FlatOut!
Image default
Técnica

Como saber quando a bomba d’água está indo para o espaço?


Essa peça imunda e fora de eixo aí no alto é uma bomba mecânica de água. Em condições normais ela fica presa em um buraco no bloco do motor do carro, e esse triângulo da ponta é parafusado a uma polia, que é girada por uma correia ligada ao virabrequim. Certo dia ela começou fazer um barulho escandalosamente alto. Sabe o som da destruição? É exatamente esse.

Ela simplesmente quebrou. Decidiu que não queria mais bombear água, resolveu parar e quase levou a correia de acessórios junto. Ou seja: além da bomba d’água eu ficaria sem alternador, direção hidráulica e ar-condicionado. Mas tudo bem, afinal, eu não deveria fazer o motor funcionar sem bomba d’água.

O barulho foi o indicador do problema e parte do diagnóstico. Bombas d’água não fazem barulho em condições normais. Se seu funcionamento causava ruído, era claro que havia uma falha no rolamento ou nas pás da bomba. A desmontagem da bomba mostrou a hélice intacta, assim como seu eixo. Mas os retentores estavam estourados. Ao tentar girar sua polia manualmente, ficou claro o motivo da pane: o rolamento travou. Com a carga do motor, a força acabou deslocando o eixo que rompeu os retentores e fez o fluido vazar.

Evidentemente você não precisa esperar quebrar a bomba d’água para saber que ela está falhando. O carro, como o corpo humano, dá sinais claros quando algo não está bem. Você só precisa saber interpretá-los.

No caso da bomba d’água, há basicamente cinco sinais de que há algum problema com ela. Ruído da bomba, vazamento de fluido, sujeira no sistema de arrefecimento, superaquecimento do motor e vazamento de vapor do reservatório de expansão.

 

Ruído da bomba

O primeiro deles é o que eu já mencionei mais acima: o ruído vindo do cofre do motor. Pode ser pelo deslizamento da correia sobre a polia, ou por causa dos ruídos do funcionamento do rolamento. O primeiro é o clássico som de correia cantando, o som agudo de borracha sendo esfregada sobre metal. O segundo é um ruído áspero, como um ronco (é por isso que se fala “rolamento roncando”).

No primeiro caso, da correia é claro que a causa da cantoria pode ser outra polia que não a da bomba d’água. Por isso você deve observar se a polia está girando constantemente e de forma regular e investigar se não é outro acessório (alternador, compressor do a/c, bomba da direção hidráulica) que está causando o ruído. É importante também verificar se a tensão da correia está correta antes de culpar a pobre bomba d’água.

Pás quebradas: o eixo deslocado permitiu o contato das pás com o alojamento da bomba no bloco

Por último, em caso de dúvida, verifique se o fluido de arrefecimento retorna ao vaso de expansão. Se não estiver retornando, pode ser que a bomba esteja parada. É possível também que a válvula termostática esteja emperrada ou inativa. A verificação pode ser feita de duas formas: nos carros com OBD II, é possível usar um scanner. Como o gerenciamento é eletrônico, a ECU do motor tem a informação da temperatura do fluido de arrefecimento, que é o dado usado para disparar o sinal que ativa a válvula e o ventilador do radiador. Se a válvula estiver ativada, a ECU terá a informação do sinal.

Parede riscada: o eixo foi deslocado, a hélice girou inclinada, raspando a carcaça da bomba

Quando a válvula se abre, o fluido de arrefecimento passa pelo radiador, onde é resfriado antes de retornar ao motor. Por isso, a mangueira de entrada no radiador tem uma temperatura externa mais alta que a mangueira de saída. Esta é a outra forma de verificar se é a válvula que parou de funcionar.

Para constatar manualmente, você deve comparar as temperaturas da mangueira de entrada e de saída do radiador após a ativação do ventilador do radiador. Se a mangueira de saída (a que vai do radiador para o cabeçote) estiver fria, significa que a água não foi desviada pela válvula e não passou pelo radiador — ou seja: a válvula está com problema. Se ela estiver quente, porém menos quente que a mangueira de entrada (a mangueira que vem da válvula termostática para o radiador), significa que a água circulou pelo radiador e que a válvula funcionou corretamente.

Se constatar que é realmente a bomba, evite usar o carro e providencie a substituição da peça.

