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Este carro é um Cadillac ATS-V 2016 e um Cadillac 1948 ao mesmo tempo

O Cadillac 1948 é um ícone do tempo em que os carros americanos eram grandes, luxuosos, potentes e completamente feitos de lata. Eles também eram todos meio parecidos entre si – algo que nossos descendentes provavelmente dirão dos carros de nossa geração, também.

Os carros daquela época também costumavam ser chamados pelo ano em que eram lançados – na verdade, o Cadillac 1948 é a terceira geração do Cadillac Series 62. Se você não for especialista neste tipo de carro, fica fácil confundi-lo com qualquer outro, mas a gente te ajuda a identificar os elementos característicos: o formato característico da grade dianteira, com os “dentes” cromados na parte interna, os faróis arredondados no topo dos para-lamas, o “calombo” no capô, o caimento suave da traseira e as lanternas nas extremidades superiores nos para-lamas traseiros.

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Foi na terceira geração doSeries 62 que a Cadillac introduziu a versão Coupe de Ville, que foi um dos primeiros cupês hardtop sem coluna central – um charme que é cobiçado até hoje pelos entusiastas do Detroit iron da década de 1950. E também e um dos nomes mais longevos da companhia: até 2005, vários modelos grandes da companhia tiveram uma verdão Coupe de Ville ou simplesmente “de Ville”.

O Cadillac 1948 também é uma escolha popular entre os hot rodders, e com razão: além do estilo que recebe muito bem a customização típica dos hot rods, ele tem bastante espaço para receber um motor maior e mais potente, por exemplo. Foi exatamente o que os caras da Ringbrothers fizeram.

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Mas desta vez a customizadora americana, que ficou famosa pela ousadia de seus projetos, não se contentou em modificar a carroceria e preparar o motor como nos projetos comuns de hot rods. Na verdade, tudo o que restou do clássico foi justamente a carroceria, extensamente modificada para acomodar todo o conjunto mecânico e de suspensão do Cadillac ATS-V.

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Se você não lembra qual dos Cadillac modernos é o ATS-V (culpa dos nomes alfanuméricos que as fabricantes andam colocando em seus carros há anos), vamos refrescar sua memória: o sedã ATS foi lançado em 2012, para ficar abaixo do CTS-V, dividindo a plataforma Alpha da General Motors com ele e com o novo Camaro. A gente andou no novo Camaro SS 2017 recentemente, e podemos confirmar que ele anda muito, nas retas e nas curvas (leia mais a respeito na nossa análise completa!). Dizem pela imprensa internacional que o ATS herdou estas características.

Foi por isto que os Ringbrothers decidiram usar sua versão mais nervosa como base para seu projeto, batizado como Madam V. O Cadillac ATS-V foi feito para brigar com o BMW M3 e o Mercedes-AMG C63 e, para tal, conta com um V6 biturbo de 3,6 litros com respeitáveis 470 cv a 5.850 rpm e 61,5 mkgf de torque a 3.500 rpm. O câmbio pode ser manual de seis marchas ou automático de oito marchas, e seus números são respeitáveis: o 0-100 km/h é cumprido em 3,7 segundos e o quarto-de-milha, em 12,1 segundos a 187 km/h. A velocidade máxima é de 304 km/h. O bicho é um canhão, vá lá.

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A verdade é que os Ringbrothers utilizaram componentes de quatro carros para montar o Madam V: um par de Cadillac 1948, um ATS-V 2015 e um ATS-V 2016 zero-quilômetro.

Uma carroceria foi feita com painéis modificados dos dois Cadillac antigos, enquanto a estrutura de um dos ATS-V (a Ringbrothers ainda não esclareceu qual foi a contribuição de cada um dos carros no projeto) foi alongada em 35 cm, a fim de acomodar carroceria. Naturalmente, a carroceria também recebeu modificações – os pneus e as bitolas do ATS-V são mais largos. No fim das contas, o encaixe ficou perfeito.

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Originalmente, o motor V8 de 331 pol³ (5,4 litros) com comando no bloco do Cadillac 1948 entregava 160 cv. Talvez por isto os caras tenham optado por deixar o conjunto mecânico do ATS-V completamente original, do motor V6 ao câmbio automático de oito marchas.

As formas da carroceria não mudaram muito, mas diversos elementos característicos forma modernizados: a grade e os para-choques cromados originais deram lugar a peças mais discretas e escurecidas, os faróis receberam lentes fumê e projetores, as lanternas ganharam lentes rubi e as portas perderam as maçanetas. Já as rodas foram trocadas por um jogo de HRE, que bem que poderiam ter um visual mais retrô. A suspensão ajustável do Cadillac ATS-V confere uma postura sinistra.

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O maior choque seja talvez o momento em que se abre a porta: o interior do ATS-V está lá, intacto, com tudo funcionando. A Ringbrothers fez questão de trabalhar junto com a General Motors para garantir que toda a sofisticada eletrônica do ATS-V fosse preservada, utilizando apenas cabos e conectores aprovados pela fabricante. Para não dizer que ficou 100% idêntico, os revestimentos de porta tiveram de ser feitos sob medida, pois os novos simplesmente não encaixavam por causa do formato.

Não restam dúvidas quanto à capacidade do carro na hora de acelerar – é um ATS-V zero quilômetro, caramba! O visual, por outro lado, talvez não agrade todo mundo. Mas não dá para dizer que ficou feio, dá?

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