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Black Cabs: a origem dos icônicos táxis londrinos

Com a popularização dos aplicativos de transporte, como Uber, 99 e afins, os serviços de táxi mudaram bastante nos últimos anos. Mas uma coisa não muda: os tradicionais táxis londrinos, conhecidos como black cabs – mesmo quando não são pretos. Ao lado dos ônibus double-decker vermelhos, o Big Ben e as cabines telefônicas, os black cabs são verdadeiros símbolos não apenas de Londres, mas do Reino Unido como um todo. Quando um filme ou seriado de TV se passa na capital inglesa, fatalmente um táxi vai aparecer na composição do cenário – esta possivelmente é uma das maiores certezas do mundo.

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Mas você já se perguntou de onde veio esta tradição? Esta é uma daquelas coisas que muita gente se pergunta, mas dificilmente se preocupa em tentar descobrir. Pois isto muda hoje: se você está aqui, vai aprender na marra qual é a origem dos black cabs britânicos.

No Reino Unido, black cab é só um apelido – o nome considerado “oficial” é hackney carriage. O termo tem sua origem na antiga vila de Hackney, que hoje faz parte de Londres. Era de Hackney que vinham os cavalos utilizados pelos vilarejos e cidades vizinhas, pois em Hackney havia grandes e verdejantes pastos. Foi questão de tempo até que, na região de Londres, carruagens puxadas por cavalos passassem a ser chamadas de chamadas de hackney carriages. Segundo estudos etimológicos, a primeira carruagem de passageiros – que cobrava por viagem – a ser chamada de hackney carriage começou a operar em 1621.

Existia, ainda, o termo hackney coach, referindo-se a um tipo específico de hackney carriage que sempre tinha dois cavalos, duas rodas e seis lugares. Com o tempo, a população de Londres e adjacências começou a referir-se às carruagens de passageiros como hacks, seguindo a tendência dos ingleses de abreviar todas as palavras possíveis.

Agora, enquanto a parte etimológica da coisa é uma curiosidade bacana, o que realmente nos interessa é a história a partir do momento em que os cavalos foram abandonados, dando lugar a motores. Aconteceu em 1901, quando as primeiras hacks elétricas começaram a rodar. Um detalhe curioso, e que já abordamos antes: na época, os motores elétricos eram mais populares que os motores a combustão – estes ainda não haviam chegado ao nível de autonomia e eficiência dos elétricos. Neste período, outro nome popular para os táxis de Londres era hummingbird (“beija-flor” em inglês) por causa do som que eles faziam.

Em questão de uma década, as carruagens sem cavalos tornaram-se maioria nas ruas de Londres, e não muito tempo depois os motores a combustão tomaram o lugar dos elétricos como norma da indústria. Mas não demorou muito tempo para que acontecesse a primeira interrupção nos serviços de táxi no Reino Unido – foi em 1913, com o início da Primeira Guerra Mundial. Não apenas por conta da consequente escassez de combustível, mas também porque muitos dos motoristas de táxi eram jovens que acabaram convocados para servir ao exército.

A situação só começou a normalizar com o fim do conflito, em 1918. A partir daí, não apenas os serviços de táxi, mas também a indústria automobilística como um todo, floresceram na Europa. Entre as duas guerras mundiais o número de operadoras de táxi e modelos utilizados aumentou. E foi neste período que plantou-se a semente dos black cabs como os conhecemos hoje.

Em 1919 a William Beardmore & Company – originalmente uma fabricante de locomotivas e vagões – introduziu seu primeiro táxi, batizado simplesmente Beardmore Taxi Mk1. O modelo Mk2, de 1923, era parecidíssimo, apenas com alterações no desenho do capô e nos acabamentos da carroceria. Em pouco tempo os táxis da Beardmore se tornaram os mais populares de Londres.

