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Automobilismo História

A história da Renault na Fórmula 1 – Parte 2: Lotus, Nigel Mansell, Ayrton Senna e mais vitórias


Depois que a Ferrari mostrou a força dos motores turbo com seu título mundial (leia a primeira parte da história aqui), praticamente todas as equipes da Fórmula 1 trocaram seus motores aspirados por novos turbinados. Como a Renault vinha desenvolvendo seu Renault Gordini EF1 desde 1977, nada mais natural que ela também se tornasse fornecedora de motores para outras equipes. Assim, em 1983, a Lotus tornou-se a primeira cliente dos franceses, e o 93T de Elio de Angelis foi o primeiro carro da equipe com os motores Renault. 

Foi nessa fase, como fornecedora de motores, que a Renault conquistou mais vitórias na Fórmula 1 e alcançou a Ford-Cosworth e a Ferrari, colocando-se como a terceira fabricante de motores a mais vencer Grandes Prêmios em toda a história da F1.

 

Adicione leveza… e um motor biturbo

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O Lotus 93T foi praticamente um protótipo de desenvolvimento do motor turbo, que era preparado pela Mecachrome, uma empresa de engenharia que cuidava dos motores da Renault para equipes-clientes. Na primeira metade do campeonato somente Elio de Angelis pilotou o carro, enquanto seu colega Nigel Mansell ficou com o antigo Lotus 92, que usava o bom e velho Cosworth DFV. Os resultados não foram os melhores: De Angelis abandonou seis das sete corridas que disputou com o 93T. A partir da nona etapa do mundial, a Lotus passou a usar o 94T. Na primeira corrida com o novo carro, o GP da Inglaterra, Mansell chegou em quarto e De Angelis abandonou com problemas no turbo. 

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O italiano teria problemas com o motor em quatro das seis corridas seguintes — as últimas do campeonato —, apesar de ter conseguido a pole position no GP da Europa em Brands Hatch. Mansell teve mais sorte: abandonou somente duas corridas, pontuou em outras três (uma delas um terceiro lugar no GP da Europa) e também chegou em oitavo no GP da Itália.

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Em 1984 a parceria com a Lotus continuou, e a Renault Sport ganhou mais um cliente: a Ligier, que já estreou com o novo motor Renault Gordini EF4. O JS23 foi o carro usado pela equipe em 1984, pilotado por François Hesnault e Andrea de Cesaris. A temporada não foi muito bem sucedida, foram apenas três pontos — todos conquistados por De Cesaris — mas foi um grande avanço em relação ao ano anterior, quando a equipe não marcou nenhum ponto.

lotus

Na Lotus a dupla de pilotos continou a mesma, mas os resultados foram significativamente melhores. Elio de Angelis estreou o novo carro, o 95T, com pole position e um terceiro lugar no GP do Brasil. Ele também faturou o terceiro lugar em San Marino e em Dallas, e pontuou na Bélgica, França, Mônaco, Canadá, Inglaterra, Holanda e Portugal. Das outras cinco corridas que completam a temporada, De Angelis abandonou quatro e terminou o GP da África do Sul em sétimo. A regularidade lhe rendeu o terceiro lugar no mundial de pilotos.

No outro carro, Mansell teve um início de temporada mais azarado: só foi terminar uma corrida na quinta etapa do mundial, o GP da França, onde chegou em terceiro lugar. O britânico ainda pontuou em todas as corridas que terminou — Canadá, Dallas (onde desmaiou empurrando o carro até a linha de chegada), Alemanha e Holanda. Nas demais, Mansell abandonou. Apesar de terminar o campeonato de pilotos em um modesto 10º lugar, os pontos de Mansell ajudaram a Lotus-Renault a ficar na terceira posição no campeonato de construtores — seu melhor resultado desde o título de construtores de 1978. A equipe, contudo, ainda teria dias melhores…

 

Ayrton entra em cena

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Os dias melhores começariam a chegar em 1985. Ayrton Senna entrou na vaga deixada por Nigel Mansell e se tornou o companheiro de Elio de Angelis. Para a nova temporada a Lotus desenvolveu um novo carro, o 97T. Com ele, Ayrton Senna conquistou suas duas primeiras vitórias na Fórmula 1, e Elio de Angelis sua segunda (e, infelizmente, última).

Na estreia do novo carro, no GP do Brasil, Senna abandonou com uma pane elétrica, mas Elio de Angelis chegou em terceiro. Na prova seguinte, em Portugal, sob uma chuva torrencial, Senna cravou a pole position e deu um show na água para conquistar sua primeira vitória com uma vantagem de mais  de um minuto. De Angelis ficou uma volta para trás e chegou em quarto.

