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Os carros de corrida cor-de-rosa mais legais que já existiram

No fim de fevereiro, a equipe Force India revelou o VJM10, seu bólido para a temporada 2017 de Fórmula 1. O carro, equipado com motor 1.6 turbo Mercedes-Benz, tinha uma pintura prata e preta com detalhes laranja que não era exatamente memorável – lembrava uma versão genérica da McLaren.

Só que agora, isto mudou: hoje, a equipe indiana revelou que seu patrocinador principal não é mais o conglomerado indiano Sahara, e por isso, o carro também ganhou uma nova pintura. Agora bancada pela BWT, companhia europeia de tecnologia em tratamento e distribuição de água, a Force India terá carros cor-de-rosa.

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Embora a água seja normalmente representada pelo azul, a cor rosa foi escolhida exatamente para causar impacto, ou ao menos é o que o pessoal na Force India diz: “mudar a cor dos nossos carros é uma indicação da força desta nova parceria e uma verdadeira afirmação de atitude da BWT neste início de relacionamento com a Fórmula 1”, a equipe declarou à imprensa.

Ainda precisamos esperar para ver se o desempenho da dupla Sergio Pérez e Esteban Ocon causará tanto impacto quanto a pintura cor-de-rosa da Force India. Mas já podemos relembrar outros carros cor-de-rosa usados no automobilismo, não é verdade? Então vamos lá!

 

Lamborghini Countach Donut King

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Muitas fotos deste carro povoam a Internet, mas sua história não é tão fácil de traçar. Aparentemente, em algum momento dos anos 1980 anos a cadeia de donuts Donut King, a maior da Austrália, colocou um Lamborghini Countach para disputar a Targa Australia, um rali de regularidade disputado em vias públicas do país.

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O carro, pintado de cor-de-rosa para combinar com a identidade visual da Donut King, era um dos 610 exemplares do Countach 5000QV, cujo motor V12 passou a deslocar 5,2 litros e a ter quatro válvulas por cilindro. O carro se tornou uma espécie de ícone entre os entusiastas Aussies e já teve diversos clones feitos em sua homenagem.

 

Bob Sweikert e Pat Flaherty

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Estes são provavelmente os carros cor-de-rosa mais bem sucedidos do automobilismo. Ambos venceram a Indy 500 de 1955 ao volante de um monoposto rosa com detalhes brancos. Foi uma vitória amarga, contudo: Sweikert só venceu porque Bill Vukovich, que liderava a prova, morreu depois de um acidente que envolveu outros três carros. Seria a terceira vitória consecutiva de Vikovich na Indy 500, um feito até então inédito. Trágico.

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No ano seguinte, Pat Flaherty venceu a corrida com um carro branco com detalhes cor-de-rosa – praticamente a pintura de Sweikert invertida. Também foi uma corrida notável, porque ela quase não aconteceu: dois dias antes da data marcada, chovia demais sobre o circuito de Indianapolis Speedway. O superintendente do autódromo, Clarence Cagle, deu início a uma operação que envolveu centenas de trabalhadores que trabalharam por 48 horas consecutivas para limpar a pista e drenar os alagamentos nos túneis de acesso. Por isso, a corrida ficou conhecida como “o Milagre de Cagle” até hoje.

 

Porsche 917 “Pink Pig”

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O ano de 1970 marcou a primeira vitória da Porsche nas 24 Horas de Le Mans, com o famoso 917K nº 23 e sua carroceria vermelha e branca. Como você deve saber, o 917K é a versão de traseira curta (Kurzheck), enquanto o 917L é a versão de traseira longa (Langheck). A primeira trazia o aumento da downforce como vantagem, enquanto a segunda tinha menor arrasto aerodinâmico.

