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Project Cars Project Cars #148

Because Racecar: uma preparação de pista para o meu Polo GTI, o Project Cars #148

Olá, leitores. Aqui é o Plautos Lins e vocês talvez me conheçam de outros Project Cars (este e este). Hoje mais uma vez venho aqui escrever sobre um projeto que teve início em dezembro de 2008 e continua evoluindo: meu Polo GTI de pista.

Em 2007 a Volkswagen trouxe da Espanha para o Brasil o Polo GTI, apenas um lote de 30 unidades divididas entre pratas e vermelhos. Até onde sei foi uma avaliação do mercado feita pela VW, porém ele chegou às concessionárias se não me falha a memória mais caro até que o Golf GTI. Então, na minha opinião, quem comprou o Polo GTI novo é por que gostava muito do Polo.

Claro, o carro tinha muitas diferenças do Polo nacional da época, começando pelo fato de ser duas portas, os bancos com um apoio lombar enorme, não tinham o pisca nos para-lamas dianteiros e o interior era mais refinado, praticamente inteiro preto com os tecidos dos bancos xadrez. Mas muitos componentes mecânicos eram os mesmos da família Fox, inclusive a bucha da bandeja da suspensão dianteira, aquela crítica que vive dando problema. Em 2007 achei o carro interessante, mas… não, obrigado.

No final de 2008 pesquisando carros na internet apenas por curiosidade, achei o meu futuro Polo a venda. O preço era bem convidativo e depois de duas semanas pensando o arrematei. Ele estava com apenas 10.000km rodados e chipado. Estava impecável, lindo e sem detalhes.

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O tempo foi passando, fiz algumas viagens com o carro também os eventos Track Days estavam começando a ser mais frequentes, assim como a minha presença nos mesmos. E por consequência, fui evoluindo o carro. Eu já tinha muitas peças de performance para VW que havia comprado para um projeto falido de 2004. Em poucas palavras o projeto se foi, mas as peças ficaram guardadas esperando seu momento, até que apareceu o Polo.

O primeiro track que participei com o Polo foi em 2009 organizado pela FASP em Interlagos. Naquele dia percebi que o carro que eu achava o máximo para andar na rua, tinha muito que melhorar para andar na pista e por causa dessa impressão o Polo se tornou o carro que é hoje.

Uma semana antes do evento, eu havia acabado de montar o turbo K04, intercooler Forge, freios Wilwood nas quatro rodas com discos de 360mm, molas H&R, rodas 18 com pneus Parada, escape completo em inox mantendo o catalisador e eletrônica APR.

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Em Interlagos percebi que os pneus Parada são péssimos para pista, os discos “chineses” que eu havia montado viraram pizza, usei as pastilhas erradas, o câmbio era muito longo e o “problema” que mais me irritava era o enorme sub-esterço do carro. Então iniciei uma briga para encontrar equilíbrio. Comecei a pesquisar sobre a geometria e um pouco de suspensão, mas sem sair muito do original do carro.

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O tempo foi passando, fiz vários upgrades no motor, fiz algumas modificações no câmbio entre elas um kit de seis marchas, testei amortecedores, divergência nas rodas traseiras, cambagem na dianteira, pneus semi-slick… mas o resultado na maioria das vezes foi frustrante, porque o tempo dedicado na arte da modificação na maioria das vezes não era correspondido pelo cronômetro, mas era muito correspondido com o desconforto de usar o carro no dia-a-dia — sem contar que algumas vezes modificações mal testadas me deixaram fora do evento, mas tudo bem faz parte do hobby.

 

No dia 23/10/2010 em Campo Largo participei de uma prova de subida da montanha. Lá deu tudo certo, e consegui garantir o primeiro lugar na minha categoria, completando a subida em 3:00,9.