Na corrida seguinte, em San Marino, foi a vez do italiano subir ao topo do pódio. A pole position novamente ficou com Senna, mas o brasileiro ficou sem gasolina na volta 57 — assim como outros quatro pilotos. De Angelis foi um dos cinco que terminaram a prova, chegando atrás de Alain Prost com uma volta de vantagem para o terceiro colocado. Contudo, Prost estava com o carro dois quilos mais leve que o permitido pelo regulamento e, por isso, acabou desclassificado. De Angelis também fora desclassificado, mas os fiscais de prova voltaram atrás na decisão e deram ao italiano a vitória.

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No restante da temporada Ayrton Senna conquistaria outras cinco poles, uma vitória na Bélgica, e quatro pódios — dois segundos lugares na Áustria e na Europa, e dois terceiros lugares na Holanda e na Itália. De Angelis foi regular, com seis quintos lugares, um terceiro e um sexto. Apesar das vitórias e da regularidade de pontuação de Senna e De Angelis, a Lotus terminaria o campeonato em quarto lugar. Senna também ficou em quarto entre os pilotos, e De Angelis em quinto.

LafitteJS25

A Ligier também teve seus bons resultados em 1985. Com o JS25 embalado pelo motor EF4B, Jacques Lafitte (acima) pontuou no Brasil e em Mônaco com dois sextos lugares, e foi três vezes ao pódio — duas no terceiro degrau (Alemanha e Inglaterra) e uma no segundo lugar, na Austrália. Andrea de Cesaris também pontuou com um quarto lugar em Mônaco, mas depois de cinco acidentes diferentes (Andrea de Crasheris) acabou demitido por Guy Ligier e substituído por Philippe Streiff, que conseguiu um terceiro lugar na Austrália, ao lado de Lafitte.

Em 1985 a Renault também passou a fornecer motores para a Tyrrell, que finalmente trocava o Cosworth V8 por algo mais moderno e eficiente. O Tyrrell 014 foi pilotado por Martin Brundle, Stefan Bellof, Ivan Capelli e Philippe Streiff, mas somente Capelli conseguiu um bom resultado com o carro, chegando em quarto lugar no GP da Áustrália.

 

Os melhores resultados e o fim do programa

Para o ano seguinte, a Renault Sport desenvolveu um novo motor, o EF15B, que trazia inovações como ignição estática e retorno pneumático de válvulas. A equipe de fábrica deixou a Fórmula 1, mas a fabricante continuou seu programa de fornecimento de motores para a Lotus, Ligier e Tyrrell.

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Com o novo motor e um novo carro, o 98T (veja os detalhes neste post), a Lotus voltou ao terceiro lugar no mundial de construtores. Elio de Angelis foi para a Brabham e Ayrton Senna optou por Johnny Dumfries para ser seu parceiro de equipe, vetando Derek Warwick. Dumfries conseguiu seus pontos com um quinto lugar na Hungria e um sexto na Austrália.

Senna novamente ficou em quarto lugar no mundial de pilotos, atrás de Prost, Mansell e Piquet, mas fez uma temporada muito mais regular e brilhante que a anterior. Na primeira etapa do mundial, no Brasil, Ayrton chegou em segundo, resultado que repetiu na Bélgica, Alemanha e Hungria. Na Espanha, a segunda corrida, Senna conquistou sua primeira de duas vitórias em 1986 (a outra seria em Detroit). Em Mônaco e no México, Senna chegou em terceiro, em Portugal conseguiu um quarto lugar e, no Canadá, um quinto. Senna também quebrou um recorde pessoal: oito poles positions em uma temporada.

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Na Tyrrell a temporada foi um pouco melhor que a anterior. Com o 014, Martin Brundle pontuou no Brasil com um quinto lugar. Em Mônaco, a quinta etapa, a equipe estreou o novo carro, o 015. Com ele, Brundle e Streiff pontuaram na Inglaterra, com um quinto e um sexto lugar, respectivamente, e na Austrália com um quarto e um quinto. Brundle ainda faturou outro ponto com um sexto no GP da Hungria. A equipe terminou o mundial em 11º lugar.

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Foto: Anthony Fosh

A Ligier foi ainda melhor. Com os experientes Jacques Lafitte e René Arnoux ao volante do JS27, a equipe terminou o mundial em quinto lugar. Arnoux terminou em quarto no Brasil, na Inglaterra e na Alemanha, em quinto em Mônaco e na França e em sexto no Canadá, somando 14 dos 29 pontos da equipe. Lafitte conquistou dois pódios, um terceiro no Brasil e um segundo em Detroit, e pontuou com um quinto lugar na Bélgica e dois sextos em Mônaco e na França. Em Brands Hatch, no GP da Inglaterra, Lafitte sofreu um grave acidente que encerrou sua carreira e foi substituído por Philippe Alliot, que ainda conquistou um ponto no GP do México.

Apesar dos bons resultados das equipes em 1986, a Renault decidiu encerrar seu programa de fornecimento de motores no fim da temporada. A ausência, contudo, seria curta: após o banimento dos motores turbo, a Renault voltaria à Fórmula 1 com motores aspirados e uma parceria matadora com a Williams. Esta é a história que conheceremos no próximo post desta mini-série. Fique ligado!

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