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Car Culture

Os gêmeos da era de ouro dos Muscle Cars


Apontar o início exato da era de ouro dos muscle cars é uma tarefa difícil, cheia de nuances que devem ser consideradas na decisão. Há quem diga que ela começou em 1964, com o lançamento do Pontiac GTO, mas também há uma boa razão para dizer que tudo começou na virada dos anos 1950 para os anos 1960.

Se o início da era de ouro é um tanto nebuloso, o mesmo não podemos dizer de seu fim, que foi bem delimitado pela crise do petróleo de 1973, que fez os preços do barril dispararem da noite para o dia, inviabilizando o consumo despreocupado de combustível pelos motores cada vez maiores e mais potentes.

Quem matou o muscle car?

Com a demanda por carros baratos e cada vez mais potentes, o mercado dos muscle cars atingiu a maioridade na metade dos anos 1960 e chegou ao seu auge entre 1968 e 1971 — tempos em que as fabricantes tinham menos preocupações e já sabiam como fazer milhões de carros por uns poucos milhares de dólares.

O último suspiro dos muscle cars: os cinco V8 mais potentes dos anos 1970

Usando o compartilhamento de plataformas e suas diversas divisões que acabavam segmentando seus produtos, eles conseguiram produzir literalmente dezenas de carros diferentes, mas que, no fundo, eram iguais. São os irmãos de plataforma, modelos que compartilham sua base mecânica entre si e que fizeram a história dos muscle cars nos anos 1960.

Como essa abundância de modelos também resulta em uma pequena confusão de nomes, posicionamento e segmentação, decidimos desenrolar esse emaranhado de carros neste post, explicando suas semelhanças, diferenças, equivalências e posicionamento.

 

General Motors

Na GM os muscle cars eram feitos sobre duas plataformas, A-Body e B-Body, enquanto os pony cars usavam as compactas F-Body e X-Body.

 

B-Body: os full-size

A plataforma B-Body era a maior de todas, usada nos modelos full-size do período: o Chevrolet Impala, os Oldsmobile Starfire e Jetstar, e os Pontiac Grand Prix e 2+2. Não eram gêmeos propriamente ditos porque cada marca variava a plataforma de acordo com seu projeto, além dos motores, que eram desenvolvidos por cada divisão da GM.

Impala 1964

Considerando apenas a era de ouro dos muscle cars (1961-1972), o Impala teve duas gerações de maior destaque, a terceira e a quarta. As duas mantiveram a mesma base, com entre-eixos de 119 polegadas/3,02 metros, e usaram sempre os motores V8 Turbo Fire (small block), Turbo Thrust (big block até 1964) e Turbo Jetta (big block de 1965 a 1970).

Oldsmobile Jetstar I

Os gêmeos da Oldsmobile eram o Starfire e o Jetstar I. O primeiro foi produzido de 1960 a 1966, mas o esportivo mesmo era o Jetstar I. Ambos tinham o entre-eixos de 123 polegadas (3,12 metros) e eram embalados pelos V8 Rocket, projeto da própria Olds, com deslocamento de 6,5 e 7 litros.

Na Pontiac os full-size eram o Grand Prix e o Catalina, que tinham suas versões duas-portas, e o esportivo 2+2, o “irmão mais velho do GTO”, segundo a publicidade da marca na época.

Catalina 2+2

O Grand Prix e o Catalina tinham entre eixos de 120 a 122 polegadas (3,05 a 3,10 metros), enquanto o 2+2 usava somente a configuração mais longa, de 121 polegadas/3,07 metros. Todos usavam os motores V8 Trophy, mas somente o 2+2 tinha versões próprias, batizadas de 2+2 V8.

Wildcat, o 2+2 da Buick

Na Buick, o full-size era o Wildcat, que tinha entre-eixos de 123 polegadas (3,12 metros) e usava, claro, os V8 Buick. Seu esportivo era o Wildcat GS, vendido somente em 1966 com o mesmo entre-eixos do modelo comportado, porém com uma versão de alto desempenho do Buick V8 chamada Nailhead.

O posicionamento dos carros colocava os Chevrolet na entrada, Pontiac e Buick na intermediária — sendo a Pontiac uma marca mais jovem e com mais apelo esportivos — e a Oldsmobile como modelo de topo.

 

A-Body: a classe média

Logo abaixo vinha a plataforma A-Body, de porte intermediário entre os modelos médio-compactos e os full-size. Neste segmento estavam os muscle cars mais famosos e populares da era: os Chevrolet Chevelle, Chevelle Malibu e Monte Carlo, os Pontiac Tempest, GTO, Le Mans e Grand Am, os Buick Special, Century e Skylark, e os Oldsmobile Cutlass e 442.

Os primeiros modelos desta plataforma, os Chevrolet Chevelle e Malibu de primeira geração, tinham entre-eixos de 115 polegadas (2,92 m). Na segunda metade dos anos 1960, contudo, a GM unificou o entre-eixos de todos os modelos desta plataforma, passando a usar 112 polegadas (2,82 m). Como nos full-size, cada marca utilizava seu próprio motor.

