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Lista de compra

Cinco carros usados de R$ 85.000 a R$ 100.000 | Guia FlatOut de Usados

Depois de 16 listas de compra que se iniciaram nas camadas mais baixas do mercado de usados, finalmente chegamos à marca dos R$ 100.000 nesta última lista da série. Sim, será a última lista desta leva iniciada há pouco menos de um ano para atualizar nossas opções do mercado de usados depois de quase três anos.

Nesta última lista, para abranger opções além dos exemplares mais caros da faixa de preços anterior, aumentamos a variação de R$ 10.000 para R$ 15.000 — ou seja: a lista parte de R$ 85.000 e chega aos R$ 100.000, o que coloca o valor médio dos carros na casa dos R$ 90.000 – R$ 95.000. Além disso, embora a variação pareça drástica, os R$ 15.000 correspondem a aproximadamente 17,5%, variação menor que os R$ 5.000 da lista de R$ 25.000 a R$ 30.000 (20%) e que os R$ 10.000 da lista de R$ 45.000 a R$ 55.000 ou de R$ 55.000 a R$ 65.000.

Novamente, a lista exclui os clássicos porque não há volume suficiente para estabelecer um preço médio deles, embora eles existam nesta faixa — caso dos Dodge Dart V8 brasileiros. Como também estamos falando de uma faixa mais elevada de preços, optei por não usar mais os conceitos de “carro para o dia-a-dia” e “carro para curtir”. Nesta faixa os carros para curtir são poucos ou clássicos, e os carros premium são   relativamente recentes, então eles são voltados a quem realmente procura um carro premium para uso diário ou como segundo carro. Dito isso, vamos à nossa seleção de R$ 85.000 a R$ 100.000.

 

Volkswagen Fusca 2.0 TSI – 2015/2016

Quanto custam? R$ 86.000 a R$ 99.000

Eu sei que você já pode comprar o Fusca TSI por menos de R$ 70.000 se optar pelos modelos dos primeiros anos. Mas eu não os incluí na lista pelo mesmo motivo que não incluí o Tiguan 2.0 TSI da primeira geração: a versão de 200 cv do motor 2.0 TSI tem uma certa propensão a problemas com a lubrificação de seu eixo de balanceamento, que pode travar e causar um belo estrago.

Para evitar isso, basta comprar a versão de 211 cv deste motor, que saiu nos Fusca fabricados a partir de 2015. Sim, eu também sei que, por essa grana dá pra levar um Golf GTI, mas eu tenho dois bons argumentos a favor do Fusca: ele tem um visual bem mais interessante e que está envelhecendo muito melhor que a geração anterior. Olhando bem, ele tem até uma certa semelhança com os Porsche — a ponto de o spoiler ducktail ser um acessório extremamente popular para ele. Fora isso, ele tem uma dinâmica pouco menos afiada que a do Golf GTI, porém mais competente que a do Golf 1.4. Mais potência, mais controle de carroceria. É um meio-termo interessante e, acima de tudo, bonito.

Além disso, apesar de não ter portas traseiras, ele tem espaço satisfatório para dois adultos no banco traseiro e o porta-malas não é um chiqueirinho modernizado como era no “New Beetle” — são 310 litros, praticamente o mesmo do Golf, que tem 313 litros. É uma garrafa de Coca-Cola, coloque no espaço entre os dois passageiros do banco traseiro.

Nesta versão 2.0 de 211 cv ele foi oferecido com o câmbio manual de seis marchas, que é bem mais difícil de encontrar porque o público entusiasta, aparentemente, preferia trocar as marchas nas borboletas — fosse no GTI ou no Fusca. A mais comum é a DSG de seis marchas com embreagem úmida, que ajuda o 2.0 a levar o Fusca do zero aos 100 km/h em 6,9 segundos e à máxima de 224 km/h. Como comparação, o GTI vai de zero a 100 km/h em 6,5 segundos e à máxima de 250 km/h, porém com um motor de 230 cv e câmbio de sete marchas.

