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As evoluções do Fusca que não tivemos no Brasil

Ninguém sabe ao certo porque o Fusca tem este nome no Brasil. Há quem diga que é uma corruptela de “Volks” — que pronuncia-se “Folks”, virou “Fucs” e depois, “Fusca”. A gente acha meio difícil de acreditar, mas uma coisa é certa: o Fusca só se chama Fusca aqui no Brasil.

Também foi só por aqui que o Fusca permaneceu praticamente igual do início ao fim de sua produção, que começou na década de 1950 e só terminou em 1996. Claro, foram realizadas algumas modificações estéticas e mecânicas, mas o projeto era essencialmente o mesmo. Em vários outros países em que foi fabricado, porém, o Besouro evoluiu consideravelmente e trouxe características que seriam bem interessantes.

Vamos aproveitar que hoje, 22 de junho, é o Dia Mundial do Fusca (o Dia Nacional do Fusca foi 20 de janeiro) e falar destes Fuscas diferentes espalhados pelo mundo.

 

Alemanha – 1302 e 1303

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O Fusca nasceu na Alemanha, oficialmente batizado oficialmente como Volkswagen Typ 1 e, informalmente, como Volkswagen Käfer (besouro, em alemão). E foi por lá que ele recebeu as alterações mais significativas em seu projeto.

Na Alemanha, a produção do Käfer começou em 1950 e em 1961 ocorreram as primeiras alterações na suspensão e no sistema de direção. Em 1965, todos os vidros ficaram maiores: o para-brisa cresceu 11%; os vidros das janelas 6% (incluindo os quebra-ventos); as janelas laterais aumentaram 17,5% e o vigia traseiro cresceu 19,5%. Com isto, a visibilidade de dentro do carro aumentou consideravelmente e o visual também ficou mais moderno e arejado.

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Dito isso, foi em 1971 que o Fusca europeu passou pela maior mudança. Naquele ano, começaram a ser vendidos dois modelos diferentes — o VW 1300, que era a versão comum (ou 1300 S, quando equipado com motor 1600) e o 1302.

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A maior diferença entre o 1300 e o 1302 era o capô, que era mais alto e comprido. Isto porque o objetivo da Volks era oferecer mais espaço para bagagem com o 1302. Para isto, além do capô mais alto, o carro tinha suspensão dianteira independente do tipo McPherson — que, além de garantir comportamento dinâmico bem superior, era mais compacto que as barras de torção do Fusca comum. Com isto, a capacidade do porta-malas aumentou 50%. No geral, o 1302 era 5 cm mais longo e 35 mm mais largo que o Fusca comum, além de ter entre-eixos 20 mm maior. Em 1972, o vigia traseiro cresceu 11% e os freios dianteiros ficaram maiores.

Nos EUA, o 1302 era vendido como Super Beetle e só podia ser adquirido com o motor 1600 de 60 cv. Na Europa, este motor era opcional e acompanhava freios a disco na dianteira. Freios a disco. Em um Fusca. Nos anos 1970!

Em 1973, o Fusca evoluía novamente. O 1302 passava a se chamar 1303 (nos EUA, continuava sendo o Super Beetle) e ganhava um para-brisa dianteiro curvado — aumentando a área envidraçada em 6%, de acordo com a Volks. Com isto, foi possível substituir a chapa de metal usada até então por um painel de instrumentos “de verdade”, feito de plástico. O visual é bem diferente do interior clássico ao qual estamos acostumados, mas a gente gosta de como ficou. Além disso, seria bacana ter um Fusca com um pouco mais de espaço para as malas e para as pernas.

Em 1975, o 1303 foi rebatizado como La Grande Bug (sério) e, no Japão e nos EUA, o motor 1600 trocou o carburador por um sistema de injeção Bosch L-Jetronic.

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A mudança não foi feita para conseguir mais potência, e sim para reduzir as emissões de poluentes — nos EUA, foi adotado também um novo abafador no sistema de escape. Além disso, as setas saíram do topo dos para-lamas e passaram a vir embutidas no para-choque dianteiro. Em 1976, porém, ele saiu de linha — algo que aconteceria também com o modelo original em 1979.

 

África do Sul – Volkswagen 1600 S

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O Volkswagen 1303 foi produzido na Alemanha, na Iugoslávia e na Austrália e não é tão desconhecido — os fãs do Fusca o consideram a melhor variação do modelo, inclusive. Na África do Sul, no entanto, há um Fusca que pouquíssima gente conhece: o 1600 S. Não, não é o “bizorrão” brasileiro.

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Por lá, o Besouro foi produzido entre 1951 e 1979. A versão com motor 1600 de 50 cv foi apresentada em 1972 e tinha visual bem parecido com o do 1303 — incluindo o para-brisa curvado, os vidros maiores e o painel de plástico. Contudo, a mecânica continua igual ao do modelo standard, com barras de torção na dianteira. A ideia era atualizar o Fusca sul-africano sem gastar muito dinheiro com a produção do ferramental. O custo total, de acordo com relatos da época, foi de cerca de 1 milhão de Rands sul-africanos, o que dá algo em torno de R$ 12 milhões em dinheiro de hoje.

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Outras características únicas do 1600 S são o capô, cujo desenho das formas em baixo relevo é diferente; e as lanternas traseiras, que são circulares como as nossas conhecidas “Fafá” mas têm molduras plásticas iguais às das lanternas menores — e não são encontradas em nenhum outro país.

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O interior tinha visual esportivo, com revestimento xadrez nos bancos e volante de diâmetro reduzido. O VW 1600 S saiu de linha em 1978.

 

México

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O Fusca começou a ser produzido no México em 1955, em regime CKD, pela Chrysler e pela Studebaker. Em 1964, começou a ser produzido de forma totalmente local, mas só ganhou os vidros maiores em 1972 (o europeu, não vamos esquecer, em 1965). Em 1977, passou a ter as setas nos para-choques.

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Em cima, um Vocho mexicano de 1965. Embaixo, um modelo 1972

Foi na virada dos anos 1990, porém, que o Fusca mexicano (chamado oficialmente de Volkswagen Sedán e carinhosamente como Vocho ou Escarabajo (“escaravelho”, em espanhol) passou pelas mais imporatantes mudanças. Em 1988, passou a ser equipado com ignição eletrônica; em 1990, recebeu alarme anti-furto; catalisador exigido por lei em 1991 e, finalmente, injeção eletrônica Digifant, e atuadores de válvula hidráulicos em 1993.

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Em 1995, o Vocho passou a vir com freios a disco na dianteira e cintos de segurança automáticos de série. No ano seguinte, os freios a tambor e cintos convencionais voltaram a ser oferecidos no Volkswagen Sedán City, enquanto o Volkswagen Sedán Clásico, versão de luxo, oferecia os novos itens mais revestimento de veludo no interior.

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De 1998 a 2003, foi vendida uma versão única, sem revestimento de veludo mas com freios a disco e cintos automáticos. Aí, o Fusca saiu de linha no México — último país onde foi fabricado.