O posicionamento aqui não era diferente dos full-size: Chevelle e Malibu faziam a base, Pontiac e Buick os intermediários e os Oldsmobile ficavam no topo.

 

F-Body: os compactos

Os pony cars da GM — os dois únicos que ela fez nessa era de ouro — usavam uma plataforma compacta chamada F-Body. Os dois carros eram o Chevrolet Camaro e o Pontiac Firebird/Trans-Am. Ambos tinham 108 polegadas de entre-eixos (2,74 metros) e silhuetas bem mais próximas do que os muscle cars, mantendo as linhas de cintura muito próximas e diferenciando-se basicamente pelo estilo da dianteira e da traseira.

Isso em termos estéticos, claro. Sob o capô cada um usava seu próprio V8, embora o Firebird tenha adotado motores Chevrolet nas versões de seis cilindros e em alguns deslocamentos do V8 no fim dos anos 1970.

Com apenas dois carros, a segmentação era simples: o Camaro era o modelo de entrada, rivalizando com o Mustang, e o Firebird era o modelo de topo

 

Chrysler

A Chrysler também usava um sistema de designação de plataformas por letras. Os modelos full-size eram os C-Body, os intermediários eram os B-Body, os compactos eram os A-Body e os esportivos os E-Body.

C-Body: “muscle de luxo”?

Plymouth Sport Fury

Na Chrysler os modelos full-size eram os C-Body: Chrysler Newport de quarta geração e 300 (non-letter series), Dodge Monaco e Polara de terceira geração, e Plymouth Sport Fury. Estes modelos, apesar dos motores de até 7,2 litros de deslocamento, não são tradicionalmente considerados “muscle cars”, embora o 300 non-letter seja considerado por algumas fontes um “muscle car de luxo”.

Chrysler Newport

O Newport e o 300 eram modelos com uma abordagem mais luxuosa, enquanto o Dodge Monaco era o modelo “personal luxury” da linha, uma categoria de topo do mercado americano com alguma inspiração esportiva, porém com foco no conforto. O Polara era um modelo intermediário da Dodge, e o Plymouth Sport Fury era o modelo esportivo da linha.

Chrysler 300 non-letter

Com exceção do 300, todos tinham entre-eixos de 121 polegadas (3,07 metros). Em 1967 o Polara teve o entre-eixos sutilmente aumentado para 122 polegadas (3,10 metros), enquanto o 300 usava um entre-eixos de 124 polegadas (3,15 metros). Todos usavam motores da série B/RB.

 

B-Body: a classe média-alta

Na linha intermediária da Chrysler estavam os modelos B-Body, posicionados entre os médios (A-Body) e os full-size (C-Body). Na Dodge estes modelos eram o Polara e suas versões 330 e 440 até 1964, e o Coronet de 1965 a 1970 — além, é claro, do Charger entre 1966 e 1971. Os Plymouth equivalentes eram o Satellite e o Belvedere, dos quais derivaram também o GTX e o Road Runner.

Dodge Coronet

Somente a Dodge tinha esta categoria média-alta até 1964; os Plymouth apareceram em 1965. No primeiro ano, 1962, o Polara veio com entre-eixos de 116 polegadas (2,95 metros), mas teve a medida aumentada para 119 polegadas (3,02 metros) em 1963. Em 1965, o Coronet o substituiu novamente com 116 polegadas, mesma medida dos quatro Plymouth. O Charger era o mais longo entre os eixos, com 117 polegadas (2,97 metros)

No posicionamento dentro do grupo Chrysler, o Polara/Coronet eram os modelos de topo, com o 330 e o 440 como intermediários. O Coronet teve duas versões esportivas: entre 1965 e 1967 quem desempenhava esse papel era a primeira geração do Charger. Em 1968, a Dodge decidiu separá-los, tornando o Charger um modelo independente para o topo da linha, enquanto o Coronet ganhou a versão esportiva Super Bee, posicionada logo abaixo do Charger.

Na Plymouth, o Belvedere era o modelo de entrada do segmento, enquanto o Satellite era o modelo de topo da linha Belvedere. Com isso, o GTX era o esportivo médio-grande de entrada e o Road Runner o esportivo de topo do segmento na Plymouth.

 

A-body: os compactos

Dodge Dart 1967

Aqui as coisas ficam mais populares e familiares para nós brasileiros. A plataforma A-Body inclui o Dodge Dart, que em sua terceira geração deu origem a todos os modelos V8 que a Chrysler fabricou no Brasil, além dos Plymouth Valiant, Duster e das duas primeiras gerações do Barracuda.

Apesar de parecidos, eles tinham entre-eixos diferentes: os Dart usavam sempre o entre-eixos de 111 polegadas (2,82 metros), enquanto os Plymouth tinham entre-eixos de 108 polegadas (2,74 metros). O único Plymouth A-Body com entre-eixos mais longo era o Valiant Scamp, que era basicamente um Dart Swinger com emblemas da Plymouth. Daí o entre-eixos de 111 polegadas.

