FlatOut!
Image default
Car Culture

O que aconteceu com o último Opala fabricado no Brasil?


Há algum tempo falamos sobre o primeiro Omega fabricado no Brasil: um GLS azul que saiu da linha de produção em 1992, e hoje pertence ao Omega Clube. Acontece que, naquele mesmo ano, um ícone precisou deixar de ser fabricado para dar lugar ao Omega: o Opala. Estaria para se encerrar uma história de 24 anos, com episódios importantes no automobilismo brasileiro (Divisões 1 e 3, Stock Car brasileira) e nas ruas, onde dividiu espaço com os automóveis mais potentes e luxuosos à venda no Brasil, como o Dodge Charger R/T, Galaxie 500, Maverick GT e Alfa Romeo 2300 Ti. Fez parte da história de várias famílias e foi o sonho de consumo de muitas outras.

Era de se esperar, portanto, que sua última série fosse cobiçada. Os últimos 100 carros vendidos ao público formaram a série “Collectors” do Diplomata, todos nas cores azul Millos, preto Memphis ou vermelho Ciprius, acompanhados de uma pasta de couro com certificado assinado pelo presidente da GM, chave e emblemas externos dourados e uma fita e uma revista VHS exclusivas, contando a história do Opala.

Com tudo isso, uma pergunta natural que viria à tona é: qual seria o último Opala da história? É aqui que as coisas começam a ficar nebulosas.

 

Mito ou verdade?

Uma das histórias sobre o último dos Opala envolve este modelo preto das fotos abaixo. De acordo com a história, a Chevrolet pretendia preservar uma unidade dos Collectors, mas os carros foram vendidos tão rapidamente que a marca se viu obrigada a fabricar um Diplomata SE “comum” para o acervo.

last-opala (1)

Encerradas as comemorações, o carro — de placa CTH-1992 — foi guardado na oficina da fábrica. E por lá ficou, sem uso e sem cuidados especiais, supostamente servindo como doador de peças para quando algum cliente especial precisava de atendimento rápido. Resultado: quase todas as peças de acabamento interno foram retiradas. Embora a ideia fosse substituí-las à medida em que as sobressalentes chegassem, isto nunca aconteceu. Forrações das portas, do teto e até os bancos foram retirados. Ao menos a parte mecânica foi mantida em funcionamento e intocada.

Dez anos depois, a Chevrolet firmou uma parceria com o extinto Museu de Tecnologia da Ulbra, na qual cedeu todo seu acervo, reunido desde 1996, para exposição. O acordo previa que o Opala fosse restaurado nos padrões originais, porém os persistentes problemas financeiros do museu (que o levaram à falência e fechamento em 2009) impediram a restauração. Desta forma, em 2008 a Chevrolet resolveu tomar de volta os carros e leiloá-los. O Opala foi comprado pelo então vice-presidente da GM, José Pinheiro Neto, que decide restaurá-lo por conta própria.

last-opala (2)

No vídeo abaixo o ex-vice-presidente e atual consultor da Chevrolet conta alguns detalhes curiosos a respeito do Diplomata, em entrevista cedida ao AutoData.

Por sorte, no porta-malas do carro estavam vários itens de acabamento que seriam usados na restauração. Os que faltavam foram garimpados e, dois anos depois, o Opala foi entregue ao novo proprietário totalmente restaurado, que sempre que pode leva o carro para um passeio — afinal, carros foram feitos para rodar, ainda mais um carro como este.

Mas talvez este não seja o último Opala.

 

Outras histórias e questionamentos

collector

Fãs, clubes, entusiastas e estudiosos do Opala não faltam no Brasil – e diversos deles têm suas dúvidas a respeito de este Opala preto ser o último de todos.

Fóruns de clubes como o Amigos do Opala, Opala.com e Opaleiros do Paraná são um bom lugar para entender melhor esta história. Os membros da comunidade opaleira há anos se dedicam a fazer o levantamento dos últimos Opala fabricados (em 1992), e aos poucos chegaram a uma lista com as placas, números do chassi e modelo dos carros. No entendimento geral, este carro preto certamente é um dos últimos, mas estaria a mais de 150 unidades do último, de fato. Segundo a lista (que pode ser encontrada aqui), o Diplomata que mostramos lá em cima tem o chassi NNB107904.

Alguns ainda dizem que ele ficou esquecido na GM não por acervo, mas sim por ter sido reprovado no controle de qualidade. Outros afirmam que este Opala preto foi fabricado em 1991, visto que traz alguns itens internos diferentes, que foram modificados para o ano seguinte (encostos de cabeça inteiriços, sendo que depois foram adotados os vazados, por exemplo). Só que isto pode ser explicado pelo fato de este carro ter servido como doador de peças e, depois, restaurado com itens que sobraram da linha de produção. De uma forma ou de outra, há um certo consenso de que este não foi o último Opala fabricado, mas o último a sair da fábrica, o que definitivamente não tem o mesmo valor. De fato, uma história que dá pano para a manga até hoje.

E qual seria o último? Boa parte dos estudiosos, endossados por registros do Detran, concorda que o último Opala Collectors é o de chassi NNB108055, cor vinho (Vermelho Ciprius), emplacado em Teresópolis (RJ), que seria a unidade que aparece no vídeo especial de despedida da Chevrolet. Curiosamente, o último Opala da história não é ele, pois seis Chevrolet Caravan Ambulância foram fabricadas posteriormente – sendo a última de chassi NNB108061.

amigosopala

[ Fotos: Metropolitano Opala Clube, Amigos do Opala ]

 

Nota: a pedido de leitores, este post foi atualizado em 29/12/2014 com correções sobre o chassis NNB107904 e adicionadas informações sobre o chassis NNB108055.

ESTE Gol GTS 1.8
PODE SER SEU!

Clique aqui e veja como