A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Carros Antigos

Dois Iso Grifo e uma emocionante história de pais e filhos

Algumas pessoas têm a sorte de dirigir seu carro favorito todos os dias. Darren Frank, um entusiasta que mora em Charlotte, nos Estados Unidos, é uma dessas pessoas: seu carro favorito é o Iso Grifo, esportivo italiano com alma de Chevrolet Corvette que só teve 413 unidades fabricadas entre 1965 e 1974.

Darren tem sorte em dobro: não um, mas dois Iso Grifo passaram por sua vida: o carro de seu pai na década de 1960 e, quase 30 anos depois, outro exemplar que ele comprou para si como homenagem ao homem que o inspirou a gostar de carros. Mas estes dois carros acabaram protagonizando um verdadeiro dilema.

Ainda não é assinante do FlatOut? Considere fazê-lo: além de nos ajudar a manter o site e o nosso canal funcionando, você terá acesso a uma série de matérias exclusivas para assinantes – como conteúdos técnicoshistórias de carros e pilotosavaliações e muito mais!

 

FLATOUTER

Plano de assinatura com todos os benefícios: acesso livre a todas as edições da revista digital do FlatOut e demais matérias do site, download de materiais exclusivos, participação em sorteios e no grupo secreto no Facebook (fique próximo de nossa equipe!), além de veiculação de até 7 carros no FlatOuters e até 3 anúncios no site GT40, bem como descontos em oficinas e lojas parceiras*!

R$20,00 / mês

*Benefícios sujeitos ao único e exclusivo critério do FlatOut, bem como a eventual disponibilidade do parceiro. Todo e qualquer benefício poderá ser alterado ou extinto, sem que seja necessário qualquer aviso prévio.

CLÁSSICO

Plano de assinatura na medida para quem quer acessar livremente todas as edições da revista digital do FlatOut e demais matérias do site1, além de veiculação de até 3 carros no FlatOuters e um anúncio no site GT402.

De R$14,90

por R$9,90 / mês

1Não há convite para participar do grupo secreto do FlatOut nem há descontos em oficinas ou lojas parceiras.
2A quantidade de carros veiculados poderá ser alterada a qualquer momento pelo FlatOut, ao seu único e exclusivo critério.

Para Darren, o Iso Grifo é simplesmente o carro mais fantástico que já existiu – é seu carro favorito, afinal. E ele tem bons motivos. Argumentos convincentes.

 

Fruto de uma época na qual várias fabricantes europeias estavam investindo em esportivos com mecânica norte-americana – criando, assim, uma cena “muscle cars europeus”, mais luxuosos e requintados que os originais dos EUA – o Iso Grifo juntava o design assinado pelo lendário Giorgetto Giugiaro no estúdio Bertone com a mecânica do Chevrolet Corvette C2. Podia ser tanto o small block de 327 pol³ (5,4 litros) e 350 cv, ou o big block 427 com 440 cv – este último carregava o sugestivo sobrenome “7 Litri” e, de acordo com a Iso, podia chegar aos 300 km/h se tivesse espaço suficiente.

Darren acredita que a combinação de design italiano e poderio norte-americano fazem do Iso Grifo o melhor carro que se podia comprar na década de 1960. E seu pai achava a mesma coisa – tanto que comprou um em 1966. Depois de ver o carro de perto no Salão de Nova York daquele ano, Elliot Frank viajou até a Itália para fechar o negócio direto com a Iso – era assim que se fazia as coisas naquela época. Depois, o carro foi enviado de navio para Nova Jersey, onde ficava a casa dos Frank.

Como Frank conta neste vídeo, o Iso Grifo verde acabou se tornando objeto de uma forte ligação entre seu pai, seu irmão Jamie, e ele próprio – passeios aos fins de semana e tardes de domingo lavando carro são memórias gravadas a ferro quente na mente de Darren. Ele tinha muito orgulho de não conhecer outro garoto cujo pai tinha um Iso Grifo na garagem. Por mais que tivesse mecânica conhecida nos EUA, o Iso Grifo era um carro de luxo para conhecedores – e custava bem mais caro. O pai de Darren Frank era aposentado do exército e entusiasta dos automóveis. Quando chegou o momento de comprar um esportivo, ele não teve dúvidas de que colocaria na garagem algo mais exótico que um Mustang ou Corvette.

A relação do senhor Elliot Frank com o carro, porém, não durou tanto tempo: em algum momento entre 1968 e 1969 (Darren não sabe dizer com certeza), o Iso Grifo foi atingido por outro carro, cujo motorista bateu em retirada logo depois – mas não sem antes atirar o charmoso cupê italiano contra uma árvore. Como os danos eram muito extensos, Elliot decidiu vender o carro em vez de consertá-lo.