A lista de equipamentos também é interessante: a maioria dos Fusca veio com teto solar panorâmico e muitos vieram com sistema de áudio premium da Fender. Todos são equipados com sistema multimídia, airbags laterais e de cortina, cruise control e controles de tração e estabilidade.

 

Mercedes-Benz C180 W205 – 2015

Quanto custa? Entre R$ 90.000 e R$ 100.000

Se você quiser um C180 zero-quilômetro terá que desembolsar quase R$ 240.000 pelo modelo 2020/2020, o mais novo que a Mercedes disponibiliza atualmente. Se fizer questão de um modelo 2021, vai ter que se contentar com o Classe A Sedã — e pagar R$ 268.000 por ele (sim, duzentos e sessenta e oito mil reais).

Mas se você não quiser gastar mais de R$ 100.000 em um Classe C, é possível colocar na garagem um modelo praticamente idêntico ao 2020, da mesma geração atualmente vendida pela Mercedes. Basta você voltar no tempo. Não de verdade, mas no ano de fabricação do carro: um modelo 2015, o segundo ano da atual geração, já está custando entre R$ 90.000 e R$ 100.000.

Por esse preço, ele ainda não tem os novos faróis, as rodas atuais nem será flex, mas, a menos que você viva em São Paulo, isso não fará muita diferença. O resto você dá um jeito. Ele tem o mesmo motor 1.6 turbo de 156 cv (sim, o flex não é mais potente) a 5.300 rpm e 25,4 kgfm entre 1.250 rpm e 4.000 rpm.

O pacote de equipamentos é muito parecido, embora o C180 mais antigo não tenha o quadro de instrumentos digital integrado ao sistema multimídia. O pacote é o padrão desse segmento: sete airbags, ar-condicionado de duas zonas, controles de tração e estabilidade, sensores de chuva, luminosidade etc. O porta-malas tem generosos 480 litros e o câmbio é automático de sete marchas — outra diferença para o modelo atual, que tem nove marchas. O desempenho, contudo, é o mesmo: 8,3 segundos de zero a 100 km/h e máxima de 223 km/h.

 

Honda Civic Si Coupé – 2015

Quanto custa? Entre R$ 90.000 e R$ 105.000

Sim, R$ 105.000 é mais que R$ 100.000, mas isto é um impasse que você pode resolver com uma boa conversa e uma boa negociação. Porque é nesta faixa que começam a aparecer os Honda Civic Si Coupé.

Eles podem não ser equipados com o já lendário K20, e por isso não gritam a 8.000 rpm como o antecessor, mas eles têm uma bela carroceria de duas portas com a traseira truncada e um 2.4 de 206 cv a 7.000 rpm e 23,9 kgfm a 4.400 rpm — o que deixou o carro mais linear e sociável tanto nas ruas quanto no autódromo.


O carro ainda é uma boa base para preparação: com molas mais curtas e um acerto fino na geometria, ele já se torna mais afiado para apontar e atacar as curvas, enquanto a potência extra pode ser adquirida com o cabeçote do K20, Hondata e coletores de escape e admissão redimensionados.

Eu nem precisaria de muitos argumentos para te convencer de que o Civic Si 2.4 é uma boa opção nesta faixa de preço, mas caso você queira, sugiro que leia nossa avaliação de 2014, feita no Autódromo da Capuava. Aqui vai um trecho da conclusão:

Com câmbio manual preciso como uma katana, volante pequeno, dinâmica provocativa, o bom e velho berro de um tremendo de um motor aspirado e, claro, uma carroceria de duas portas com uma belíssima silhueta, o Civic Si é substancialmente mais envolvente. Ele é o romântico que teima em manter uma essência que está em franca extinção, enquanto o GTI vai por caminhos modernos – tanto pelos recursos mecânicos quanto pela experiência a bordo e comportamento dinâmico. O alemão é cirurgicamente preciso na mesma proporção de uma pequena impessoalidade – contudo, não se engane: o Golf é um tremendo de um esportivo emocionante e o consideramos como o grande lançamento de 2013.

