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Novo Peugeot 208 é revelado e parte de R$ 75.000 com motor 1.6 16v

Enfim, aí está: o novo Peugeot 208, que vem para simbolizar a renovação da marca no Brasil – onde, pelo público em geral, é vista como uma fabricante que faz carros bonitos, porém que desvalorizam muito, têm manutenção difícil e cara, e que sofrem no pós-venda. Desde 2019 a fabricante vem trabalhando nesta mudança de imagem, começando com uma campanha que falava na “nova Peugeot”. E agora, promete uma nova experiência de condução com o 208.

E o hatchback é mesmo uma proposta interessante, sob vários ângulos. O visual da nova geração é praticamente unânime, a plataforma é moderna e até mesmo uma versão elétrica (o 208 e-GT) foi confirmada. Mas será que a versão brasileira terá o que é preciso para encarar um segmento que conta com nomes fortes como Chevrolet Onix, VW Polo e Hyundai HB20? Será que a imagem descolada é suficiente?

Agora que temos versões, preços, equipamentos e outros detalhes sobre o carro, podemos ter uma noção melhor.

O novo Peugeot 208 é fabricado em Palomar, na Argentina, e é o primeiro hatch da Peugeot a utilizar a plataforma modular CMP (Common Modular Platform) do grupo PSA. Ela já é utilizada pelo atual Opel Corsa, pelos crossover Peugeot 2008 e pelo DS3 Crossback, e também será aplicada no próximo Citroën C4 a partir de 2021. Com ela, o novo 208 pode ter uma série de novos recursos, como assistentes de condução, equipamentos de segurança e itens de conforto e conveniência.

O design do carro certamente está alinhado com esta ideia de renovação. Muito já foi dito a seu respeito, mas vale reforçar que o 208 é um carro muito bonito. As proporções são muito agradáveis, a dianteira é agressiva sem exageros (e não tenta fazer o carro parecer maior do que realmente é), e detalhes como os “dentes de sabre” nos faróis e as lanternas que lembram garras fazem um ótimo trabalho ao dar um caráter “felino” ao carro.

 

Da mesma forma, o interior traz uma feliz evolução do conceito iniciado pelo 208 antigo, o i-Cockpit. A filosofia continua a mesma – painel elevado, volante de tamanho reduzido e botões físicos do tipo “teclas de piano” para as principais funções do carro. Agora, porém, nas versões mais caras há um sistema holográfico 3D para o quadro de instrumentos, que projeta informações à frente do visor principal. De acordo com a Peugeot, isto melhora a visibilidade dos instrumentos e evita distrações. No geral, porém, a estética do interior é bem menos revolucionária que o visual externo.

Falando em versões, finalmente sabemos quais serão elas. Ao todo, o novo Peugeot 208 terá cinco versões, sendo quatro a combustão (Active, Active Pack, Allure e Griffe) e uma elétrica – o 208 e-GT, que ficará no topo da linha.

Como a maioria já sabe, o Peugeot 208 vendido no Brasil terá o conhecido motor 1.6 16v do grupo como única opção de motor a combustão. O chamado motor EC é uma evolução da tradicional família de motores TU, vista no Brasil desde a década de 1990. Atualmente ele entrega 118 cv a 5.700 rpm e 15,5 kgfm a 4.750 rpm (abastecido com etanol), e vem sempre com câmbio automático de seis marchas com trocas pela alavanca no console central.

O conjunto de equipamentos é razoavelmente generoso já a partir da versão de entrada, que virá com rodas de liga leve, central multimídia com tela de sete polegadas e volante multifuncional, por exemplo. Confira todos os equipamentos das versões a combustão abaixo.

Peugeot 208 Active (R$ 74.990): rodas de liga leve de 16 polegadas, DRLs de LED, quatro airbags, vidros e travas elétricos, central multimídia com tela de sete polegadas e conexão Android Auto e Apple CarPlay, duas tomadas USB dianteiras e controles do sistema de som no volante. Também vem com controles de tração e estabilidade, retrovisores com rebatimento elétrico, cruise control, computador de bordo, direção elétrica e volante com regulagem de altura e profundidade.

Peugeot 208 Active Pack (R$ 82.490): mesmos itens da Active, mais teto solar panorâmico, ar-condicionado automático e câmera de ré.

Peugeot 208 Allure (R$ 89.490): mesmos itens da Active Pack, mais bancos com revestimento em Alcantara, carregador de celular por indução, volante revestido em couro, rodas com acabamento diamantado, painel “soft touch” e sistema keyless para acesso e partida.

