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A gente aposta que você nunca viu um Fusca com motor de Honda CBR 1000… até agora

É uma receita conhecida aqui no FlatOut: pegar um carro pequeno e leve, normalmente de motor traseiro, colocar nele o motor de uma moto esportiva e fazer todo mundo ficar de queixo caído — como o Gurgel Supermini com motor de Suzuki Bandit do Joselito Tridapalli, um dos projetos mais insanos que já vimos no Brasil. Nunca é demais ver esse tipo de coisa. Especialmente quando o resultado é tão impressionante como este Fusca com motor de Honda CBR 1000. E ele vem lá da Noruega!

Seu criador se chama Jørn Tangen, e ele não é exatamente um novato quando o assunto é criar projetos insanos baseados nos VW refrigerados a ar.

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Foto: Gatebil.no

Já faz alguns anos que ele ficou famoso ao fazer uma Kombi 1963 split window movida pelo motor boxer de uma VW Vanagon (a geração seguinte da Kombi) ampliado para 2,4 litros, com turbo e 580 cv.

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Jørn sempre leva seus carros para competir no Gatebil Rudskogen, festival de drift e track day realizado algumas vezes por ano nos países escandinavos — que sempre tem como atrações algumas das criações sobre rodas mais extremas da Europa. Olha só a Kombi na pista:

Acontece que, depois de algum tempo com a Kombi pronta, Jørn viu que já era hora de dar início a um novo projeto. Então, em agosto 2013, ele descolou este Fusca:

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No mês seguinte, veio a segunda metade do projeto: o quatro-cilindros com comando duplo no cabeçote e 999,8 cm³ de deslocamento de uma Honda CBR 1000 2008, com apenas 50 mil km rodados. Trata-se de uma bela peça de engenharia, com válvulas de titânio, 175 cv e redline de 13.000 rpm, acoplado a uma caixa sequencial de seis marchas. Na CBR 1000, o conjunto basta para chegar aos 100 km/h em 2,95 segundos, com máxima de 286 km/h.

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Jørn já sabia exatamente o que faria: depenar o carro todo, colocar uma gaiola de proteção, meter o motor na porção central-traseira e acelerar nas próximas edições do Gatebil. Ele conseguiu — o carro fez sua estreia na última edição do evento, que rolou entre os dias 8 e 10 de julho de 2016. Mas deu trabalho, viu?

A única coisa no carro que não foi feita por Jørn no carro foi a gaiola de proteção, que foi feita sob encomenda para ficar de acordo com todas as normas de segurança. Todo o resto, porém, foi feito por suas próprias mãos — de forma tão caprichada que nem parece um projeto do it yourself. E, claro, isto é um elogio.

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O motor foi instalado logo atrás do banco do carona, para equilibrar com o peso do piloto — não tem espaço para mais ninguém lá dentro. Além do motor, há um banco concha, cinto de competição, volante (com aletas para trocas de marcha) os comandos no painel, e não muito mais do que isto. Com a gaiola de proteção garantindo a rigidez do carro, Jørn fez questão de aliviar o máximo de peso possível removendo quaisquer componentes desnecessários — as portas, por exemplo, só trazem o painel externo.

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Há buracos circulares (e perfeitamente simétricos) pelo carro todo que, além de ajudar no arrefecimento do motor (que também recebe ar por dutos nas janelas traseiras de acrílico), acabaram aliviando mais algumas centenas de gramas. O resultado: um carro que pesa cerca de 600 kg — mesmo com um motor elétrico usado para a marcha a ré.

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Com o motor original e seus 175 cv, o carro já parece bem rápido, especialmente com a tocada de Jørn, mas a instalação de um turbocompressor já está planejada para o ano que vem. Antes disso, porém, ele quer ter certeza de que o comportamento dinâmico do carro esteja perfeito — ele já usa componentes do Porsche 944 na suspensão, tanto dianteira quanto traseira, além de amortecedores inboard ajustáveis, mas Jørn ainda não está satisfeito com sua pegada. Os freios e as rodas Fuchs (16×7” na frente, 16×8” atrás) também são do Porsche 944, e os pneus são Nankang NS2R na dianteira e Hoosier A7 na traseira.

Trata-se de um projeto em andamento, mas o capricho na execução é tanto que, se Jørn quisesse parar por aí, tudo bem por nós. Mas a gente sabe que ele não vai.

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Foto: Gatebil.no

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