No primeiro semestre de 2011, com os tracks ainda em alta aqui em Curitiba/PR, eu cheguei à conclusão que transformar o Polo para pista seria o melhor caminho. Ele já estava com 11 tracks nas costas e eu estava frustrado com o desempenho do carro na pista e o seu desconforto na rua, sem contar que com o lançamento do Polo GT, muitos detalhes únicos que só eram encontrados no GTI, começaram a ser compartilhados com a versão nacional.

O carro na época ainda estava um brinco, pois só o usava na pista e raramente saía com ele para algum momento social. Minha justificativa para esse ato era que eu realmente gostava do carro, o Polo GT ficou bem parecido com o GTI em alguns aspectos de certa forma ofuscando a exclusividade, não havia qualquer interesse em vendê-lo e já que não o usava tanto na rua, porque não o dedicar por completo para pista e aí sim poder tirar todo o seu rendimento?

Então foi o que fiz, iniciei o projeto Polo GTI Race!

Encaminhei o carro para uma oficina especializada em carros preparados para rua e pista aqui em Curitiba para inicio das obras e lá a coisa ficou séria.

Foi desenvolvido um travamento do chassis que ficou excelente, também foi desenvolvido novos pontos de fixação da suspensão e muitos acessórios que comumente são usados em um carro de rua foram removidos. Vários detalhes do carro foram pensados para simplificar a manutenção e não criarem problemas no futuro. Lembro que o carro original pesava por volta dos 1.100kg, hoje pesa por volta dos 900kg.

Um detalhe que aproveitei para fazer foi o tanque de combustível de 100 litros com duas bombas – uma simples que alimenta um reservatório também dentro do tanque, porém com uma bomba mais forte. Bastante combustível para garantir a diversão por um bom tempo na pista, também removemos o bojo do pneu reserva e montamos um extrator de ar.

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A suspensão que foi toda repensada ganhou novos amortecedores com cargas de molas de 660lb na frente e 1000lb atrás. Fizemos um calço para o pivô da bandeja da suspensão dianteira, pois quando o carro é rebaixado perde-se cambagem, com esse calço a cambagem é mantida até mesmo quando há transferência de cargas nas curvas. Também foram desenvolvidos novos terminais de direção para evitar perda de alinhamento quando a suspensão trabalha.

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Antes de dar inicío ao projeto Race eu já havia aprimorado o motor instalando comandos da CatCams 3651, logo depois substituindo a K04 por uma Garrett GT2860RS e em seguida montando uma admissão Ross Machine Racing. Nessa época o módulo original ainda existia e a potência de 300cv e o torque de 35kgfm só eram possíveis graças a 1,6kgf de turbo. Agora, a central original ganhou seu lugar na estante e uma injeção programável entrou em seu lugar. O novo acerto conseguiu gerar os impressionantes 400cv e 41kgfm com uma curva de pressão com pico de 1,2kgf e caindo para 0,9kgf e 363cv e 33kgfm com apenas 0,9kgf.

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Comentei acima que havia montado um kit Quaife de seis marchas e posso dizer que esse kit é sensacional. A primeira marcha ficou ligeiramente mais longa do que já era e a sexta marcha oferece a mesma velocidade final que a quinta original. O escalonamento ficou perfeito, tanto para uma guiada mais esportiva, quanto para uma pista de corridas. Mas a cereja do bolo foi quando reduzi a relação final que originalmente era 3,6:1 e agora é de 3,9:1. A aceleração que o carro tem agora é impressionante, sem contar que consigo finalmente engatar e esticar a sexta marcha aqui no autódromo de Curitiba, coisa que antes era impossível.

Originalmente o carro tinha ABS que funcionava em perfeita harmonia com o kit de freios grandes que havia montado anteriormente. Com o carro mais leve e sem o ABS a harmonia foi para o ralo. A traseira começou a vibrar e qualquer toque no freio, fazia com que as rodas dianteiras travassem. Então voltei os freios traseiros para o sistema original e montei as pinças grandes da traseira na frente do Polo. Pode não parecer nas fotos, mas as pinças dianteiras e traseiras são diferentes no tamanho dos pistões. E como resultado, obtive harmonia mais uma vez, o carro voltou a parar como deveria.