Foi questão de tempo, porém, até que a concorrência surgisse. Em 1929, a Austin – que por si só é conhecida como uma das fabricantes mais importantes dos primeiros anos do automóvel no Reino Unido – apresentou o Austin Car. Com carroceria mais baixa (e, consequentemente, acesso mais fácil ao interior) e design mais atraente, o táxi da Austin foi um sucesso imediato e em menos de cinco anos passou a dominar o mercado. Na década de 1930, a maior parte dos táxis londrinos era da Austin.

Foi em 1948, após uma nova crise causada pela Segunda Guerra Mundial, que a empresa inaugurou o modelo que serviu como base para os black cabs usados até joje: o FX3. O carro foi criado sob medida para adequar-se às chamadas Conditions of Fitness estabelecidas pela administração de Londres – em essência, um conjunto de regras que ditava quais seriam as características que os automóveis deveriam ter para serem aptos (ou seja, fit) a servir como táxis londrinos. Entre elas, raio de rolagem de menos de 7,62 metros, e altura mínima do solo de pelo menos 18 centímetros.

Um detalhe interessante é a área do carona, reaproveitada como compartimento de bagagem para facilitar o acesso

Originalemente, o Austin FX3 era movido por um quatro-cilindros de 2,2 litros, acoplado a uma transmissão manual de quatro marchas. A carroceria preta não era uma exigência, mas uma medida para conter custos – se o comprador quisesse um carro de outra cor, teria que pagar uma taxa extra. No fim das contas, a cor preta ajudou a padronizar os táxis de Londres e tornou-se tradicional. Contudo, nunca houve qualquer tipo de determinação externa para que os carros fossem pintados de preto. Era uma mera questão de economia e conveniência.

Uma modificação comum – e que logo foi adotada pela própria fabricante – era a troca do motor a gasolina por uma unidade a diesel da Standard ou da Perkins, em busca de economia de combustível e menores gastos com manutenção. Isto deu aos FX3 um ciclo de vida excepcionalmente longo: os carros que deveriam ser aposentados pela cidade de Londres acabavam vendidos a preços módicos para outras regiões do Reino Unido. Até mesmo em cidades bem distantes, como Glasgow, na Escócia.

Em Londres, os Austin FX3 eram operados pela Mann & Overton, uma das primeiras empresas de táxis da cidade – e que encomendou o projeto em primeiro lugar. A Austin era responsável pelo conjunto mecânico, enquanto a carroceria era fabricada por uma empresa chamada Carbodies. Além de montar os carros (fazendo o “casamento” entre chassi rolante e carroceria) eles também cuidavam da distribuição dos veículos.

O Austin FX3 permaneceu em serviço por dez anos antes de ganhar um substituto, o FX4 – e este sim é a origem dos black cabs usados até hoje. Novamente uma parceria entre Austin, Mann & Overton e Carbodies, ele trazia uma carroceria mais moderna, com para-lamas mais integrados à carroceria e faróis embutidos.

O FX4 mostrou-se o modelo de maior sucesso entre os táxis londrinos – ele foi utilizado de 1958 até 1997. A Austin, porém, só esteve envolvida no projeto até 1982, quando os direitos sobre o veículo foram integralmente repassados à Carbodies, que hoje se chama The London Taxi Company.

Em 1998 estreou o sucessor do FX4, chamado LTI TX1. Usando uma plataforma moderna, derivada dos compactos da Nissan (que também lhe cede o motor) o TX1 tem visual propositalmente retrô, inspirado no FX4. Contudo, nas últimas duas décadas ele se tornou apenas uma entre diversas opções de transporte pago na cidade de Londres – boa parte das empresas aposta em veículos realmente modernos e mais espaçosos, como o Mercedes-Benz Vito (que até já foi apelidado de “big black cab”).

De todo modo, já faz alguns anos que a pintura preta deixou de ser a mais popular, cedendo seu lugar a carros com propagandas estampadas na carroceria. O termo “black cab” continua sendo utilizado, claro, mas por questão de costume da população.

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