Peugeot 208 Griffe (R$ 94.990): mesmos itens da Allure, mais sensor de chuva, sensor crepuscular, faróis full-LED, retrovisores e spoiler traseiro com acabamento em preto brilhante, câmera de 180°, alerta de saída de faixa, alerta de colisão, frenagem automática de emergência, detector de fadiga, reconhecimento de placas de velocidade e sensor de estacionamento.

A quinta versão é o 208 e-GT – que ainda não teve preço ou equipamentos divulgados. A Peugeot, porém, não se acanhou em dar mais destaque ao hatchback elétrico no material de divulgação. Segundo a fabricante, o 208 e-GT fará o papel de esportivo da linha, com 136 cv e 26,5 kgfm – suficientes para ir de zero a 100 km/h em 8,1 segundos, o que realmente é um ótimo número. Alimentado por uma bateria de 50 kWh, o 208 elétrico promete autonomia de 340 km (450 km no ciclo europeu), que deve ser o bastante para uso urbano e viagens mais curtas.

Segundo a Peugeot, por ora o 208 e-GT está em “pré-venda”, mas não explica exatamente como esta pré-venda funciona – não há preços nem unidades para test drive, e sequer menciona-se a necessidade de um depósito de reserva (o famoso sinal). É dito apenas que os primeiros carros serão entregues em 2021, mas isto não explica muita coisa. A Peugeot diz que a demora tem a ver com a adequação do carro elétrico para o mercado brasileiro, que passa por diversas alterações de projeto – como mudanças na suspensão e a adoção de uma proteção de aço para o assoalho, em vez de plástico como é na Europa.

É uma estratégia no mínimo curiosa, considerando que é justamente a versão elétrica o cartão de visitas do novo 208. Primeiro, pela tal pré-venda a conta-gotas, como se a Peugeot não quisesse se comprometer a trazer a versão elétrica, investindo pesado em divulgação, sem perceber real interesse do público – a nosso ver, caso não exista demanda, a Peugeot pode muito bem cancelar o elétrico. O que seria infeliz, levando em conta que a versão elétrica deverá atuar como halo car em nosso mercado, agregando percepção de valor e atraindo interesse pelo modelo básico. É quase como se sua vinda e a forma como ele vem sendo anunciado servisse para desviar a atenção do antiquado motor 1.6. A falta de opções a combustão mais modernas, aliás, é algo que ainda não conseguimos digerir completamente.

Analisando toda a situação, é difícil não encarar estas decisões como mais um capítulo em uma série de erros que a Peugeot vem cometendo há tempos em nosso mercado, começando pela substituição do best seller 206 por uma versão reestilizada com design piorado – o “nosso” 207, completamente diferente da versão europeia, que era de fato um carro novo.

No caso do novo 208, podemos apontar outros equívocos – como não nacionalizar o motor 1.2 Puretech antes, mesmo a versão naturalmente aspirada, lançada no Brasil no primeiro trimestre de 2016, seria uma opção mais interessante para versões de entrada, com 90 cv. Ou a Peugeot poderia ter introduzido o motor Puretech 1.2 turbo já há alguns anos, nos crossovers 2008 e 3008 – primeiro importado e depois, eventualmente, nacionalizado. Isto teria diluído custos e viabilizado a adoção da versão turbinada no novo 208, que na Europa é capaz de entregar até 155 cv – e, por lá, já praticamente substituiu o motor 1.6 THP, desenvolvido em parceria com a BMW. E mesmo o motor THP, caso tivesse sido nacionalizado, teria sido uma opção melhor que o 1.6 16v, e certamente seria mais apropriada a um automóvel que, sob todos os demais aspectos, agrada muito por sua modernidade.

O 1.6 16v, no fim, foi o que restou – e a Peugeot deve ter chegado à conclusão que seria mais vantajoso adaptar o projeto do carro para receber o quatro-cilindros (o novo 208 foi concebido com motores de três cilindros e propulsores elétricos em mente) do que importar o motor 1.2, que é feito na Europa e na China, com a moeda brasileira tão desvalorizada. O custo do motor 1.6 16v, que é um projeto nacional antigo, já deve estar abatido há tempos – assim, mesmo com o IPI de 11% cobrado para motores acima de 999 cm³, ele é mais vantajoso, financeiramente falando. Já o motor 1.2 Puretech esbarra na adaptação da fábrica para a produção – custo que, somado ao IPI, teoricamente inviabiliza sua adoção.

Uma solução possível para este impasse é que, no futuro, a Peugeot decida aproveitar os novos motores turbinados GSE da Fiat – algo que já deve começar deve ocorrer no ano que vem, quando a fusão entre PSA e FCA for concluída – para oferecer motores mais modernos na versão Mercosul do 208 e aproveitar melhor a plataforma. Por ora, só podemos ficar na torcida para que isto ocorra.

 

 

 

 

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