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História Zero a 300

Mercedes-Benz G-Wagen: oito fatos que fazem dele um dos SUVs mais icônicos do mundo

Você deve ter visto no Zero a 300 de hoje que a Mercedes-Benz apresentou o painel e parte do interior do novo Classe G, primeira geração totalmente nova de seu tradicional utilitário desde 1990. Por mais que esse tipo de revelação a conta-gotas seja torturante, difícil é não ficar ansioso para saber de uma vez como ficará o novo Geländewagen. 

Pelo que sentimos até agora, não será uma revolução – até porque ninguém espera ou quer um G-Wagen muito diferente do que se tem até hoje. Além disso, o novo Jeep Wrangler está aí para provar que é possível ficar bem melhor com atualizações simples e bem pensadas.

Só saberemos de verdade como será o novo Mercedes-Benz G-Wagen quando ele for apresentado no Salão de Detroit, cuja próxima edição acontecerá em janeiro de 2018. Até lá, só podemos aguardar os novos vazamentos. Mas falta pouco!

Enquanto esperamos, aproveitemos para relembrar alguns fatos a respeito do Mercedes-Benz Classe G. Talvez você saiba alguns deles, talvez saiba todos, talvez não conhecesse nenhum. O que importa é que é por estas (e outras) coisas que o G-Wagen é um SUV incrível e, em termos de reputação, divide espaço com o Land Rover Defender e o Jeep CJ/Wrangler.

 

Ele tem raízes militares – e presta serviço até hoje

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Tal qual os SUVs que acabamos de citar, o Mercedes-Benz G-Wagen surgiu na caserna. Sua criação foi ideia do último Shah iraniano Mohammad Reza Pahlavi, que em 1970 era um dos principais acionistas e aparentemente queria um veículo militar com o status conferido pela estrela de três pontas na grade. Tanto que foi dele uma das primeiras grandes encomendas.

Para tal, deveria ser um veículo robusto, simples de manter rodando e de que não custasse muito para produzir. Em casos assim, estética e conforto ficam em segundo plano – a forma segue a função. Por isso o G-Wagen é quadrado e rústico, apostando em métodos de construção e componentes mecânicos tradicionais: carroceria sobre chassi, suspensão por eixo rígido, motor dianteiro longitudinal, opções a diesel, tração integral, diferenciais com autoblocante.

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Por mais que tenha enveredado pelo caminho civil, o G-Wagen de fato presta serviços militares desde o início de sua fabricação. Para tal fim, ele conta com versões blindadas mais simples, para deslocamento de oficiais e escolta; e também versões armadas para reconhecimento de campo, com torrete no teto, eixo traseiro duplo e blindagem pesada.

Alemanha, Áustria, Argentina, Suécia, Iraque, Grécia, Suíça, Suécia, Finlândia, Portugal e diversos outros países utilizaram ou utilizam regularmente o G-Wagen em seus exércitos.

 

Ele é o segundo modelo mais antigo da Daimler ainda em produção

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Ironicamente, o Shah Palahvi foi deposto pela Revolução Islâmica em 1979, colocando fim a décadas de governo da monarquia persa. Foi exatamente o ano em que o G-Wagen começou a ser fabricado pela Mercedes-Benz, e com isto o Irã acabou jamais encomendando sua frota.

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O caso é que, de 1979 até hoje, o G-Wagen jamais deixou a linha de montagem. São 38 anos que fazem do Classe G o segundo modelo mais antigo da Mercedes ainda em produção. Ele só fica atrás do Unimog, que foi lançado em 1947 – exatos 70 anos atrás.

 

Ele já foi fabricado pela Peugeot

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Sim, pela Peugeot! Foi uma aliança entre a Daimler e a fabricante francesa que, na década de 60, decidiu que era hora de substituir sua frota de 10.000 Jeeps por algo mais moderno. Depois de diversas tentativas de negociação com várias empresas diferentes, chegou-se à Mercedes-Benz. O acordo foi selado ainda nos anos 70, e ficou estipulado que a Mercedes-Benz fabricaria a carroceria e o interior, enquanto a Peugeot instalaria o motor, cuidaria da parte elétrica e também tomaria conta da pintura e do acabamento final. Também acertou-se que seriam feitos 15.000 exemplares

O resultado foi o Peugeot P4, equipado com motores quatro-cilindros a gasolina e a diesel e dotado de diferentes versões, blindadas e não blindadas, utilizadas pelo exército francês até hoje. Só um detalhe: desde 1985, quem toma conta da produção é a Panhard, que fabrica por volta de 6.000 exemplares todos os anos.

 

Ele só teve duas gerações até hoje – mas teve dezenas de versões

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Sim, só duas: a primeira foi lançada em 1979 e a segunda, em 1990, onze anos depois. Não nos surpreenderemos, então, se a geração a ser lançada no ano que vem durar uns 15 anos.

Isto não significa, porém, que o G-Wagen não passou por diversas atualizações no caminho, nem que ele não ganhou literalmente dezenas de versões em seus quase 40 anos de carreira. Mesmo que muitas delas tenham sido promovidas logo nos primeiros anos e mantidas desde então, em mais uma evidência de que a Mercedes sabia o que estava fazendo.

