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O guia das versões especiais do BMW M3 – Parte 2: segunda geração (E36)

Depois de conhecermos as sete versões e edições especiais do BMW M3 E30, chegou a hora de avançarmos para o modelo seguinte. Lançada no final de 1992, a segunda geração do BMW M3, a E36, trocou o motor de quatro cilindros por um seis-em-linha de três litros, o S50 de 286 cv na versão europeia e 243 cv na versão vendida nos EUA.

Em 1995 a BMW fez um upgrade no carro, aumentando o deslocamento do S50 para 3,2 litros, o que elevou sua potência para 321 cv — mas somente na versão europeia; os americanos ganharam uma versão simplificada do 3.2 que manteve os mesmos 243 cv do 3.0.

Oficialmente a BMW lançou apenas três versões especiais do M3 E36, mas algumas divisões regionais da marca criaram versões locais do modelo, aumentando o número para oito. São as seguintes:

 

M3 Canada Edition

Quando a BMW estava desenvolvendo a segunda geração do M3, ela já tinha a intenção de exportar o esportivo para os EUA e Canadá como fizera com a primeira geração. Contudo, com o novo motor S50 e as novas tecnologias adotadas no modelo, o preço ficaria caro demais para seu segmento nos EUA e, por isso, os americanos acabaram recebendo uma versão simplificada e mais barata do M3 em 1995.

Via de regra o mercado canadense recebe as versões americanas de modelos europeus, mas não foi o que aconteceu com o M3 E36. Em vez do cupê equipado com a versão amansada do S50, os canadenses receberam inicialmente 45 exemplares do M3 europeu um ano antes dos americanos. Isso aconteceu devido a um acordo comercial que o Canadá mantinha com uma série de países europeus, o que acabou facilitando a homologação do carro naquele país.

Diferentemente da maioria das versões especiais, este M3 canadense poderia ser comprado com qualquer pacote de opcionais — e mesmo assim eles esgotaram em três dias, segundo a BMW de Toronto, que recebeu e distribuiu os carros. Como o motor é o mesmo S50 com borboletas individuais e 286 cv do modelo europeu, a única forma de diferenciar estes 45 exemplares exclusivos é pela plaqueta instalada na tampa do porta-luvas e na capa do manual do proprietário.

Quem não conseguiu arrematar um dos 45 M3 Canada Edition teve que esperar até 1997, quando a BMW finalmente lançou o M3 americano no Canadá.

 

M3-R

Ainda em 1994 a BMW da Austrália encomendou 15 M3 para disputar a Australian Super Production Series, uma categoria local de carros de turismo. Os carros foram entregues à Tony Longhurst Racing, que ficou responsável pela preparação para as pistas. Só que destes 15 somente quatro foram feitos para a competição. Os outros 11 foram oferecidos aos pilotos da confederação de automobilismo.

O pacote consistia na instalação de molas King com amortecedores ajustáveis, embreagem de disco duplo, pinças de freio dianteiras de quatro pistões, cárter com pescador duplo, comandos AC Schnitzer e diferencial com relação mais curta de 3,25:1 em vez de 3,15:1 do modelo original.

Além disso, o motor recebeu o duto de admissão do M5 E34, que coleta o ar frio no lugar do farol de neblina esquerdo para produzir 326 cv. O banco traseiro não é funcional, e o carro teve o ar-condicionado removido e ganhou um novo para-choques dianteiro, bem como um novo spoiler traseiro. As rodas eram da BBS.

Dos BMW M3 oferecidos ao público, este é o segundo mais raro deles.

 

M3 GT

No final de 1994 a BMW construiu uma versão do M3 para homologar seu novo esportivo nas categorias de turismo da FIA e da IMSA. Ela fabricou seis protótipos que, aprovados, deram origem a uma série de 350 exemplares. Destes, 300 foram vendidos na Europa continental e 50 oferecidos no Reino Unido com direção na direita. Todos eram pintados de British Racing Green com interior Mexico Green.

A diferença deste para o M3 convencional é que ele veio equipado com um splitter maior e ajustável, asa traseira mais alta e com spoiler duplo, portas de alumínio e rodas BMW Motorsport forjadas com 17 polegadas de diâmetro. As mudanças reduziram o peso do carro em 30 kg. A suspensão dianteira era enrijecida e o carro ganhava reforços anti-torção.

Quanto ao motor, a taxa de compressão foi elevada para 10,8:1, e o comando de admissão foi modificado com maior duração e uma nova bomba de óleo. O diferencial foi encurtado de 3,15:1 para 3,23:1. Por último o sistema de variação do comando de válvulas (VANOS) foi reprogramado. Com as mudanças, o 3.0 do M3 GT passou a produzir 299 cv a 7.100 rpm e 32,8 kgfm a 3.900 rpm, e a velocidade máxima deixou de ser limitada eletronicamente a 250 km/h e passou a ser de 275 km/h.