 

Vazamento de fluido

Evidentemente estou falando do vazamento de fluido na própria bomba d’água e não no restante do sistema. Os vazamentos acontecem normalmente em caso de falha dos retentores que mantém a impermeabilidade da válvula. Essa falha pode ocorrer por várias razões. Uma delas é o deslocamento do eixo da bomba por algum defeito em seu rolamento.

Outra é a deterioração dos selos e retentores pelo acúmulo de depósitos do sistema de arrefecimento, ou mesmo pelo uso de fluido inadequado. Nesse caso, eles reagem com o material da vedação e causam a deterioração que permite o vazamento. Ainda é possível que o vazamento ocorra por corrosão da carcaça da bomba, também causada pelo acúmulo de depósitos na bomba.

 

Sujeira no sistema de arrefecimento

Note os depósitos de resíduos em toda a bomba. Eles danificaram o rolamento, travando-o e impedindo a circulação do fluido no sistema

No sistema de arrefecimento não deveria haver nada além do fluido de arrefecimento e seus componentes internos. Mas… quando você usa fluidos inadequados ou permite a entrada de ar no sistema, podem ocorrer reações físico-químicas indesejadas que causam a oxidação dos componentes. Como o sistema não tem filtros, os resíduos e partículas que se desprendem das partes oxidadas acabam impregnando as partes do sistema. Se você notar uma alteração drástica na cor do fluido de arrefecimento ou perceber impurezas, certamente há algo errado no sistema.

Pode ser qualquer parte, mas também pode ser a bomba — e ela poderá falhar porque estes resíduos tendem a se depositar nas partes da bomba, e você já viu mais acima o que acontece quando eles se depositam na bomba. É por isso que a verificação do fluido de arrefecimento é um procedimento que deve ser realizado periodicamente. Você irá detectar eventuais vazamentos e sujeira antes que a situação esteja crítica e você acabe na mão. Ou melhor: a pé.

 

Superaquecimento do motor

Motores de combustão interna trabalham em uma faixa ideal de temperatura. Quando esta faixa é excedida, acontece o superaquecimento. Não é necessariamente aquela situação em que o a tampa do reservatório de expansão estoura e dispara fluido fervente em tudo ao seu redor. O superaquecimento pode ser simplesmente a temperatura excessiva do fluido no sistema.

Você irá perceber isso pelo indicador de temperatura no painel — seja ele na forma de luz espia ou de termômetro mesmo — e pelo acionamento frequente e constante do ventilador do radiador, uma vez que ele é ativado sempre que a temperatura se torna crítica. Para fazer o teste, você precisa ligar o motor na garagem (ventilada, lembre-se), com o sistema de ventilação/ar-condicionado desativado, mantém o motor em marcha lenta e aguarda o acionamento da ventoinha. Após algum tempo ela deve se desativar, o que indica que o fluido de arrefecimento já atingiu sua temperatura ideal novamente.

Caso ela persista ligada ou seja ativada novamente em um curto intervalo de tempo, provavelmente há algum problema no sistema. Pode ser a válvula termostática (verifique fazendo o teste das mangueiras), mas pode ser também que a bomba simplesmente tenha deixado de bombear o fluido pelo sistema. Nesse caso, desligue o motor e providencie o reparo da bomba.

 

Vazamento de vapor

O vazamento de vapor acontece quando o motor já superaqueceu drasticamente, causando a vaporização do fluido, o que aumenta a pressão no sistema de arrefecimento a ponto de romper uma mangueira, abrir a válvula de segurança da tampa do reservatório de expansão, ou simplesmente expulsar a tampa do bocal. Novamente, o superaquecimento pode ter sido causado pelo travamento da válvula termostática ou pela falha da bomba d’água.

Nesse caso, com o sistema a bem mais de 100ºC e sob pressão, não é seguro fazer nenhum diagnóstico imediato. Desligue o motor e espere o sistema esfriar. Se tiver uma tampa reserva (alô, proprietários do Rocam!), com o motor já frio, dê a partida e observe se a bomba está funcionando corretamente, sem ruídos e faça o teste das mangueiras sempre observando o temperatura pelo painel para não correr o risco de ter o sistema estourando novamente, agora na sua cara.

 

 

ESTE Gol GTS 1.8
PODE SER SEU!

Clique aqui e veja como