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Need for Speed: Porsche Unleashed | FlatOut Retro Review

Em seus primórdios, no começo da década de 1990, a franquia Need for Speed tinha uma fórmula simples e eficaz: dar aos jogadores a chance de acelerar carros exóticos em estradas (quase) desertas e, a partir do terceiro game – Need for Speed III: Hot Pursuit, de 1998 – fugir da polícia. Foi assim até Need for Speed: High Stakes, sucessor de Hot Pursuit, lançado em 1999. E então, uma revolução aconteceu – uma parceria que acabaria, indiretamente, afetando todos os jogos de corrida lançados pelas próximas duas décadas.

Esta parceria foi firmada entre a Electronic Arts e a Porsche para o quinto game da franquia – Need for Speed: Porsche Unleashed. E ele seria diferente de tudo o que havia feito NFS um sucesso até então. Embora não seja o título mais apreciado, Porsche Unleashed tem seu apelo, tanto pela ideia quanto pela execução. E, por isso, ele é o tema do FlatOut Retro Review de hoje – na versão do PlayStation, como de costume.

 

O que é?

Tradicionalmente, Need for Speed é uma franquia de arcades – games nos quais a física dos carros no mundo real dá lugar a algo mais direto, sacrificando o realismo em nome da diversão e da emoção. Com Porsche Unleashed, que foi lançado primeiro para o PlayStation em fevereiro de 2000, não era diferente. Mas isto não impediu a EA de tentar agregar novos elementos ao jogo, transformando-o em algo bem mais complexo e autêntico.

O game, obviamente, focava-se exclusivamente nos modelos da Porsche – do Porsche 356, lançado em 1948, até o que havia de mais recente na linha em 2000, disputando em circuitos de rua baseados no mundo real e em autódromos fictícios, tudo temperado com imagens do acervo oficial da Porsche e conteúdo interativo.

 

Gameplay

O modo arcade era simples e direto – primeiro você escolhia o carro, depois o nível dos oponentes (que eram sempre três) e, por fim, o circuito. Havia também o obrigatório modo Time Trial, para disputas contra o relógio; e o modo de perseguição, que não poderia faltar depois do sucesso de Hot Pursuit High Stakes. O modo Capture the Flag era uma das novidades – um duelo em um circuito fechado no qual era preciso procurar os emblemas de Need for Speed (as flags) e coletá-los antes do seu oponente.

O principal do game, porém, estava nos modos Factory DriverEvolution.

O primeiro te colocava na pele de um piloto de testes recém contratado, e mostrava um lado de NFS: Porsche Unleashed mais voltado à simulação. Era mais ou menos como as licenças de Gran Turismo – você tinha de realizar teste de pilotagem cada vez mais difíceis para seguir com sua carreira e, de quebra, aprendia a controlar melhor o carro.

 

 

Já o segundo era o coração do jogo: no modo Evolution, você ia disputando torneios e ganhando dinheiro para comprar novos carros. Inicialmente estavam disponíveis apenas os mais antigos e menos potentes, como a família 356, incluindo cupê, roadster e speedster; o 550, os 911 da década de 1960 e o 914. Os torneios eram divididos em três eras: Classic Era, que ia do fim dos anos 1940 até os anos 1960; Golden Era, dos anos 1970 a 1990; e Modern Era, que abrangia os carros feitos de 1990 a 2000.

Ao vencer corridas, você liberava novos carros para usar no modo Arcade, incluindo versões de competição do 911, o lendário Porsche 917K e o 911 GT1 – este, o melhor, mais rápido e mais moderno do jogo.

Um ponto interessante de NFS: Porsche Unleashed, aliás, era a física dos carros – todos eles faziam curvas muito bem, e bastava saber a hora de pisar nos freios para dar uma bela derrapada na hora de contornar uma virada mais fechada. Era tudo muito preciso, talvez até fácil demais, e incrivelmente satisfatório. Isto posto, se você levasse tempo demais para frear e batesse em algum obstáculo, os adversários saltavam à frente e era quase impossível alcançá-los.

 

Gráficos e som

Mesmo considerando que é um game dos anos 2000, quando o PlayStation já tinha cinco anos de existência e os desenvolvedores já conheciam bem o hardware, ainda assim os gráficos de NFS: Porsche Unleashed impressionam. Os cenários, sembre baseados em no mundo real, eram bem detalhados e grandiosos, com diversos elementos destrutíveis (caixas, placas, hidrantes, cercas) e ambientação variada. Os circuitos eram divididos por país (França, Alemanha, EUA, Japão e Escócia), com variações regionais em todos eles.

Os carros tinham um sistema de dano estético, ficando amassados e sujos e, no modo Evolution, também danos físicos – suspensão, motor, freios e direção iam ficando piores por desgaste natural e também como resultado de colisões. Era preciso ir até sua garagem e consertá-lo por um preço que variava de acordo com a intensidade dos danos. Você podia vender um carro usado para comprar um novo e mudar sua cor, além de conferir as especificações técnicas exatas.

Outro detalhe interessate do modo Evolution era a transformação dos menus – na Classic Era, a fonte era serifada, as cores eram em sépia e até a música de fundo refletia as décadas de 1940 e 1960. Na Golden Era os menos usam uma fonte setentista, e a música passa a ser rock e disco. Na Modern Era, os menus ficam iguais ao restante do jogo e a música eletrônica toma conta.

No quesito som, o destaque fica por conta dos roncos dos motores – especialmente nos aircooled de quatro cilindros é nítida a preocupação em reproduzir o som “estralado” dos boxer a ar, que fica ligeiramente mais alto quando se coloca a câmera em primeira pessoa. A trilha sonora das corridas é instrumental, composta especialmente para o game – mas, pessoalmente, eu prefiro deixar apenas o som dos carros, que é bem agradável e realista para um game de vinte anos atrás.

 

Conclusão

Need for Speed: Porsche Unleashed é um ótimo exemplo de como levar um sopro de ar fresco a uma franquia de jogos de sucesso sem perder a essência – o look and feel é totalmente NFS. Entretanto, a apresentação do jogo e a forma como tudo foi executado, misturando dinâmica de arcade com uma pegada de competição mais séria na ambientação do jogo, torna a experiência mais voltada a entusiastas hardcore. Jogadores casuais não entenderiam muito bem toda a dedicação em contar a história a partir de seus carros, com fotos e vídeos oficiais da fabricante.

Fica a impressão de que Porsche Unleashed buscava atrair um público mais velho e fãs dedicados da fabricante alemã. O que talvez ajude a explicar por que ele não fez sucesso como os outros.

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