 

Ferrari 275 GTB/4 NART 1967

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Vendida por: US$ 28,3 milhões (R$ 89,3 milhões)

Versão exclusiva para os EUA, a 275 GTB/4 NART só podia ser encontrada na única concessionária americana da Ferrari, que pertencia a Luigi Chinetti, entre 1966 e 1968. Chinetti encomendou os carros diretamente com Enzo Ferrari e com a Scaglietti, e eles eram feitos com base na 275 GTB/4 cupê, o que significa que o motor era um V12 de 3,3 litros e 300 cv. “NART” significa North American Racing Team, a equipe de corrida de Chinetti.

Dez exemplares foram feitos. O carro em questão, de chassi 10709, foi comprado pelo americano Eddie Smith em 1968 e ficou na família desde então, passando para seu filho, Eddie Smith Jr., e seu neto, Chris Smith. A 275 GTB/4 foi totalmente restaurada depois que Eddie Smith Sr. morreu, em 2007, e foi vendida pela RM Sotheby’s em agosto de 2013.

 

Ferrari 290 MM 1956

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Vendida por: US$ 28,35 milhões (R$ 89,45 milhões)

A Ferrari 290 MM tem este nome porque foi criada em 1956 para competir na Mille Miglia. Ela foi feita sob medida para Juan Manuel Fangio, principal piloto da Ferrari na Fórmula 1 na época, e o exemplar que foi vendido pela RM Sothebys em dezembro de 2015 é exatamente o mesmo que o piloto argentino conduziu na corrida italiana. Só isto já seria o suficiente para justificar seu valor.

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No entanto, tem mais: a 290 MM também é raríssima, com apenas quatro exemplares fabricados. Ela usa um V12 de 3,5 litros derivado do motor de 4,5 que a Ferrari usava na Fórmula 1 da década de 1960, alimentado por três carburadores Weber de corpo duplo e capaz de entregar 320 cv. Fangio conduziu o protótipo sem navegador, e chegou na quarta posição. Depois disso a Ferrari foi vendida a Luigi Chinetti, que competiu com ela nos EUA com pintura azul e branca até o ano seguinte, quando a vendeu novamente.

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A Ferrari passou por mais alguns donos antes de ser restaurada no início dos anos 2000. Seu último dono ficou com ela por doze anos antes de colocá-la à venda pela RM Sotheby’s, que a arrematou em dezembro de 2015.

 

Ferrari 250 GTO 1962

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Vendida por: US$ 35 milhões (R$ 109,2 milhões)

A Ferrari 250 GTO dispensa apresentações, mas a gente não pode deixar de comentar seu valor histórico. Apesar de não ser a mais rara de todas as Ferrari desta lista, ela é certamente uma das mais valiosas. Cada um de seus 36 exemplares fabricados entre 1962 e 1963 (ou 39, se contarmos as três unidades da Series II feitas em 1964) é considerado uma preciosidade de valor quase inestimável, e sempre que uma delas é anunciada para venda, é um acontecimento.

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Este exemplar pertenceu a Sir Stirling Moss. Mais do que isto: ele foi fabricado e pintado na cor verde especialmente para o piloto, que não pode disputar corridas com ele por conta de um acidente sofrido naquele ano. Apesar disto o carro correu nas mãos de outros pilotos, incluindo na conta uma participação nas 24 Horas de Le Mans de 1962, com o britânico Innes Ireland e o americano Masten Gregory revezando ao volante. Infelizmente, porém, o carro sucumbiu a uma falha elétrica na 15ª hora de prova.

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Relatos da época dizem que o carro foi vendido a portas fechadas por US$ 35 milhões (o equivalente a R$ 109,2 milhões em valores atualizados), tornando-se o carro mais caro do planeta na época.

Ferrari 335S Scaglietti Spider 1957

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Vendida por: US$ 35,7 milhões (R$ 112,5 milhões)

A vida da Ferrari 290 MM não durou muito, visto que o carro estava sendo facilmente superado pelos Maserati e, por isso, a Scuderia decidiu fazer um carro com motor ainda maior. O V12 de quatro litros tinha nada menos que 390 cv a 7.400 rpm, e era capaz de levar o carro até os 300 km/h.

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Quatro carros foram fabricados no total, mas apenas o exemplar leiloado pela Artcurial em fevereiro de 2016 sobreviveu – os outros foram destruídos pela Ferrari depois que foram considerados obsoletos. A 335S foi conduzida por diversos pilotos britânicos em seu tempo, como Peter Collins e Phil Hill – que venceu o Grande Prêmio da Venezuela, etapa do Mundial de Protótipos Esporte de 1957.

Ferrari 250 GTO 1962

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Vendida por: US$ 38,6 milhões (R$ 121,7 milhões)

Este carro, leiloado pela Bonhams em agosto de 2014 é o automóvel mais caro já arrematado. De chassi 3851GT, esta 250 GTO passou 49 anos na mesma família, desde que foi adquirida pelo jovem entusiasta Fabrizio Violati, que foi o quarto dono do carro.

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Ela foi a 17ª 250 GTO fabricada e, entre 1962 e 1964, participou de diversos eventos. Seu primeiro dono foi o francês Jo Schelesser, que participou da Tour de France de 1962 e chegou em segundo lugar. O italiano Paolo Colombo foi seu dono seguinte, comprando o carro em 1963, e o vendeu a Ernesto Prinoth, que competiu com a 250 GTO em subidas de montanha e circuitos fechados antes de vendê-la a Fabrizio. Ele competiu com o carro de 1979 a 1986 – no restante destes 49 anos, a 250 GTO foi guardada com muito zelo até 2010, ano de sua morte. Em 2014, a Bonhams vendeu o carro, completamente restaurado, em um leilão no Reino Unido.

 

Ferrari 250 GTO 1963

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Vendida por: US$ 52 milhões (R$ 164 milhões)

O carro mais caro já vendido no mundo também é uma Ferrari 250 GTO. Ela foi vendida de forma particular em 2013. Até hoje não há muitos detalhes a respeito da negociação, mas se sabe que o carro, de chassi 5111, foi a vencedora do Tour de France no ano em que foi fabricada, com o piloto francês Jean Guichet ao volante. O carro era dele mesmo.

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Guichet vendeu o carro em 1965 para Henry N. Manney III, que era correspondente da revista Road & Track na Europa e ficou com a GTO até 1971. Depois de trocar de mãos algumas vezes, a GTO foi parar nas mãos do americano Paul Pappalardo, que morava nos EUA e usou a Ferrari em diversos eventos de corrida históricos entre 1984 e 2006. Naquele ano, ele vendeu o carro a um colecionador, que foi seu último dono conhecido antes da venda em 2013.

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