No ano seguinte, para tentar juntar os benefícios de ambas as configurações em um único carro, a Porsche encomendou uma nova carroceria à companhia francesa SERA. O carro, coincidente também com o número 23, tinha uma carroceria extremamente larga, mas a traseira era curta. E, como a largura das bitolas permaneceu a mesma, as rodas ficavam bem escondidas sob os arcos. A pintura rosa com o esquema de cortes de carne de um porco foi ideia do designer Anatole Lapine, que ficou inspirado pela rechonchuda carroceria.

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Além de causar sensação com seu visual, o Porsche 917 “Pink Pig” foi um dos mais velozes durante os treinos de classificação e largou em quinto, mas abandonou cedo a edição de 1971 das 24 Horas de Le Mans, por conta de um acidente.

 

A Nascar no Outubro Rosa

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Danica Patrick e seu “Chevrolet SS” cor-de-rosa

Já faz alguns anos que a Nascar participa do Outubro Rosa, mês em que se divulga informações a respeito do câncer de mama. A organização inclui o rosa nos uniformes dos funcionários dos circuitos e nos carros, mas diversos pilotos usam macacões e até mesmo carros cor-de-rosa nas corridas realizadas em outubro.

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É claro que as mulheres devem se prevenir e realizar o auto-exame o ano todo, e não apenas em outubro, mas a ideia é simplesmente associar a cor à prevenção e à conscientização a respeito da doença. Dito isto, a Nascar também ajuda a arrecadar fundos para fornecer subsídios a estudantes universitários que tenham perdido entes queridos para o câncer de mama ou foram diagnosticados com a doença até os 25 anos de idade.

 

Emerson Fittipaldi em sua estreia na Indy

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Em 1984, depois de sua longa e bem sucedida carreira na Fórmula 1, Emerson Fittipaldi estreou na Fórmula Indy. Em sua primeira corrida, o Grande Prêmio de Long Beach, o brasileiro correu com a equipe de Pepe Romero, conhecido de Ralph Sanchez – o empresário que convidou Fittipaldi para participar da Fórmula Indy.

O carro rosa pertencia à Wit Racing, e Emerson correu com ele nas duas corridas seguintes – incluindo a Indy 500. Depois, Fittipaldi entrou para a Patrick Racing, onde ficou até 1989 antes de entrar para a Penske.

 

Donna Mae Mims

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Quem acha que é de hoje que as mulheres se destacam no automobilismo não conhece a americana Donna Mae Mims. Ao volante de seu Austin-Healey Sprite cor-de-rosa, ela venceu o campeonato de turismo da SCCA de 1963. Na década de 1950, ela trabalhava em um escritório na concessionária de Don Yenko. Foi lá que ela e o marido compraram um Corvette e, depois disso, começaram a se interessar pelo automobilismo.

O carro com o qual ela corria havia sido comprado novo, em 1959, pelo Dr. Jonas Salks, o médico virologista que desenvolveu uma das primeiras vacinas eficientes contra a poliomielite. Depois de vendido a um cara chamado Bill Wissel, que preparou o carro para as pistas e correu com ele algumas vezes antes de vendê-lo a Donna.

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Ela era praticamente a Penélope Charmosa da vida real

Com o Sprite, ela venceu três corridas em 1963 e chegou décima posição no campeonato da SCCA. Antes disso, ela  já havia conseguido bons resultados com o Corvette, que usava junto com o marido. Mas ele não deixou que o ‘Vette fosse pintado de cor-de-rosa. O Austin, por outro lado, era só dela, e ela pode pintar da cor que quisesse.

 

Alexis DeJoria

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Alexis DeJoria compete em arrancadas na NHRA (a National Hot Rod Association, principal corpo organizador de drag races nos EUA) desde 2005. Ela já correu na Super Gas, na Super Comp e na Top Alcohol antes da Top Fuel, onde está até hoje.

Não se engane pelo cor-de-rosa do Toyota Camry de DeJoria: um funny car Top Fuel usa, normalmente, um V8 supecharged capaz de entregar pelo menos 10.000 cv queimando uma mistura de até 90% de nitrometano com metanol. São carros capazes de chegar aos 160 km/h em menos de um segundo e seguir acelerando até os 450 km/h em apenas 200 metros. A aceleração é tão intensa que os pilotos experimentam forças de até 5,6 g durante a arrandaca.