Plymouth Valiant 1968

Quanto aos motores, Dart, Valiant e Barracuda usaram o V8 LA, mas o Barracuda também usou o V8 B/RB e o RB Hemi.

Plymouth Barracuda 1969

O posicionamento destes modelos, no segmento médio, tinha o Dodge Dart como modelo de entrada da Dodge, posicionado pouco acima do Plymouth Valiant. O Barracuda era o esportivo de entrada da Plymouth até 1969, quando o Duster assumiu essa posição e o Barracuda foi promovido a uma categoria superior, com uma nova plataforma.

 

E-Body: os esportivos

Por último estavam os modelos da plataforma E-Body: o Plymouth Barracuda de terceira geração e o Dodge Challenger. Apesar de compartilharem a mesma plataforma E-Body (uma versão mais curta e mais larga da B-Body, com componentes de suspensão próprios), eles tinham entre-eixos diferentes — 110 polegadas (2,79 metros) no Challenger e 108 polegadas (2,74 metros) no Barracuda.

Novamente o posicionamento da Chrysler colocou o Dodge Challenger acima do Plymouth, de forma que ele rivalizava com o Pontiac Firebird e com o Mercury Cougar, em vez de diretamente com o Mustang e com o Camaro. Pouco mais abaixo na tabela de preços da Chrysler, o Barracuda era o modelo de entrada deste segmento, embora usasse os mesmos motores LA, B/RB e Hemi que o Challenger.

 

Ford

Diferentemente das rivais, a Ford não tratava suas plataformas por letras categorizadas. Elas eram eram identificadas por códigos internos, sem um nome comercial como A-Body, por exemplo. Além disso, apesar de a Ford Motor Company abranger a Ford, a Mercury e a Lincoln, esta última era voltada ao segmento de luxo, então os gêmeos do mercado americano eram apenas os modelos Mercury e Ford.

 

Os full-size da Ford

A exceção era o Lincoln Continental, que compartilhava sua plataforma com os modelos full-size da Ford e da Mercury, o Galaxie e o Monterey, respectivamente. Os três tinham entre-eixos diferentes, sendo o do Ford o mais curto, com 119 polegadas (3,02 metros), o do Mercury o intermediário, com 121 polegadas (3,07 metros) e o do Lincoln o mais longo, com 124 polegadas (3,15 metros).

Quanto aos motores, Ford e Mercury usavam o Windsor e o FE, enquanto o Lincoln usava o big block 385 e o motor Mercury Edsel Lincoln (MEL). O posicionamento dos carros era o mesmo de seus entre-eixos: o Galaxie era o modelo mais acessível deste segmento de topo, seguido pelo Mercury como intermediário, e pelo Lincoln como o modelo de alto luxo do grupo.

O papel do esportivo era cumprido pelo Mercury Monterey S-55 entre 1962 e 1967, embora o Galaxie também tivesse suas versões de alto desempenho, como o lendário Galaxie Cammer, e a Lincoln tivesse lançado o Continental Mark III em 1968 como versão “personal luxury” — o esportivo de topo.

 

Os Ford médios

Mercury Comet 1967

Como a Lincoln só produziu o Continental ao longo dos anos 1960, os médios da Ford se resumiam ao Mercury Comet e aos Ford Fairlane e Torino. Aqui uma inversão: o Mercury tinha entre-eixos mais curto que os dois Ford. Eram 114 polegadas (2,90 metros) do Comet ante 116 polegadas (2,95 metros) do Fairlane e do Torino.

Ford Torino 1967

O posicionamento dos carros também era um pouco diferente do segmento superior: o modelo de entrada era o Ford Fairlane, mas o intermediário não era o Comet, e sim o Torino, que visava ser uma versão superior do Fairlane. O Comet era o modelo mais refinado da plataforma, e também tinha um esportivo chamado Cyclone GT, que era o gêmeo do Torino GT. Todos usavam os motores V8 FE ou small block

 

Os pony cars

Neste segmento a história dos Ford repete à dos Chrysler e dos General Motors: havia o Ford Mustang e o Mercury Cougar. O Mustang como o modelo de entrada e o Cougar como sua versão mais requintada.

Eles compartilhavam a plataforma originada no Ford Falcon, mas o Mustang sempre teve entre-eixos de 108 polegadas (2,74 metros), enquanto o Cougar tinha 111 polegadas (2,82 metros). Os motores Windsor e FE eram usados nos dois modelos, mas somente o Mustang tinha o V8 Cleveland e o V8 Cobra.

Seguindo a hierarquia de posicionamento da Ford na época, o Mustang era o modelo de entrada, e o Cougar era um modelo sutilmente mais caro e refinado.

 

Os compactos

Por último, já fora da era de ouro dos muscle cars — mas ainda válido devido à relevância do modelo por aqui — havia os sub-compactos da Ford: o Maverick e a quinta geração do Mercury Comet. Aqui temos os verdadeiros gêmeos, já que o Comet era simplesmente o Maverick decorado como um Mercury, sem grandes mudanças na carroceria ou na plataforma.

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