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Car Culture História

Grand Luxury Injection: uma retrospectiva do VW Jetta GLI ao longo das gerações

Embora o irmão-sedã do Golf sempre estivesse à sua sombra, é inegável que o Jetta conseguiu conquistar o público pelas mesmas qualidades do hatchback: estilo minimalista, com diretrizes inauguradas na primeira geração por Giorgetto Giugiaro. Base mecânica confiável, robusta e sem exotismos, especialmente nas três primeiras gerações. Bom acabamento e, considerando a base Golf, quase sempre uma dinâmica muito bem acertada para um tração-dianteira. E claro, no fim das contas, um espaço extra para a bagagem e uma proposta mais séria e refinada.

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Ao gozar das mesmas boas características do Golf, o Jetta também é encarado por alguns entusiastas como um carro de apelo mais esportivo do que geralmente se vê em seu segmento. É por isto que, desde 1980,  o Jetta também possui sua versão apimentada: a GLI. Não é tão conhecida quanto o Golf GTI nem se fez presente em todas as gerações, mas mesmo assim, conquistou o seu espaço na tradição VAG.

O Jetta GLI de sétima geração foi apresentado nesta semana, e a notícia de que ele tem exatamente o mesmo motor do Golf GTI – o 2.0 TSI de dois litros com turbo e 230 cv  – foi muito bem recebida, bem como o fato de o GLI ser equipado com um eixo traseiro do tipo multilink, em vez do eixo de torção. Assim, mesmo que tenha se distanciado ainda mais do Golf (que está para entrar em sua oitava geração) por assumir uma proposta dimensional que até o aproxima do Passat, o novo Jetta GLI já foi chamado de “sedã do Golf GTI” mais de uma vez.

Analisando o histórico da versão GLI, podemos constatar que há bastante embasamento para o apelido. Quer ver só?

 

Jetta GLI Mk1

A primeira geração do Jetta era, em essência, um Golf Mk1 com um terceiro volume “enxertado” na traseira. Criado em 1979 especificamente para agradar aos norte-americanos, que na época ainda preferiam os três-volumes, o Jetta logo tornou-se o carro europeu mais vendido dos EUA. Sua versão esportiva GLI foi apresentada em 1980, quatro anos depois do Golf GTI.

Na época, o sedã já apresentava uma característica que seria marcante em quase todas as gerações seguintes: o desenho da dianteira, que era diferente do que se via no Golf. Em termos de mecânica e interior, os dois carros eram praticamente iguais.

Para deixar claro que o Jetta era um carro mais requintado, a Volkswagen decidiu batizar sua versão de topo “GLI”. A sigla quer dizer Grand Luxury Injection – GTI, como você deve saber, significa Grand Touring Injection (ou Gran Turismo Injection, dependendo da fonte). Na prática, porém, o primeiro Jetta GLI usava exatamente o mesmo motor 1.6 8v de 110 cv do Golf GTI e tematização semelhante na carroceria, com molduras pretas nos para-lamas e faixas na parte inferior das laterais. Os frisos vermelhos do Golf, porém, davam lugar a frisos cromados no sedã.

Em 1982 o motor do Golf GTI teve o deslocamento ampliado de 1,6 litro para 1,8 litro através de um aumento no diâmetro dos cilindros e no curso dos pistões – de 79,5 x 80 mm para 81 x 86,4 mm. Com isto, o carro ficou mais torcudo: de 14,2 kgfm a 4.000 rpm passou para 15,6 kgfm a 3.500 rpm. E de quebra, vieram 2 cv a mais, passando de 110 cv para 112 cv. Como não poderia deixar de ser, o Jetta GLI ganhou o mesmo motor.

 

Jetta GLI Mk2

A segunda geração do Jetta foi lançada em 1984, primeiro na Europa – onde, afinal, também foi um sucesso. No ano seguinte, chegou aos Estados Unidos. O Jetta Mk2 era um carro de formas mais harmônicas que o Jetta Mk1, que tinha um aspecto mais “improvisado”; era maior e também mais refinado, contando até mesmo com um subchassi para a suspensão dianteira.

A versão esportiva foi lançada em 1985, novamente com o motor do Golf GTI – que ainda era o mesmo 1.8 8v de 112 cv. No entanto, no mercado europeu, a versão passou a se chamar simplesmente Jetta GT. Apenas nos Estados Unidos o carro continuou utilizando o nome Jetta GLI.

Siglas, porém, são detalhes em vista da maior novidade do Jetta Mk2 esportivo: em 1987, foi adotado um novo motor 1.8 16v de 139 cv – novamente, em linha com o Golf GTI. No Reino Unido, aliás, o sedã era vendido como Jetta GTI 16v, enfatizando ainda mais seu parentesco com o Golf. Nos EUA, o Jetta GLI tinha um conversor catalítico, equipamento obrigatório pela legislação norte-americana, que reduzia a emissão de poluentes ao custo de 10 cv a menos.

