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O Agente, capítulo 3: Crown Victoria GT500


O Agente ouviu, ao longe, um som familiar. Ótimo, porque já estava ficando sem paciência. O sistema de entretenimento da viatura não era o mais avançado – faltava a Projeção Tridimensional de Altíssima Fidelidade (UHFTP) na tela, mas isto não fazia diferença para os filmes de quase 200 anos que o Agente assistia para passar o tempo. Na verdade, ele preferia consumir esse tipo de coisa da mesma forma que se fazia na época. Era mais autêntico. O Agente era um refém da nostalgia, afinal. E, assim, ficou mais que satisfeito ao reconhecer aquele ronco. Aqueles oito cilindros que, trabalhando no limite, interromperam sem cerimônia seus devaneios. Se fosse para passar a madrugada toda assistindo filmes e pensando na vida, que fosse em seu confortável, embora pequeno, apartamento na Cidade Branca. O sistema da viatura detectou a costumeira escalada nos batimentos de seu condutor e fez os ajustes de costume – nível de potência no máximo, sistemas de recarga auxiliares a postos, suspensã