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O Mazda MX-5 Miata cupê que a gente sempre quis existiu mesmo

A imagem de diversão a céu aberto do Mazda MX-5 Miata não existe por acaso: poucos carros oferecem uma relação tão boa entre custo, benefício e diversão quanto o pequeno roadster japonês. Quer dizer, desde que você more nos EUA, na Europa ou no próprio Japão. Em 2015, o Miata ganhou uma nova geração, a quarta desde 1989. As impressões na mídia especializada tem sido bem positivas — afinal, a receita não mudou nada e o carro ainda ficou mais leve. Reclamar de quê?

Talvez da ausência de uma versão de teto fechado — um Miata cupê. Desde sempre, entusiastas no mundo todo não conseguem ver um roadster bacana sem desejar que fosse um cupê. Às vezes os desejos dão certo — o Dodge Viper nasceu como um roadster e o cupê só veio alguns anos depois; o BMW M Coupe é uma rara e desejada versão do roadster Z3; e, bem, o Jaguar F-Type conseguiu ficar ainda mais sexy depois que ganhou uma carroceria cupê fastback.

Então por que o Miata, que é um roadster tão legal, jamais teve uma versão cupê? Bem, ele teve. E não estamos falando do Roadster Coupe, versão com capota rígida automática que é vendida regularmente (e é bem bonita, se querem saber) há anos, mas de um cupê de verdade, com teto fixo de caimento suave e tudo.

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Mencionamos este fato de forma breve no ano passado, quando comemoramos os 25 anos do Mazda MX-5 Miata. Agora, vamos nos aprofundar mais na história.

Foi em 2003, quando a segunda geração do Miata, lançada em 1997, completava seis anos. A segunda geração não é tão idolatrada quanto a primeira, mas um Miata é sempre um Miata, sendo assim, o roadster remoçado vendia bem. Tão bem, na verdade, que a Mazda podia se dar ao luxo de arriscar e lançar qualquer novidade para o roadster e ter certeza de que ela seria bem recebida. Por que, então, não atender aos pedidos dos gearheads de dar ao MX-5 a carroceria que eles sempre quiseram?

A verdade, porém, é que o Mazda Miata M Coupe — sim, este é seu nome de batismo, parecendo um BMW — nasceu um pouco antes, em 1996, como um simples exercício de design, como conta a edição de julho de 1996 da revista Road & Track. Sim, ainda na primeira geração!

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Na época, o Miata cupê ainda era um carro conceito, criado pela equipe de design da Mazda em meio a diversos boatos sobre o fim do icônico RX-7, o esportivo topo-de-linha da marca. Você provavelmente já acelerou um RX-7 no mundo virtual, jogando Gran TurismoForza Motorsport ou Need For Speed. O RX-7 era um ícone do mesmo nível do Toyota Supra ou do Nissan Skyline, e foi descontinuado em 2002.

Não é por acaso que as linhas do Miata cupê remetiam tanto ao RX-7 — nas proporções, na discreta bolha dupla do teto e no formato do vidro traseiro. O roadster perdeu a capota de tecido e ganhou um teto de fibra de vidro caprichosamente esculpido sobre a carroceria, rodas de 16 polegadas com pneus de perfil mais baixo (originalmente, as rodas eram de 14 polegadas) e uma chamativa pintura amarela.

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Foto: Ron Perry

O motor era um quatro-cilindros de 1,8 litro, exatamente igual ao dos carros que rodavam nas ruas, que entregava 133 cv a 6.500 rpm e 15,7 mkgf de torque a 5.500 rpm. Era o bastante para chegar aos 100 km/h em nove segundos cravados. Nas curvas, o comportamento dinâmico exemplar do roadster se repetia, pois a suspensão por braços triangulares sobrepostos nas quatro rodas permaneceu inalterada.

Especulava-se, na época, a respeito de uma versão de produção. E o panorama era positivo: a Mazda declarou ter “avaliado o potencial comercial” do Miata M Coupe e, obviamente, viu que a demanda era alta.

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Contudo, a geração seguinte do roadster já estava no forno, pronta para sair. Isto atrasou o lançamento do cupê em alguns anos até que, em 2003, veio a grande notícia… para os japoneses: o Miata cupê foi apresentado, mas como uma versão limitadíssima comercializada apenas na Terra do Sol Nascente. Foram fabricados 179 exemplares, divididos em quatro versões que traziam diferenças mecânicas e estéticas.

O modelo básico era dotado de um motor 1.6 de 110 cv e, bem, não há mais o que falar sobre ele fora o fato de 53 exemplares usarem esta especificação. Os outros três modelos eram dotados do motor 1.8 de 160 cv, capaz de levar o carro aos 100 km/h em 8,1 segundos, com velocidade máxima de 203 km/h (no Japão, limitada eletronicamente a 180 km/h).

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O mais raro deles, com 23 unidades fabricadas, se chamava Type E. Ele tinha apelo luxuoso, com madeira no volante, revestimento em couro claro e câmbio manual de quatro marchas.

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O Type S era a versão mais comum, com 63 exemplares fabricados. Tinha amortecedores Bilstein e uma strut brace entre as torres da suspensão na dianteira. O câmbio era manual, de seis marchas, e as cores disponíveis eram vermelho, prata e branco.

Por fim, havia o Type A, que era mecanicamente idêntico ao Type S mas tinha molduras especiais nos faróis e lanternas, para-lamas alargados e um aerofólio “rabo de pato” na traseira. Do Type A, 40 unidades foram feitas.

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Foto: Speedhunters

O que todos os carros tinham em comum eram a dianteira remodelada e a conversão muito bem executada de roadster para cupê. Na verdade, “conversão” não é o termo correto, pois as carrocerias eram modificadas por uma divisão da Mazda, a Mazda Engineering & Technology, antes da montagem. Tecnicamente, os carros nunca foram conversíveis. O teto de fibra de vidro era 10 kg mais pesado que a capota de tecido, mas garantia melhor rigidez estrutural e, consequentemente, o Miata cupê se saía melhor nas curvas.

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Infelizmente, porém, a Mazda jamais produziu outra leva de cupês do Miata, mesmo sob insistência de seus clientes e admiradores. Seria incrível ver a quarta geração, que tem um visual naturalmente mais agressivo, transformada em cupê, não seria?