Além do motor mais potente, o Jetta GLT/GT/GTI também ficou mais parecido com o Golf GTI nos equipamentos: ele vinha com suspensão mais baixa, spoilers na dianteira e na traseira, frisos vermelhos nos para-choques, freios a disco nas quatro rodas, bancos Recaro e painel de instrumentos com conta-giros.

 

Jetta GLI Mk4

A versão GLI “deu um tempo” durante a terceira geração do Jetta, lançada em 1992 na Europa. O Jetta MkIII marcou um ponto de virada na trajetória do sedã, que ficou consideravelmente maior e ainda mais refinado – na Alemanha, ele até mudou de nome, passando a se chamar VW Vento, seguindo a tendência de batismo da marca nos anos 90. O GLI foi substituído indiretamente por duas versões: o Jetta GT, que tinha decoração esportiva, porém era movido por um quatro-cilindros de 110 cv; e o Jetta VR6, que adotava o mesmo motor seis-cilindros em V de ângulo estreito do Golf VR6 – na época, com 174 cv.

Foi só na quarta geração (o carro que conhecemos no Brasil como VW Bora) que o GLI voltou a fazer parte da gama. E, novamente, ele pegou emprestado o conjunto mecânico do Golf GTI, que pela primeira vez era sobrealiementado – o famoso 1.8 turbo com cabeçote de 20 válvulas, 180 cv a 5.500 rpm e 24 mkgf de torque a baixíssimas 1.950 rpm. O motor era acoplado a uma caixa manual de seis marchas, e o conjunto era suficiente para que o Jetta/Bora GLI fosse de zero a 100 km/h em 8,3 segundos.

O visual do carro era inspirado pelo Golf GTI, com uma postura mais agressiva e próxima do chão, e a opção por saias e spoilers dianteiro e traseiro mais pronunciados. No geral, porém, era um carro de visual discreto, que não alardeava suas capacidades – uma pegada mais “sleeper”, caso queira.

 

Jetta GLI Mk5

A quinta geração do Volkswagen Jetta GLI resgatou o parentesco estilístico com o hot hatch. Apresentado em 2006, o sedã tinha o mesmo body kit, a mesma grade preta com padronagem “favo de mel” e friso vermelho, e até as mesmas rodas “Monza” usadas no Golf GTI. Pela primeira vez em todas as gerações do Jetta até então, o Mk5 tinha a mesma dianteira do Golf.

O conjunto mecânico também era idêntico: o então novo motor TSI de dois litros, com 200 cv entre 5.100 e 6.000 rpm e 28,5 mkgf de torque entre 1.700 e 5.000 rpm, que vinha de série acoplado a uma caixa manual de seis marchas.

Como opcional, pela primeira vez era oferecido o câmbio DSG de dupla embreagem e seis marchas. O Jetta GLI era capaz de ir de zero a 100 km/h em 7,1 segundos – tempo 1,2 segundo mais baixo que a geração anterior.

 

Jetta GLI Mk6

Se o Jetta Mk5 era, literalmente, um Golf sedã, a partir da sexta geração os caminhos dois dois modelos se separaram. Introduzido em 2008, o Golf Mk6 era pouco mais que um facelift do Mk5. Já o Jetta permaneceu na quinta geração até 2010, quando foi lançado seu sucessor – um carro diferente do Golf Mk6, embora compartilhasse a mesma plataforma. E, enquanto o Golf ganhou sua sétima geração, feita sobre a plataforma MQB em 2011, o Jetta Mk7 só foi lançado em 2018, numa proposta bem mais distante do hatch.

O Jetta GLI MK6, embora continuasse interessante, já não era tão literalmente um GTI sedã. Nos EUA, ele recebeu o mesmo motor 2.0 TSI de 200 cv que tivemos no nosso Jetta Highline – 20 cv a menos que o Golf GTI. Era possível comprá-lo com câmbio manual de seis marchas ou DSG de seis marchas. O GLI, a exemplo das versões topo de linha do Jetta, tinha suspensão traseira multilink, enquanto as versões mais simples usavam um eixo de torção – solução mais barata, porém inferior dinamicamente.

A versão GLI também tinha aspecto mais esportivo do que o nosso Jetta Highline, com grade estilo colmeia e entradas de ar maiores no para-choque dianteiro, além de rodas com cinco raios duplos e pinças de freio pintadas de vermelho. Da mesma forma que o Jetta Highline vendido no Brasil, em 2013 o Jetta GLI adotou um motor mais potente, de 211 cv, acompanhado de uma leve reestilização.