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Circuito de Ebisu: onde os carros de drift levantam voo

Em geral, os fãs de carros e automobilismo têm um destino dos sonhos em comum: Nürburgring Nordschleife, a Meca da velocidade no norte da Alemanha, com seus épicos mais de 20 km, 73 curvas e toda a aura mítica envolvida. Mas existe outra Meca, outro lugar que é um terreno sagrado para um público bem específico: o circuito japonês de Ebisu, paraíso dos adeptos do drift.

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É por isso que uma das notícias mais tristes para os entusiastas foi o terremoto de magnitude 7.3 que atingiu Fukushima, no Japão, onde fica o circuito o circuito em fevereiro de 2021, causando um deslizamento de terra que levou consigo boa parte da pista. No administração do circuito ainda não sabe se Ebisu será totalmente recuperado, embora já existam abaixo-assinados e financiamentos coletivos criados para ajudar a bancar os reparos.

Não é exagero. Chamar o Circuito de Ebisu de “circuito”, apesar de este ser seu nome, chega a ser injusto. Porque Ebisu é, na verdade, um complexo com nove pistas, sendo sete circuitos tradicionais e dois skidpads. O complexo foi projetado principalmente para competições de drift, tanto que seu projeto é assinado por um piloto — Nobushige Kumakubo, que há quinze anos compete na D1 Grand Prix, principal categoria de dorifuto no Japão. Ele teve a sorte de nascer em uma família rica, dona de uma vasta porção de terra na prefeitura de Fukushima, no Japão, e isto possibilitou que ele desenhasse e construísse aquilo que muitos chamam de “o paraíso dos drifters”.

 

A própria organização de Ebisu refere-se ao complexo como um “parque temático para carros”, pois, além das competições de drift, são disputadas corridas de longa duração, realizados track days e até time attacks em uma touge artificial. Os eventos de drift são extremamente populares, e não apenas entre os locais – há quem economize o ano inteiro e compre passagens de avião antecipadas para o Ebisu Drift Matsuri, que reúne centenas de carros e milhares de participantes e espectadores três vezes ao ano para aquilo que é basicamente um “Lollapalooza do drift”: 36 horas ininterruptas de ação na pista, com carros andando de lado o tempo todo.

A cada edição do Drift Matsuri, cerca de 500 carros diferentes passam por Ebisu. Nos últimos dez anos, o festival tornou-se um dos maiores eventos de dorifuto do planeta, reunindo gente de pelo menos dez países em cada edição. E, como todo festival, o resultado ultrapassa as barreiras de sua intenção original e se torna uma verdadeira celebração a toda uma cultura — no caso, a cultura do drift, com adeptos e admiradores dividindo o mesmo espaço (e, se o cara for bacana, a mesma comida), trocando informações e ideias sobre seus carros e curtindo um belo fim de semana.

O Ebisu Drift Matsuri faz parte de um evento maior — a Drift Heaven Week, que culmina em uma das etapas do campeonato nacional de drift no Japão, que acontece simultaneamente ao festival. Os dois eventos praticamente se fundiram, o que explica a peregrinação anual de entusiastas todos os anos, ocupando todas as nove pistas do complexo.

O circuito mais famoso é o de Minami (Sul), onde são realizadas as provas do D1 Grand Prix. Ainda existem os circuitos de Nishi (Oeste), Kita (Norte) e Higashi (Leste); o circuito Drift Land, usado em aulas de drift; e os dois skidpads, The Touge e KuruKuru Land. Cada um deles tem suas próprias características e foi criado com um propósito específico. The Touge, por exemplo, tenta imitar um trecho de estrada nas montanhas, enquanto KuruKuru Land nada mais é que um retângulo de 200×60 metros que é usado para ensinar os novatos a fazer curvas com o freio de mão e o figure-8. Higashi é o mais tradicional, com uma reta de 420 metros usada também para provas de arrancada e uma reta dos boxes com lugar para 20 equipes.

Mas é em Minami que fica o ponto mais famoso de Ebisu: uma curva à esquerda que, por causa de uma ligeira variação de relevo, faz com que os carros decolem ao passar por ela deslizando de lado. Muitos entusiastas peregrinam até Ebisu só para experimentar a sensação de voar de lado com o carro.

E, se você quer saber como é a sensação de fazê-lo, talvez o vídeo abaixo — que inclui tomadas onboard e de fora do carro — possa dar uma ajudinha à sua imaginação.

Mas engana-se quem pensa que Ebisu só serve para quem tem um projeto de drift e vai acelerar na pista: o circuito também oferece opções para quem quer começar a andar de lado. Há dois cursos rápidos – o Private Drift Lesson e o Perfect Drift Lesson Package. O primeiro custa ¥50.000 (cerca de R$ 2.600 em conversão direta) e inclui o acerto do carro (que deve ser fornecido pelo cliente) e aulas personalizadas com um dos instrutores residentes de Ebisu o dia todo. Já o segundo é um curso completo, que inclui não só as aulas, mas também um carro de drift (com motor turbo, como frisa o panfleto), quatro pneus e um tanque cheio de combustível, e custa ¥120.000 (R$ 6.290) por um dia todo ou ¥60.000 (R$ 3.145) por meio período.

Quem não quiser nem um, nem outro, também pode pegar uma carona no Drift Taxi: por ¥30.000 (R$ 1.570), você pode alugar o táxi para te levar com mais dois amigos para um passeio com um piloto de drift profissional ao volante. Assim, mesmo em dias normais, sempre há o que ver e o que fazer em Ebisu – exatamente como, por exemplo, em Nürburgring Nordschleife.

Os que já foram até lá têm dicas preciosas para quem quiser conhecer. Primeiro: por mais que seja fácil e barato pegar o transporte público até o circuito, os ônibus não entram no complexo – que é bem grande e tem várias ladeiras, tornando a caminhada do portão até a sede bem cansativa. O negócio, então, é alugar um carro – novamente como acontece em Nürburgring, existe uma série de empresas especializadas em aluguéis ao redor de Ebisu, e várias já fornecem carros prontos para o drift, com o seguro incluso no preço. Segundo: reserve um quarto de hotel – o local é remoto e possui uma boa variedade de opções de estadia e alimentação. Depois de passar o dia todo queimando pneus na pista, o melhor é chegar rapidinho até o hotel para descansar.

E o circuito fica aberto praticamente o ano todo. É possível até mesmo fechar uma de suas pistas por um dia inteiro para curtir com os amigos — basta saber com quem conversar… e pagar o quanto for preciso. O aluguel de uma das pistas custa ¥ 9.000 (cerca de R$ 500) por dia.

Da nossa parte, esperamos uma breve recuperação ao circuito de Ebisu, para que o local possa voltar a honrar seu título de “Meca do Drift”.

 

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