 

Só consegui ir para pista com o carro depois de pronto apenas quatro vezes, duas vezes aqui em Curitiba e duas vezes em Brasília/DF. A primeira vez que fomos para o autódromo foi no dia 01/09/2013. Entramos na pista com o intuito de achar e causar problemas e foi aí que consegui detectar o problema dos freios comentado anteriormente, além de alguns vazamentos de água e combustível, acerto do mapa do motor e pressões de turbo, e ajustar o trambulador do câmbio.

Depois disso levei oito meses para voltar para matar a vontade. Por ironia do destino os eventos aqui na capital deram uma esfriada bem na época que o carro saiu do forno e ainda para ajudar os pneus slick 17” sumiram do mercado. Por sorte eu havia conseguido comprar quatro pneus duros e dois macios em uma ocasião. Então no dia 17/05/2014 consegui realmente andar com o carro.

Com os duros montados consegui cravar 1:33,170 na volta do pneu, depois disso, não consegui melhorar mais, mas acredito que com essa configuração o carro deveria entrar na casa do 1:31, somente precisava treinar mais com o carro, que por sinal ficou muito nervoso e arisco. Nesse dia dei 49 voltas, matei as lombrigas e o carro não apresentou problemas, somente uns calinhos para serem acertados. No dia seguinte, já que era um Track Weekend, fui abrir a volta e passando pela reta dos boxes uma bobina pifa. Como não tinha uma reserva esse foi o primeiro problema que deixou o carro parado no Box.

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Para resolver o problema de ignição, troquei as bobinas originais pelas do R8 comprei até peças reservas e para minha surpresa, depois das bobinas montadas, quem disse que o carro pega? Gelei. As comprei por serem plug´n´play e com elas o carro não funcionou. Fuça aqui, fuça ali acabei mandando uma bobina para o fabricante da injeção e eles determinaram que o módulo precisava de um upgrade. Me mandaram um peça para testar e o problema foi resolvido.

No dia 19/07/2014 teve um track em Brasília. Entreguei o carro na transportadora, por um desencontro não pude carregar o carro pessoalmente e quando recebi o carro no destino percebi que acabaram com a embreagem. Seja lá qual asno carregou o carro, conseguiu quebrar a pista do platô e acabar com as pastilhas. Mais um final de semana perdido. Dei uma volta para atiçar as lombrigas.

Aproveitei e mantive o carro em Brasilia, resolvi o problema da embreagem e no dia 18/10/2014 teve mais um track duplo. Eu estava tranquilo pois o carro estava mais uma vez perfeito. O único problema é que justo naquele final de semana, Brasilia estava infernalmente quente — ligaram a chapa e a esqueceram ligada.

Meu final de semana se resumiu a 10 voltas. Com os pneus duros e ruins consegui fazer 2:23,436 na primeira volta. Depois disso o tempo só piorou e os duros dianteiros acabaram. Para o dia seguinte montei os macios na dianteira e quando estava para abrir a volta um pneu rasga na subida do placar, para quem não sabe, essa curva é de alta para a esquerda e assim sendo, só me deu uma alternativa parei no mato. Infelizmente a câmera ficou sem bateria e não consegui gravar o voo que fiz quando acertei a zebra.

Depois disso trouxe o carro para Curitiba e comecei a pensar o que fazer para resolver o problema dos pneus. Já que os 17” acabaram, 18” não cabem nas caixas e roda, so me restou 15” de opção. Dessa forma ate os freios dianteiros vou voltar para o sistema original e apostar na boa ventilação que foi desenvolvida. Vou começar com aro 15” de ferro testando semi-slicks e outros slicks que estão aparecendo no mercado nessa medida. Só tenho duas opções: dar certo ou dar certo. Se tudo der certo, termino essa novela ainda esse ano.

Seguem fotos atuais do carro, ainda com as 17”.

Até a próxima!

Por Plautos Lins, Project Cars #148

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