A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Car Culture

A picape Subaru que correu no Grupo B do WRC

Quando o assunto é Subaru e rali, o primeiro carro que vem à mente é o Impreza de primeira geração que, com as cores azul e amarelo dos cigarros 555 na carroceria e o lendário Colin McRae ao volante, ajudou a reescrever a história do WRC na década de 1990 – e efetivamente construiu o culto moderno aos Subaru com motor boxer.

Ainda não é assinante do FlatOut? Considere fazê-lo: além de nos ajudar a manter o site e o nosso canal funcionando, você terá acesso a uma série de matérias exclusivas para assinantes – como conteúdos técnicoshistórias de carros e pilotosavaliações e muito mais!

 

FLATOUTER

Plano de assinatura com todos os benefícios: acesso livre a todas as edições da revista digital do FlatOut e demais matérias do site, download de materiais exclusivos, participação em sorteios e no grupo secreto no Facebook (fique próximo de nossa equipe!), além de veiculação de até 7 carros no FlatOuters e até 3 anúncios no site GT40, bem como descontos em oficinas e lojas parceiras*!

R$20,00 / mês

*Benefícios sujeitos ao único e exclusivo critério do FlatOut, bem como a eventual disponibilidade do parceiro. Todo e qualquer benefício poderá ser alterado ou extinto, sem que seja necessário qualquer aviso prévio.

CLÁSSICO

Plano de assinatura na medida para quem quer acessar livremente todas as edições da revista digital do FlatOut e demais matérias do site1, além de veiculação de até 3 carros no FlatOuters e um anúncio no site GT402.

De R$14,90

por R$9,90 / mês

1Não há convite para participar do grupo secreto do FlatOut nem há descontos em oficinas ou lojas parceiras.
2A quantidade de carros veiculados poderá ser alterada a qualquer momento pelo FlatOut, ao seu único e exclusivo critério.

Você deve saber que, antes do Impreza, a Subaru corria no WRC com o Legacy de primeira geração, e o próprio McRae começou sua carreira na equipe nipo-britânica (a base da Subaru no WRC ficava no Reino Unido) ao volante do Legacy antes que a Subaru adotasse o Impreza para os ralis em 1993.

Tanto o Subaru Legacy quanto o Impreza de primeira geração foram homologados pelas regras do Grupo A, utilizadas pelo WRC entre 1997 e 2001 – a mesma da qual fizeram parte outros carros absolutamente emblemáticos como o Lancia Delta HF Integrale, o Lancer Evolution e o Ford Escort RS Cosworth. Depois, o Impreza passou a representar a Subaru no Mundial de Rali na categoria World Rally Car.

O que você talvez não saiba  lembre é que a Subaru estava no Mundial de Rali durante sua era mais idolatrada: a era do Grupo B. Claro, se a Subaru tivesse feito um protótipo de motor central-traseiro para brigar com o Peugeot 205 T16, o Ford RS200 e o Lancia Delta S4, certamente ele seria outra lenda do WRC. Mas não foi nada disso: nos anos 80, a Subaru competiu no Grupo B de rali com uma picape – a Subaru BRAT.

 

No período entre 1982 a 1986 o Grupo B era a atração principal do WRC. Sem a mesma insanidade, o Grupo A ficava em segundo plano – mas era onde a Subaru investia seus esforços com o Leone RX, antecessor do Legacy.  Mesmo assim a fabricante acabou entrando no Grupo B com um veículo inesperado: uma picape de cabine simples e construção monobloco.

A picape lançada em 1978 era um curioso caso de carro fabricado no Japão apenas para exportação. A Subaru BRAT – de Bi-drive Recreational All-terain Transport – foi encomendada pela divisão americana da Subaru para brigar com outras picapes compactas japonesas que estavam chegando aos EUA, como a Mazda B-Series (vendida pela Ford como Courier) e a Nissan Datsun Truck. O diferencial da Subaru BRAT era o sistema de tração integral, igual ao do Leone. Não apenas fazia da BRAT um veículo mais apropriado para carga e terrenos difíceis, como também tornava-a perfeita para o Grupo B.

Diferentemente do que se pode pensar, o Grupo B não permitia apenas protótipos – eles simplesmente eram feitos assim por conta do regulamento, que exigia apenas 200 exemplares fabricados e permitia carros de dois lugares com motor em qualquer posição. Já o Grupo A era mais restrito, exigindo que os carros tivessem ao menos quatro lugares e respeitassem limites mínimos de espaço interno dos quais o Grupo B estava livre. Considerando tudo isto, a Subaru BRAT não estava de acordo com as regras do Grupo A, mas encaixava-se perfeitamente no Grupo B. E ainda tinha bem mais que 200 exemplares fabricados – entre 1978 e 1987 foram vendidas quase 93.000 unidades nos Estados Unidos, e ainda havia os carros que foram comercializados na África do Sul, na Austrália e na Nova Zelândia.

Agora, é claro que ela não disputava diretamente com os monstruosos protótipos. O Grupo B tinha suas próprias subdivisões, que separavam os carros de acordo com o deslocamento do motor: B/9, para carros com motor de até 1.299 cm³; B/10, de 1.300 a 1.599 cm³; B/11, de 1.600 a 1.999 cm³; e B/12, de 2.000 cm³ para cima. Carros sobrealimentados tinham o deslocamento multiplicado por 1,4.

No caso da Subaru BRAT, estamos falando de um motor boxer quatro-cilindros naturalmente aspirado de 1.781 cm³, o que colocava a picape na categoria B/11. Ele disputava com outros membros underground do Grupo C, como o FSO Polonez, o Lada VFTS, o Daihatsu Charade, o Skoda 130LR e o Citroën Visa.

O motor EA-81, carburado, entregava 95 cv na versão de rua. Sabe-se muito pouco a respeito de sua versão de competição, mas o site Rally Group B Shrine estima que não passasse muito dos 100 cv com a adoção de carburação dupla. O motor era ligado a uma caixa manual de quatro marchas que levava a força para as quatro rodas através de um sistema de tração integral com dois diferenciais (ainda não havia sido adotado o diferencial central). A segunda marcha do câmbio era alongada para permitir um fôlego a mais em médias rotações e ganhar tempo nas curvas.

Ainda assim, a caminhonete não era exatamente potente – seus rivais chegavam a beliscar os 170 cv, como era o caso da picape Peugeot 504, que foi homologada em condições semelhantes.

A categoria B/11 não contava com muitas equipe de fábrica – Lada e Skoda eram raros exemplos. No caso da Subaru BRAT, quem se inscreveu foi o piloto independente Ron Shapley, com o apoio de uma concessionária neozelandesa da Subaru. Ele participou duas vezes do Rali da Nova Zelândia, em 1985 e 1986. Na primeira vez ele foi o 23º colocado e na segunda, terminou em 35º. Desempenho apenas mediano na classificação geral, mas respeitável considerando todo o contexto do Grupo B e seus monstros de mais de 600 cv. Ela aparece no vídeo abaixo por volta dos 45:00.

Foi uma carreira curta, porém – em 1986 a insanidade do Grupo B causou seu fim com a sequência de acidentes que culminou na morte de Henri Toivonen e seu navegador Sergio Cresto com o Lancia Delta S4.

 

Matérias relacionadas

Como foram escolhidos e montados os carros do primeiro “Velozes e Furiosos”?

Dalmo Hernandes

Maconha pode não contribuir com aumento no risco de acidentes, diz estudo

Dalmo Hernandes

Action Cams: estas são as melhores câmeras tipo GoPro Hero3 que você pode comprar

Juliano Barata