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Como foram escolhidos e montados os carros do primeiro “Velozes e Furiosos”?

O nome de Craig Lieberman certamente é bem conhecido entre os fãs mais ardorosos de “Velozes e Furiosos”. Mais precisamente, dos três primeiros filmes – que, afinal, são os que realmente importam. Lieberman foi o consultor técnico da trilogia original (“Velozes e Furiosos”, de 2001; “+ Velozes + Furiosos”, de 2003; e “Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio”,  de 2006) e, como tal, era responsável por funções importantíssimas: escolher os carros que seriam usados nos filmes, avaliar as modificações para garantir a autenticidade do que se via na tela, e fornecer contatos para a compra de veículos e peças.

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Como o próprio Craig era envolvido havia tempos na cena de carros modificados de Los Angeles, e também era dono de alguns projetos, ele era uma pessoa bastante indicada para a posição. E Craig fez seu serviço muito bem – como contamos neste post, o icônico Toyota Supra de Brian O’Conner no primeiro filme era um de seus projetos pessoais, bem como alguns outros carros que foram usados nos três primeiros filmes.

Agora, quase vinte anos depois da estreia do primeiro “Velozes”, Craig começou a publicar uma série de vídeos em seu canal no YouTube, mostrando cenas de bastidores e contando detalhes a respeito do processo de escolha e montagem dos carros nos primeiros filmes, e também montou um site no qual fornece diversas informações e fotos da época. Um de seus vídeos mais recentes também está entre os mais interessantes: ele esclarece, de uma vez por todas, como foi feito o trabalho em “Velozes e Furiosos”, o filme que começou tudo – com direito a muitas fotos e clipes da época.

Craig conta que, como consultor técnico, sua maior preocupação era escolher o carro certo para cada um dos atores e garantir que cada um deles fosse o mais autêntico quanto fosse possível – algo que ele definiu após ler o script e o resumo de cada personagem. Mas não era só isto: ele também precisava levar em consideração a disponibilidade de cada carro que considerava ideal para determinado personagem. E havia mais uma questão: o orçamento total do filme era de US$ 39 milhões, dos quais US$ 2 milhões estavam destinados aos carros.

Com este valor, a equipe precisava escolher os carros, comprá-los, modificá-los, transportá-los e ainda contar com eventuais consertos de última hora – e tudo isto, considerando um custo previsto de US$ 80.000 por carro montado, certamente ficaria em bem mais que US$ 2 milhões. Foi por isto que, antes mesmo de iniciar a seleção de carros, Craig teve uma boa ideia para reduzir os gastos no processo: em vez de definir os carros primeiro, e depois construir cada projeto sob medida (como se costumava fazer em filmes com orçamentos mais generosos), Craig recomendou aos produtores que alugassem carros modificados já prontos e fizesssem os ajustes necessários para cada personagem. Isto facilitaria o trabalho de construir as réplicas a serem usadas em diferentes fases das filmagens, como as tomadas em close (beauty shots) e imagens do interior, ou as cenas mais difíceis e arriscadas.

Foi assim que Brian O’Conner acabou com ficando com o Toyota Supra do próprio Craig e, depois, com um Mitsubishi Eclipse. Dom (Vin Diesel) por sua vez, ganhou um Mazda RX-7 FD e o famoso Dodge Charger. Letty ficou com o Nissan 240SX; Mia, com um Acura Integra; Jesse ganhou seu Jetta; Vince ficou com o Nissan Maxima (que também pertencia a Craig) e Leon, com o Nissan Skyline GT-R R33. Além disso, Craig também escolheu o Honda S2000 de Johnny Tran e os Honda Civic que foram usados na cena do roubo ao caminhão.

Os carros principais foram escolhidos de maneira bem informal: Craig e seus assistentes postavam em fóruns automotivos o convite para que entusiastas de Los Angeles e adjacências levassem seus carros ao estúdio da Universal, na data marcada, para uma seleção. Dava-se preferência a carros que pudessem ser encontrados rapidamente e não custassem caro. Craig cita até mesmo o “fator Gran Turismo” como critério: carros que tinham aparecido no hoje clássico de corrida de 1997 tinham preferência, pois o game já era considerado uma das portas de entrada para o mundo dos imports. Com isto em mente, por exemplo, carros como o Mitsubishi 3000GT e o Honda NSX foram considerados, respectivamente, para Brian e Dom. O Supra e o RX-7, pasme, eram as opções número 2!

Os carros dos protagonistas, que tinham mais tempo de tela e participariam de diferentes cenas, tinham ao menos três réplicas cada. O hero car era sempre um projeto autêntico, com modificações funcionais, e eram mantidos sempre impecáveis. Os donos recebiam um valor em dinheiro e concordavam que seus projetos fossem modificados sob a garantia de ficar com quaisquer peças que fossem adicionadas a eles. Caso desejassem, também ganhariam a conversão de volta para a especificação original.

Havia, além do hero car, uma réplica mais fiel, criada para as cenas mais difíceis; além de duas réplicas mais simples, que tinham apenas modificações estéticas superficiais, criados para as cenas mais difíceis e arriscadas. Estes eram adquiridos no eBay e recebiam adornos estéticos facilmente substituíveis, revestimentos de porta presos com fita adesiva e instrumentos falsos, cuja face era simplesmente escaneada dos manômetros autênticos e impressa em papel sulfite. Também vinham do eBay os carros que faziam participações menores.

Graças a estas medidas, o custo médio de cada carro usado em “Velozes e Furiosos” foi de US$ 22.000 dólares – pouco mais de 1/4 do que, de acordo com os cálculos de Craig, custaria para montar cada um dos carros do zero.

Nem todos os proprietários faziam questão de ter seus carros devolvidos à especificação inicial depois do filme, já prevendo uma valorização expressiva como resultado de sua participação – tanto que a maioria dos hero cars foi mantida por seus donos, que os transformaram em show cars ou os venderam. Um deles – o Acura Integra de Mia – sofreu um acidente e teve declarada a perda total. E mesmo as réplicas usadas em manobras – as que sobreviveram, claro – acabaram tornando-se suvenires valiosos à medida que o status de clássico do primeiro “Velozes e Furiosos” ia se consolidando.

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