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Olha só: em 1981 vieram a opção pelo câmbio automático, o sistema de ar-condicionado, um tanque de combustível auxiliar, grades para os faróis e um guincho. Em 1982, foi introduzido o primeiro sistema de injeção eletrônica, além de bancos mais confortáveis e com melhor apoio, aquecedor, pneu mais largos e para-lamas maiores. Em 1985 foi a vez do autoblocante (nos diferenciais dianteiro e traseiro), travas elétricas e conta-giros. Àquela altura já haviam sido fabricados mais de 50.000 exemplares do G-Wagen.

Foi também nesta época que a Mercedes-Benz começou a enxergar o G-Wagen com outros olhos. A introdução do G-Wagen para uso civil não foi casual, como aconteceu com outros que vieram antes dele – foi planejada. Desde o início a Mercedes estipulou que o Classe G seria um veículo off-road bom para uso civil e não civil. No entanto, foi no início dos anos 90 que a companhia viu um nicho mais específico: o dos super-SUVs de luxo.

 

A primeira versão com motor V8 veio em 1993, e o primeiro V8 AMG em 1999

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A chegada da nova geração, em 1990, trouxe uma preocupação maior em tornar o G-Wagen mais apropriado para uso civil, com a adoção de freios ABS, tração integral com três diferenciais e autoblocante eletrônico e, apartir de 1993, um motor V8. Até então, o Classe G só havia usado motores de quatro, cinco ou seis cilindros em linha, a gasolina ou a diesel.

O motor V8 do 500GE, que foi fabricado por apenas dois anos, tinha cinco litros e entregava 231 cv. Depois de um tempo em hiato, o V8 voltou em 1998, e pouco depois serviu de base para o primeiro G-Wagen a receber o tratamento AMG.

O G55 AMG, lançado em 1999, era movido por um V8 de 5,4 litros que, equipado com um supercharger, chegava aos 354 cv e era capaz de chegar aos 100 km/h na casa dos seis segundos, com máxima de 210 km/h. Não era muito rápido, mas era sem dúvida o mais rápido e mais potente de todos os G-Wagen lançados até então. No entanto, ele foi só o primeiro Classe G AMG de muitos outros que vieram depois.

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Em 2002, por exemplo, o G63 AMG fez sua estreia. Com o mesmo motor V12 de 6,3 litros usado no S63 AMG daquele ano, o super SUV tinha 444 cv e 75,2 mkgf de torque moderados por um câmbio automático de cinco marchas. Era o bastante para ir de zero a 100 km/h em 5,9 segundos.

 

A Mercedes-Benz tentou substituí-lo em 2007, mas não conseguiu

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A chegada dos modelos AMG era o que faltava para que o G-Wagen se tornasse um dos favoritos de celebridades e pessoas muito ricas em geral – e levou a Mercedes a oferecê-lo com o que acaba manchando a percepção do utilitário pelo público em geral, que o enxerga como uma maneira extremamente opulenta de ir ao shopping. Quem é entusiasta, porém, sabe que ele não foi feito para isto, e que o Classe G é um dos veículos mais valentes que se pode comprar. Mesmo com bancos de couro, navegador por GPS no painel, ar-condicionado dual zone e outros equipamentos caros.

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E foi por isso que, em 2007, a Mercedes-Benz não conseguiu substituir o Classe G pelo Classe GL, um utilitário com construção monobloco e linhas ainda imponentes, porém mais suaves, que se comportava melhor no asfalto. A demanda do público pelo Geländewagen (que, em tempo, significa “veículo cross country“) continuava alta, e por isso ele continuou em linha até hoje. E vai ganhar uma nova geração no ano que vem.

E ainda fez uma versão com tração 6×6 e um SUV-limousine-conversível

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Nos últimos dez anos, a Mercedes-Benz deu o braço a torcer e criou versões cada vez maiores, mais potentes e opulentas do Classe G. A mais insana delas veio em 2013: o Mercedes-Benz G63 AMG 6×6, uma versão gigantesca do SUV com seis rodas e tração em todas elas.

Além do V8 de 5,5 litros — capaz de entregar 544 cv a 5.500 rpm e 77,5 mkgf de torque entre 2.000 e 5.000 rpm, o G63 AMG 6×6 tem eixos do tipo portal, entre-eixos de 3,1 metros, ângulo de ataque de 52° e pneus de 37 polegadas de diâmetro — características que lhe garantem a capacidade de enfrentar quase qualquer coisa, de ladeiras íngremes a passagens de água de até um metro de altura.

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Já a loucura mais recente veio ainda neste ano: o Maybach G650, primeiro produto da submarca Mercedes-Maybach feito com base no G-Wagen. Ele parte do G500 4×4² e conta com seus eixos-portal, seu diferencial com blocante de até 100% e a caixa de transferência com relações reduzidas. O motor, porém, não é um V8 biturbo, e sim o mesmo V12 biturbo de seis litros, 630 cv e 101,7 mkgf do que já pode ser encontrado no G65 AMG. Além disso, graças aos eixos e às enormes rodas de 22 polegadas, que são calçadas com pneus 325/55, o G650 Landaulet tem um vão livre de nada menos que 45 cm do solo.

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Ele também é uma amostra de como o apelo do G-Wagen mudou ao longo dos anos, embora o veículo em si não tenha mudado muito. A nova geração deverá permitir novos itens de conforto, novos recursos tecnológicos e novas configurações de carroceria e interior.