Não muito tempo depois, em 1970, Elliot Frank morreu de um câncer de pulmão. Então com 11 anos de idade, Darren prometeu que, quando fizesse 30 anos, iria procurar um Iso Grifo para chamar de seu e honrar o pai.

Em 1989, ele encontrou – um Iso Grifo vermelho que só foi negociado depois que Darren aceitou comprá-lo da forma que estava, sem possibilidade de desfazer a compra. Darren restaurou o carro na mesma época em que nasceu sua filha Charlotte. Ela sempre adorou o Iso Grifo, e Darren percebeu que o laço entre ele e sua filha graças ao carro era muito parecido com a ligação que tinha com seu pai. Mas agora, o pai era ele.

Então, no final da década de 1990, Darren estava dando um passeio com o Iso Grifo quando uma picape começou a colar na sua traseira. Em determinado momento ele parou no acostamento e o motorista da picape lhe disse: “eu tenho um carro igual a esse na minha garagem!”

Darren não acreditou muito, mas o homem insistiu e deu a ele um número de telefone rabiscado em um papel.

Demorou dois meses para que o homem finalmente atendesse o telefone. Quando Darren disse seu nome, ele simplesmente perguntou: “Você é o filho de Elliot Frank? Eu comprei o carro do seu pai!”

Darren imediatamente pegou suas coisas e foi até a casa do homem. A princípio ele não estava levando muita fé na história – por mais raro que fosse o Iso Grifo, poderia ser outro carro.

Havia um jeito de descobrir. Darren lembrava que, um dia, seu pai estava levando uma câmera com tripé no banco do carona – Elliot Frank sabia que tinha um carro raro nas mãos, mas naquela época os tempos eram outros. Quando guardou o carro na garagem e foi tirar os equipamentos do carro, o pai de Darren deixou o tripé cair e fazer um rasgo no assoalho do passageiro. “Quando vi o rasgo ali, senti um arrepio na espinha”, Darren conta. O homem, que se chamava Joe e foi o responsável por consertar o carro, deixou o rasgo ali.

 

Os dois mantiveram contato e fizeram um acordo: se um fosse vender o Iso Grifo, Joe avisaria Darren, que teria prioridade no negócio. E isto o deixou mais tranquilo.

O dia chegou há alguns anos – mas não foi exatamente como Darren esperava. Era certo que ele teria de vender seu Iso Grifo vermelho para comprar o carro que havia sido do seu pai. Assim como fez antes, ele teria trabalho pela frente, mas o carro era uma relíquia de família e merecia o esforço – disso não havia dúvida.

Acontece que o próprio Darren já não era mais apenas o filho de Elliot Frank. Ele também era pai de Charlotte Frank, que nasceu na mesma época da restauração do carro vermelho. Ela cresceu dentro do Iso Grifo – e até ajudava seu pai a cuidar dele à medida em que foi crescendo. “Tenho fotos dela com três anos de idade guardadas no porta-luvas”, ele conta.

Então, quando Darren foi contar a sua filha que estava pensando em comprar o carro verde de volta, ela ficou desolada, e explicou a seu pai por que ele não poderia fazer aquilo: por mais que o carro verde tivesse sido de seu avô, era no carro vermelho que suas memórias estavam.

Darren então seu deu conta de que, como seu pai fizera com o Iso verde, ele também havia criado um laço afetivo entre o Iso vermelho e sua filha. Agora ele era o pai que proporcionava momentos inesquecíveis a bordo de um Iso Grifo.

No fim das contas, Darren percebeu que, diferentemente dele, sua filha não precisaria matar a saudade do carro do pai. E, em uma decisão certamente agridoce, abriu mão de recuperar o carro de suas memórias de infância para manter as memórias de infância de sua filha — e continuar o presente com ela. E foi assim que o Iso Grifo de Elliot Frank continuou com a pessoa que o comprou há quase cinco décadas.

Darren percebeu que o carro que ele comprou depois, inspirado por seu pai, já era um tributo bom o suficiente – e representava a paixão pelo automóvel passando de geração a geração. Gostamos de pensar que, onde quer que esteja, o pai de Darren Frank aprova a decisão do filho – e também deve estar orgulhoso da neta.

Matérias relacionadas

Martini T-5R: o Mustang clássico de corridas que veio de uma realidade paralela

Dalmo Hernandes

O ano dos barn finds: esta rara Ferrari 250 Lusso passou as últimas décadas esquecida no Paquistão

Leonardo Contesini

Lamborghini, Alfa, Maserati e Isotta: os destaques italianos em Araxá

Leonardo Contesini