 

Susie Wolff na DTM

Motorsports / DTM 2012, 6. race at Nuerburgringring, #24 Susie Wolff (GBR, Persson Motorsport / DTM AMG Mercedes C-Coupe), *** Local Caption *** +++ www.hoch-zwei.net +++ copyright: HOCH ZWEI / Juergen Tap +++

Uma das mais famosas pilotos femininas da atualidade dos últimos anos, a britânica Susie Wolff correu na DTM entre 2006 e 2012. Já em 2007 ela começou a usar o cor-de-rosa em seu Mercedes-Benz Classe C, assumindo o tom de vez na temporada seguinte.

Susie Wolff também correu na Fórmula 1 entre 2012 e 2015, antes de se aposentar por conta de sua primeira gravidez.

 

Porsche 935 da Kremer Racing

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O Porsche 935, uma das versões mais insanas do Porsche 911, foi vencedor das 24 Horas de Le Mans de 1979, com uma vitória tripla. O carro vencedor foi inscrito pela Kramer Racing, que ficou responsável pela equipe de fábrica da Porsche a partir daquele ano. O 935 era um dos carros de corrida mais insanos da época, com potência que ficava entre 740 cv e 800 cv em seu flat-six de apenas 2,1 litros.

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Foto: tobysx70/Flickr

Em 1981 e 1982, a Kremer levou um Porsche 935 pintado de cor-de-rosa às 24 Horas de Le Mans. Em 1981, o carro de chassi #020 foi guiado pelo trio americano Ted Field, Bill Whittington e Don Whittington, mas não chegou a terminar a prova por uma falha mecânica. Já em 1982, com o alemão Edgar Dören, o mexicano Antonio Contreras e o americano Billy Sprowls dividindo o volante, o carro não terminou a corrida por falta de combustível.

 

Rubens Barrichello na Stock Car em 2015

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Esta é auto-explicativa. Rubens Barrichello aderiu ao Outubro Rosa em 2015 e seu Chevrolet Sonic, normalmente decorado na cor verde da equipe Medley, recebeu uma pintura especial cor-de-rosa. Todos os integrantes da equipe usaram macacões cor-de-rosa, e Barrichello doou o capacete com o qual disputou a corrida – realizada no Autódromo de Curitiba – para um leilão. O dinheiro arrecadado foi doado ao Hospital IBCC (Instituto Brasileiro de Controle do Câncer.

 

Shirley Muldowney

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Conhecida como “a primeira dama da arrancada” ou “Cha Cha”, Shirley Muldowney viveu o auge de sua carreira no fim dos anos 1970 e no início da década de 1990. Pilotando na categoria Top Fuel, ela conquistou os títulos de 1977, 1980 e 1982. Ela foi a primeira pessoa (não a primeira mulher!) na história a vencer três títulos na Top Fuel.

Nascida em 1940, ela começou a se interessar pelas arrancadas aos 16 anos, quando se casou com Jack Muldowney – que, depois, ajudou Shirley a construir seu primeiro carro de arrancada. Um acidente em 1984 a deixou gravemente ferida nas mãos, pélvis e pernas, forçando Shirley a interromper sua carreira até o fim da década de 1980. Muldowney se aposentou das pistas em 2003.

 

Menção Honrosa: o “Pink Pig” de LeMons

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Você deve conhecer as 24 Horas de LeMons – a prova de longa duração americana que, parodiando Le Mans (lemon é como os americanos chamam os carros que, no Brasil, conhecemos como “micos” ou “bombas”), só permite carros extremamente baratos e encoraja customizações malucas.

O carro da foto acima é, bem, um Pink Pig, mas não é um Porsche, e sim um Mustang de terceira geração (o modelo dos anos 1980, conhecido como Fox body) disfarçado de porco.

 

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