 

Mercedes-Benz E350 Coupé – 2010 a 2012

Quanto custa? Entre R$ 85.000 e R$ 95.000

Ok, mais um Mercedes, mas esta é uma dica das boas porque o carro é uma barganha (nas condições de hoje) e praticamente esquecido pelo mercado brasileiro, que, aparentemente, prefere o Classe C Coupé. Por praticamente o mesmo preço do C Coupé com motor turbo de quatro cilindros e 156 cv ou 184 cv, você pode comprar um E350 V6 com 300 cv. E quer saber a melhor? Ele será ainda mais luxuoso, sem ser maior ou muito mais pesado.

Um pouco de história para explicar a situação: em 1998, quando a Mercedes inventou o CLK, ela criou este novo modelo para substituir o cupê da Classe E, que já não era tão desejado, e ao mesmo tempo fazer um cupê da Classe C. Por isso o CLK de primeira geração (C208) usa a base do Classe C de segunda geração (W202) com o visual inspirado no Classe E de sexta geração (W210). Em 2003 a nova geração (C209) seguiu o mesmo caminho: plataforma da Classe C W203 com o visual inspirado pela Classe E W211.

Na geração seguinte a Mercedes decidiu finalmente lançar o cupê da Classe C e devolver à Classe E um cupê próprio. Só que ela manteve a base mais humilde: o Classe E cupê desta geração ainda tem cara de Classe E (W212) sobre a plataforma da Classe C (W204). As dimensões são basicamente as mesmas — os balanços são sutilmente diferentes devido ao design do carro. Então, na prática, você tem o melhor Classe C que se pode comprar, ao mesmo tempo em que tem o Classe E mais barato de se manter.

Claro, o visual dele não é dos mais admirados — mesmo pelos fãs da marca —, mas ainda estamos falando de um cupê alemão, sem coluna B, com vidro traseiro retrátil, com um V6 de 292 cv. E se você levar a versão 2011 ou 2012, terá o motor novo de 306 cv, capaz de acelerar do zero aos 100 km/h em 6,5 segundos e ir além dos 250 km/h sem o limitador eletrônico. Sinceramente? Esqueça o C200 Coupé (note que a dica anterior foi o C180 Coupé, mais barato). Se for gastar mais de R$ 80.000 num cupê recente da Mercedes, volte alguns anos e vá com o E350.

 

VW Golf GTI – 2014 a 2016

Quanto custa? Entre R$ 90.000 e R$ 100.000

A lista não poderia terminar sem o arquirrival do Civic Si 2.4, a proposta modernista para a esportividade cotidiana, o Golf GTI Mk7. Aqui é importante ficar atento à versão que se está comprando: as primeiras unidades de 2013 foram trazidas da Alemanha e andam inflacionadas pela demanda. Em seguida, entre 2014 e 2015 a Volkswagen trouxe o GTI do México, e o nacionalizou em 2016. Apesar de o pacote de equipamentos ser praticamente o mesmo, alguns proprietários relatam que o mapa do DSG e do motor das versões importadas é diferente da versão nacional. Também há quem diga que o modelo brasileiro é mais parecido com o alemão em termos de acabamento.

O que importa é que, independentemente da versão, você terá um dos hatches mais versáteis que se pode ter no Brasil, equipado com um 2.0 turbo de 220 cv nesta versão pré-facelift, combinado a um câmbio automatizado de seis marchas com embreagem dupla. O conjunto o arremessa do zero aos 100 km/h em 6,5 segundos e o mantém acelerando até os 238 km/h.

Como dito anteriormente, ele tem uma pegada mais moderna e tecnológica para a esportividade, mas seu acerto dinâmico é impecável na pista, sem comprometer o uso cotidiano — daí sua versatilidade como hatchback. Além disso, ele tem espaço suficiente para casais e famílias jovens, com um ou dois filhos ainda na infância. O pacote de equipamentos não é muito diferente do atual Polo GTS, seu sucessor por ocasião. O Polo, aliás, custa praticamente o mesmo que este GTI com alguns anos de uso, o que me leva à pergunta final: se você tivesse que escolher entre o Golf usado e o Polo GTS, qual seria a cor do seu Golf?