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Esta Toyota Hilux tem um V8 AMG de 6,2 litros e 550 cv nas rodas

A Toyota Hilux não é exatamente o carro favorito dos entusiastas. Ao contrário – muitos torcem o nariz para a picape média da Toyota, falando sobre suas tendências ao capotamento e ao uso irresponsável que alguns donos fazem dela em rodovias. Afinal, picapes nasceram como veículos de trabalho e, para tal, a Hilux é extremamente competente. Para pegar a estrada em alta velocidade, porém, ela não é muito indicada – como qualquer picape com carroceria sobre chassi, diga-se. Centro de gravidade alto, peso elevado e suspensão macia não são a melhor combinação possível para acelerar.

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Mas existe ao menos uma Hilux que os fãs de esportivos não podem criticar: a Hilux de um entusiasta sul-africano chamado Quentin Boylan, que virou um sleeper e tanto graças ao motor V8 AMG debaixo do capô. Sim, você leu certo – a imagem de abertura deste post é 100% legítima, afinal. Bem como o clipe abaixo:

A Hilux só existe por causa de outro projeto V8 AMG: um Lotus Exige – que, ironicamente, veio de fábrica com um motor Toyota atrás dos bancos dianteiros.

Quentin é mais conhecido na comunidade do tuning sul-africano por seus Honda Civic preparados para arrancada – ele tem um EK cupê capaz de cumprir o quarto de milha (402 metros) em 8,27 segundos a 290 km/h e está montando um cupê convertido para tração traseira, também para as dragstrips.

 

Como brinquedo de track day, ele iria montar o seu Lotus Exige com um K24, mas o assistente de sua oficina lhe deu a ideia de colocar um motor V8 AMG no carro – e até o ajudou a obter o coração de um SLS AMG para a empreitada, com cárter seco e tudo.

No fim das contas, Quentin teve de modificar radicalmente o chassi do tipo espinha-dorsal do Exige, aumentando o entre-eixos e alargando a bitola traseira para acomodar o V8 – aproveitando para incluir uma gaiola de proteção integral. Já a carroceria foi toda feita sob medida em fibra de carbono. De certa forma, o Exige de Quentin é como uma versão sul-americana do Hennessey Venom GT, com uma boa dose de tempero alemão.  O motor recebeu novos coletores de admissão e escape e uma ECU MoTec para entregar 583 cv e 73,4 kgfm de torque, moderados por uma caixa sequencial Aisin de seis marchas. É bastante força para um cupê de 1.100 kg, claro, mas Quentin já está procurando um supercharger para torná-lo ainda mais insano.

Mas não é do Lotus-AMG que este post trata, e sim da Hilux – que é o veículo que Quentin usa para transportar o Exige para a pista e trazê-lo de volta depois de se divertir bastante.

Foto: Speed and Sound Magazine

A escolha da Hilux não foi uma questão de acaso, mas de conveniência – Quentin é dono de um ferro-velho especializado em Toyota (ainda que tenha peças e carros de outras marcas no pátio), e foi assim que a Hilux acabou indo parar em suas mãos. Ela estava em bom estado, totalmente original e documentada. Foi questão de ligar os pontos, apenas.

Quentin pensou, no início, em colocar um V8 LS na Hilux – um small block de 5,7 litros e 350 cv, o que certamente seria o bastante para a maioria das pessoas. Depois de quebrar a cabeça por alguns dias, porém, Quentin acabou com a resposta caindo em seu colo: um S63 AMG da geração passada (W221) acidentado, com perda total declarada – mas o conjunto mecânico ainda intacto. Não foi preciso pensar muito para decidir que o V8 M156 naturalmente aspirado de 6,2 litros iria parar no cofre da Hilux. Era exatamente o que Quentin queria: um motor grande, mais moderno e mais potente que um LS da GM, mas ainda naturalmente aspirado. Se o S63 fosse um exemplar da geração atual, com motor V8 biturbo de 5,5 litros, Quentin talvez ainda estivesse na busca.

Foto: Speed and Sound Magazine

Aliás, para um cara versado como Quentin, a parte mais difícil do swap foi mesmo colocar as mãos em um V8 AMG – a cirurgia em si não foi tão complicada: havia bastante espaço no cofre da Hilux, e o casamento do V8 com o chassi da picape transcorreu sem grandes complicações. Foi preciso, porém, encomendar coletores de escape feitos sob medida. Também foi instalada uma ECU MoTec para controlar o motor – e conseguir um fôlego extra: de acordo com Quentin, a Hilux dispõe de 558 cv nas rodas (originalmente o M156 do S63 entrega 525 cv no virabrequim) e 76,5 kgfm a 1.500 rpm.

A central MoTec, porém, mostrou-se incapaz de conversar direito com a caixa original do Mercedes – a AMG Speedshift 7G-Tronic, de sete marchas. Então, foi convocada para o serviço uma transmissão Toyota GD6, manual de seis marchas, adaptada ao V8 AMG com a ajuda de dois discos de embreagem D4D, originais da Hilux. Ou seja: o projeto ficou mais old school por motivo de força maior. A gente não vai reclamar.

Chamar a Hilux de sleeper faz sentido porque, apesar dos adesivos e emblemas AMG, da suspensão mais baixa e das rodas A-Line de 20 polegadas e dos freios do Golf R Mk6 visíveis através delas (com discos de 345 mm na frente e 310 mm atrás), não há muito mais do lado de fora que indique a dose cavalar de veneno que ela recebeu. E o interior foi mantido totalmente stock, com o mesmo nível de conforto e equipamentos que qualquer outra Hilux da geração passada.

Só quando, digamos, Quentin resolve queimar um pouco de borracha é que se percebe que tipo de animal é esse. E não dá para não ter ideias malignas… qual seria o melhor motor para uma versão brazuca deste projeto?

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