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Carros Antigos FlatOut Classics & Street

O Mercedes-Benz 1113 de Gustavo | FlatOut Classics


O quadro FlatOut Classics se dedica ao antigomobilismo e aos neocolecionáveis (youngtimers) estrangeiros e nacionais, dos anos 20 ao começo dos anos 2000. Carros originais ou preparados ao estilo da época.
São matérias especiais, feitas para serem saboreadas como as das clássicas revistas que amamos.
Clique aqui para acessar o índice com todas as matérias do quadro.


O outro peso-pesado

Quantas pessoas você conhece que têm um caminhão como veículo de passeio? Não muitas, não é? E que tal… dois caminhões? É o caso do Gustavo Boaron, que já apareceu em três matérias do quadro FlatOut Classics. Hoje, falaremos sobre seu último veículo: um caminhão Mercedes-Benz 1113 1980, que divide lugar no coração do entusiasta com o FNM 1965 azul – cuja matéria você pode (re)ler aqui. Aliás, aproveite para conferir também as matérias do Ford Corcel quatro-portas e do Volkswagen Voyage de Gustavo.

Há algo no torque abundante, na posição de dirigir olhando tudo de cima, no ronco assustador e no estilo emblemático que atrai Gustavo nos caminhões – sem falar no fato de seu pai ter sustentado a família com o já citado FNM.

O que importa é que Gustavo tem duas peças importantíssimas na história do transporte de carga do Brasil. E nós vamos conhecer um pouco melhor seu 1113 no post de hoje.

 

Best seller

O caminhão que conhecemos no Brasil como 1113 tem origem na família Mercedes-Benz L Kurzhauber. A palavra em alemão quer dizer “capô curto” em tradução livre. E, de fato, embora seja um caminhão “bicudo”, o 1113 tem o bico mais curto, com o motor invadindo parte da cabine, especialmente a porção sob o painel. Com isto, o caminhão cumpria com folga o regulamento que ditava o comprimento dos caminhões na Alemanha da década de 60 (o Kurzhauber foi lançado em 1959).

Com as formas arredondadas típicas da época e a dianteira com grade oval e faróis circulares, o resultado era um caminhão de visual simpático, com bastante carisma. Junte a isto o valoroso motor seis-em-linha a diesel OM352 e o que você tem é um dos caminhões mais bem sucedidos da Mercedes-Benz.

A cabine não era basculante, como já era comum naquela época, por questões de custo – e a Mercerdes argumentava que isto também tornava o caminhão mais seguro em caso de acidente. Por outro lado, a cabine tinha sua própria suspensão, com molas e amortecedores de dupla ação que tornavam seu rodar bastante confortável.

Considerado um caminhão de tamanho médio na Alemanha, no Brasil ele foi pau para toda obra. Seu nome faz referência à capacidade de reboque em toneladas (11) e à potência do motor a diesel de 5,7 litros e 130 cv – o primeiro motor de carga com injeção direta usado pela Mercedes.

Houve outras denominações seguindo esta mesma nomenclatura – 1313, 1513 e 2013. Mas o 1113 foi o mais popular. Na verdade, o Mercedes-Benz L 1113 foi o caminhão mais vendido do Brasil em sua época – só aqui foram emplacados mais de 240.000 exemplares entre 1969 e 1987, sendo que cerca de 12.000 foram exportados para países vizinhos. Destes, a própria Mercedes-Benz acredita que pelo menos 180.000 ainda circulam pelas ruas brasileiras. E o 1113 de Gustavo é um deles.

 

Recém-chegado

Enquanto o FNM foi passado de pai para filho e está na família de Gustavo desde que ele se entende por gente, o Mercedes foi adquirido há pouco tempo, em 2018. “É um caminhão que eu admiro desde sempre. E eu já conheço este exemplar em especial há bastante tempo, sempre namorei ele, mas nunca tive a intenção de comprá-lo – e ele não estava à venda até onde eu sabia”, conta Gustavo.

“Certo dia eu vi o caminhão na rua, limpo, e perguntei se ele estava à venda. O rapaz que estava com o caminhão disse que sim, e me passou o contato da proprietária.” Depois de muita negociação, Gustavo conseguiu comprá-lo.

Pouco tempo depois, a dona do caminhão veio a falecer. Por conta disto, o 1113 ficou parado por cerca de um ano – tempo necessário para que Gustavo resolvesse as pendências de documentação com a filha dela. Como o caminhão não podia rodar, Gustavo aproveitou para cuidar dele.

 

Tratamento especial

O Mercedes 1113 estava bem íntegro, mas precisava de um belo trato no visual. “Fiz toda a funilaria e a pintura, na cor original Laranja Granada, fiz sozinho, em casa mesmo, assim como a tapeçaria”, conta Gustavo. Ele também instalou acessórios que eram comuns na época, como protetores de para-choque, buzinas no teto e faróis auxiliares – além de uma bela pintura no para-choque traseiro.

Como é um caminhão de passeio, tudo fica sempre impecável. O interior tem o charme dos bancos com revestimento xadrez, pequenas cortinas no vigia traseiro e acabamento com costura em padrão de diamante. É interessante, aliás, como o 1113 fabricado em 1980 não é tão distante, esteticamente, dos exemplares mais antigos ou mesmo do FNM, que foi feito quase vinte anos antes. Quando se trata de veículos de carga, colocá-lo em dia com as tendências de design não é uma prioridade tão grande quanto garantir que ele seja eficaz na tarefa que foi projetado para executar.

Assim, o 1113 só foi reestilizado em 1983, quando ganhou uma grade retangular e faróis quadrados, empilhados. O lado bom é, hoje em dia, ter um caminhão com estilo da década de 1960, porém 20 anos mais novo.

“É um excelente caminhão”, diz Gustavo, que também utiliza-o em viagens quando não sai com o FNM – quando se cansa das “cambiadas” e quer algo, digamos, mais intuitivo. É uma declaração sucinta, mas que ecoa fortemente entre os fãs do 1113 há muito tempo.

E isto diz muita coisa, pois a reputação da “Muriçoca”, como o modelo é carinhosamente chamado por seus admiradores, foi construída com trabalho pesado. Então, o lazer ele tira de letra.

Para finalizar, uma foto do entusiasta Gustavo com sua coleção. Que não é a maior, mas tem em cada um de seus itens um veículo muito especial – todos cuidados com muito zelo. Como deve ser.

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