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Os melhores carros de tração traseira da Alfa Romeo

Foto: ohirtenfelder/Flickr

Na metade da semana passada a Alfa Romeo apresentou ao mundo o novo Giulia, seu primeiro sedã de tração traseira em 23 anos e futuro rival do trio alemão formado por Mercedes Classe C, Audi A4 e BMW Série 3. Desde 1992 os sedãs — e todos os outros modelos — da Alfa Romeo eram baseados em plataformas Fiat, todas de tração dianteira. Foi um período de ruptura com a tradicional configuração de motor dianteiro e tração traseira — muitas vezes com transeixo, ou seja, câmbio integrado ao diferencial e eixo traseiro.

Com a volta da tração traseira a um sedã da Alfa Romeo, achamos que seria uma boa hora para relembrar os Alfa Romeo mais marcantes com tração traseira. Aqui estão:

 

Alfa Romeo SZ e RZ

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A tração traseira na Alfa Romeo foi abandonada gradualmente a partir dos anos 1980, quando a Fiat (dona da Alfa) decidiu usar suas plataformas para construir os futuros carros da marca. O último modelo com transeixo produzido em grande escala pela Alfa foi o sedã 75, produzido entre 1985 e 1991, mas ele não foi de fato o último Alfa Romeo com tração traseira nos anos 1990.

 

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Em 1989 a Alfa Romeo juntou-se à Zagato e ao Centro Stile Fiat para produzir um esportivo “experimental”, que foi apresentado naquele mesmo ano no Salão de Genebra.

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Ele usava a base mecânica do sedã 75 — motor V6 dianteiro de 210 cv e transeixo de cinco marchas, mas a suspensão era da versão de corridas que disputava as provas da IMSA nos anos 1980. Foram feitas 1.036 unidades até 1991, ano em que a produção do 75 foi encerrada.

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Em 1992 a Zagato decidiu fazer mais 350 unidades de uma nova versão conversível, mas problemas financeiros interromperam a produção após a 252ª unidade e somente outros 36 carros foram feitos até o fim de 1994, totalizando 286 carros. Os 286 últimos Alfa Romeo com a tradicional combinação de motor dianteiro e transeixo traseiro.

 

Alfa Romeo 8C

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Em 2007, depois de 13 anos de modelos baseados em plataformas de tração dianteira, a Alfa Romeo finalmente lançou seu primeiro modelo com tração traseira, o 8C Competizione. O retorno foi feito com ajuda corporativa: a plataforma era a mesma do Maserati 4200 GranTurismo e o motor V8 de 4,7 litros e 450 cv era fabricado pela Ferrari, mas a beleza de suas linhas é 100% Alfa Romeo.

Apesar da origem refinada, ele não era perfeito — como todo Alfa Romeo. Começando pelo peso: 1.540 kg — dos quais 47% são de peças de fibra de carbono (!), passando pela rodagem dura, direção pesada (ainda que direta) e comportamento imprevisível: segundo os britânicos da Autocar você nunca sabe se o carro vai sobre-esterçar ou contornar a curva firme e afiado.

O V8 de cárter seco e virabrequim cruzado leva o super Alfa aos 100 km/h em 4,2 segundos e à máxima de 292 km/h — o que deixa a impressão de que a Alfa Romeo poderia ter se esforçado um pouco para que o carro chegasse aos 300 km/h. Mesmo assim, os defeitos tornam-se “particularidades” quando você olha para cada curva desse cupê italiano. A volta da tração traseira à Alfa não poderia ser em melhor estilo.

 

Alfa Romeo 33 Stradale

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A receita do 33 Stradale é como uma bela macarronada: simples e saborosa. Basta pegar um carro de corridas — nesse caso o Autodelta Tipo 33 da divisão de corridas da Alfa — e trocar sua carroceria por algo que faça o trânsito parar.

Como em 1967 você não podia simplesmente inserir um algoritmo em um computador e esperar uma prensa estampar algumas chapas de alumínio para formar todas essas curvas voluptuosas, cada um dos dezoito Alfa 33 Stradale teve que ser modelado à mão. Por isso todos eles eram diferentes em alguns detalhes — os primeiros modelos tinham faróis duplos, enquanto os últimos usaram um farol de luzes simples.

O motor era um V8 de apenas dois litros, com curso curto (78 mm x 52,2 mm) — um dos fatores que o permitia girar até 10.000 vezes por minuto. Esses motores também foram feitos à mão, então a potência máxima é diferente em cada um dos carros, variando entre 220 e 240 cv.

 

Alfa Romeo Montreal

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Foto: VintageClassicCars/Tumblr

Em 1967 a Alfa Romeo foi à Expo 67 em Montreal, no Canadá, com um cupê conceitual baseado no Alfa Giulia (com motor 1.6) e estilizado por um Marcelo Gandini recém contratado pela Bertone. Na época muitos carros conceito não tinham nome oficial, e por isso o modelo ficou conhecido como “Montreal”.

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Foto: VintageClassicCars/Tumblr

Três anos depois a versão de produção foi apresentada no Salão de Genebra, mas com algumas diferenças: o motor quatro-cilindros de 1,6 litro deu lugar a um V8 de 2,5 litros com 200 cv e injeção mecânica — bem mais apetitoso e derivado do 33 Stradale, que por sua vez tem origem nas pistas.

Além do motor, seu principal atrativo era a dianteira, com os farois parcialmente cobertos por grelhas retráteis. Foi o primeiro Alfa Romeo V8 produzido em grande escala, e chegava aos 100 km/h em apenas 7,1 segundos e acelerava até os 224 km/h, segundo a revista Quattroruote. Apesar do visual deslumbrante e do motor empolgante, o Montreal não foi muito bem vendido, com apenas 3.917 unidades produzidas entre 1970 e 1977 — e uma delas está no Brasil.