Além da combinação de cor interna e externa, elementos aerodinâmicos e bodykit, o BMW M3 GT pode ser identificado pelos emblemas “BMW Motorsport International” nas portas, nas soleiras e nos painel, acima do porta-luvas.

 

M3 Lightweight

Logo que o BMW M3 americano começou a ser vendido, em 1995, o público local pediu uma versão de homologação para colocar o modelo nas competições, algo como o M3 GT. A resposta da BMW foi um modelo especial que se tornou um dos mais desejados desta geração.

O M3 Lightweight, na verdade, foi meio que um pedido de desculpas da BMW aos entusiastas americanos por ter lançado uma versão do M3 tão inferior à europeia. Para compensar, eles basicamente fizeram uma versão americana do M3 GT.

Lançado em 1995, o BMW M3 Lightweight foi chamado durante seu desenvolvimento de M3 CSL, ou seja: desde o início seu foco foi a redução de peso. Os carros vinham sem rádio (mas com chicotes e alto-falantes), sem ar-condicionado, com revestimento de tecido nos bancos, sem conjunto de ferramentas e sem teto solar. As portas usavam folhas de alumínio, o capô dispensava a manta de isolamento, o porta-malas só tinha carpete no assoalho e o isolamento termo-acústico do assoalho era mais fino para ajudar na dieta. O resultado compensou: 91 kg a menos que o M3 americano comum.

Os motores foram escolhidos a mão e tinham um novo mapa da ECU, já sem o programa para limitar a velocidade máxima em 250 km/h. O diferencial também era alongado para 3,23:1 em vez dos 3,15:1. A suspensão recebeu as molas do M3 europeu, apesar de ter mantido os amortecedores americanos.

Por fora o M3 Lightweight se diferencia dos demais pela pintura branca “Alpine White” e pela bandeira com o tricolor da BMW M3 na borda esquerda da dianteira e na borda direita da traseira. 

A BMW jamais divulgou o número de M3 Lightweight construídos, mas acredita-se que existam entre 116 e 125 unidades.

 

M3 GT Individual

Sim, parece exatamente o mesmo carro que vimos mais acima e, de certa forma ele é mesmo. A diferença é que esta série com a grife Individual foi feita um mês depois da série regular do GT — o que aumenta a oferta de M3 GT no Reino Unido para 100 exemplares; 50 dos GT, 50 dos GT Individual.

Todas foram feitas exatamente com as mesmas especificações do M3 GT 3.0: pintura British Racing Green, spoilers ajustáveis, rodas forjadas de 17 polegadas e interior de couro Mexico Green. No cofre havia uma barra de amarração ligando as torres dos amortecedores dianteiros. Somente 19 exemplares foram equipados com ar-condicionado e 9 com portas de alumínio.

 

M3 Evolution Individual Imola Red e Carbon Black

Outra versão feita pela BMW Individual para o mercado britânico foram “duas”: o M3 Imola Red e o M3 Carbon Black. Batizados oficialmente como M3 Special Edition, as duas versões foram lançadas para marcar o fim do E36 em 1998.

A primeira era exclusivamente oferecida na versão cupê e pintada na cor Imola Red. O para-choques dianteiro tinha um splitter enquanto a traseira tinha um spoiler duplo. Por dentro, o revestimento combinava couro vermelho e camurça cinza, enquanto o volante de três raios ganhava costura vermelha, assim como a coifa da alavanca do freio de mão. Todos eles foram equipados com airbags laterais, teto solar, bancos com ajuste elétrico, vidro elétrico na traseira e sistema de áudio Harman Kardon. Foram feitos 50 carros.

A outra era a versão conversível do M3, pintada de Carbon Black com interior de couro preto. Foram feitos 25 exemplares com as mesmas especificações do cupê. É tão rara que nem foto dela encontramos.

 

M3 Evolution Individual Anniversary Edition

A última edição especial do M3 Evolution saiu em 1999 e também foi uma versão exclusiva de um país. A BMW da Austrália decidiu comemorar os 25  anos da divisão BMW M. Eram idênticos ao M3 comum, porém com rodas de raio duplo, teto solar, ar-condicionado automático, sistema de áudio com 10 falantes e, opcionalmente o câmbio SMG automatizado.

As cores disponíveis eram as mesmas da paleta do M3, então para diferenciar o carro, além das rodas, também é preciso entrar no carro e procurar a plaqueta de prata esterlina com a numeração, afixada no console central. Foram feitos 50 cupês e 70 conversíveis.