 

Alfa Romeo GTV6

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Foto: ThatRifeLife

O Alfetta era o sedã grande da Alfa Romeo nos anos 1970 e, além de ser a inspiração para o nosso 2300ti brasileiro, também foi a base para o fastback GTV — um esportivo projetado por Giugiaro e equipado inicialmente com um motor 1.8 de comando duplo no cabeçote e mais tarde com um 1.8 turbo de 175 cv, criado para homologar o modelo para o Grupo 4 da FIA. Batizado Turbodelta, ele teve 400 unidades produzidas e foi o primeiro carro italiano equipado com turbocompressor.

Mas o modelo que fez história e conquistou seu lugar nesta lista foi o GTV6, lançado em 1980 e equipado com um V6 de 2.5 litros e 160 cv que levava o carro aos 215 km/h produzindo um ronco incrível. Sua característica mais marcante era o ressalto do capô, criado para dar espaço para a admissão do V6. Mais tarde, em 1984 a cilindrada aumentou para três litros e a potência subiu para 173 cv, suficientes para levar o GTV6 aos 100 km/h em 8 segundos e aos 225 km/h.

Jeremy Clarkson certa vez disse publicamente que o carro que mais se arrependeu de vender foi seu Alfa GTV6: “ele não funcionava, mas ainda hoje acho que é o carro com o melhor ronco de todos”.

 

Alfa Romeo Spider

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Tal como os MG e Triumph definem os roadsters britânicos, nenhum carro expressa melhor o espírito das barchetta italianas  que o Alfa Romeo Spider. O modelo foi produzido ininterruptamente entre 1966 e 1993, passando por três gerações conhecidas como “Duetto”, “Coda Tronca”, “Duck Tail” e “Ultima” — todas em referência à traseira do roadster.

Com linhas simples e puras, carroceria leve e um acerto dinâmico primoroso, o Spider se tornou um clássico instantâneo e um dos maiores símbolos da cultura italiana e do prazer de dirigir. Originalmente a primeira geração pesava apenas 990 kg e tinha motores que iam de 1.3 a 1.8 de 89 a 132 cv.

Depois ele ganhou um 2.0 de 132 cv com mais torque — 17,8 mkgf em vez dos 16,8 mkgf do 1.8 — em sua segunda geração e perdeu o 1.3 na terceira. A última série, feita entre 1990 e 1993, trazia somente os motores 1.6 e 2.0, este último com potência reduzida para 129 cv.

 

Alfa Romeo 75

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Se você não considerar os Sprint Zagato e os Roadster Zagato (SZ e RZ), o 75 foi o último modelo da Alfa Romeo equipado com a tradicional combinação de motor dianteiro e transeixo traseiro — e o último sedã de tração traseira da marca antes do recém-lançado Giulia.

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Lançado em 1985 para substituir o Giulietta, ele também foi o último modelo lançado pela Alfa antes do controle da Fiat. Os motores combinados ao câmbio integrado ao eixo traseiro iam de um 1.6 carburado de 110 cv a um V6 2.5 injetado de 156 cv. Mais tarde ele também ganhou um 1.8 turbo de 165 cv e um V6 3.0 de 192 cv.

 

Alfa Romeo GTA

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O Alfa GTA era sucessor direto da Alfa Giulia Sprint GT de 1963. Desenvolvido pela Autodelta para disputar corridas a partir de 1965, ele era basicamente um Giulia com uma severa dieta de redução de peso, que incluía painéis de carroceria de alumínio em vez de aço, e elementos estruturais feitos de chapas de aço mais finas.

A dieta era tão extrema que os componentes da carroceria não eram soldados, mas colados ou rebitados. As rodas eram de magnésio — o material super leve da época —, e as janelas de policarbonato. Com tudo isso, a versão de rua pesava apenas 820 kg, contra 948 kg do Giulia Sprint GT. A motorização variava de 1.3 de 96 cv do GTA Junior ao 2.0 de 240 cv do GTAm, com velocidade máxima de 175 km/h a 240 km/h.

 

Alfa Romeo 4C

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Se estamos comemorando a volta da tração traseira a um sedã Alfa Romeo, devemos tudo a este carinha aí em cima. O pequeno esportivo italiano de motor central-traseiro surgiu como um conceito no Salão de Genebra em 2011, e pouco se falou sobre uma versão de produção até dois anos depois, na edição 2013 do mesmo Salão. Foi um dia feliz para entusiastas de todo o planeta.

Com um monobloco de fibra de carbono com subchassis dianteiro e traseiro de alumínio, o Alfa Romeo 4C pesa apenas 850 kg, que são movidos por um motor 1,75 litro (também todo de alumínio) que, com turbo e injeção direta, entrega 240 cv a 6.000 rpm e 35,7 mkgf de torque já a 2.100 rpm. A transmissão é a TCT de dupla embreagem e seis marchas.

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O conjunto é capaz de levar o 4C até os 100 km/h em 4,5 segundos, com máxima de 258 km/h. Mas desempenho em linha reta não é o único forte do italianinho (que tem mais ou menos o porte de um Fiat Punto): com suspensão independente nas quatro rodas (braços triangulares sobrepostos na dianteira e McPherson na traseira), sua dinâmica é a de um legítimo supercarro em miniatura.

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O design simples do interior é o complemento perfeito para as belas linhas da carroceria, e a fibra de carbono visível nas soleiras das portas é pornográfica para caras como nós. Até perdoamos a falta do câmbio manual…

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