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Pensatas Zero a 300

Perfume de carro antigo.

Últimos meses da década de 80. Eu não tinha nem dez anos de idade ainda, mas a memória é lisa e sem falhas como uma poltrona revestida de couro Conolly bem hidratada. Cinco e meia da tarde. Na saída do colégio, indo em direção à perua escolar, vejo um Mercedes-Benz da década de 60, azul marinho com interior de couro vermelho, quase bordô. A luz do fim da tarde entrava pelas janelas laterais e acendia o revestimento a ponto de ele parecer cereja. A cor daquela cabine me chamou a atenção, porque já tinha visto ônibus com bancos daquela cor – Cometa, o que mais –, mas nunca um carro. Chegando próximo a ele, vi a pintura desgastada no teto. Lembro que associei aquela pintura esbranquiçada à farinha que fica na mesa de padeiro. Um pouco mais perto e vejo o couro dos bancos com leves trincados. A janela do motorista está entreaberta. Me aproximo para ver o painel – e subitamente sou fisgado pelas narinas. Amigos, o feromônio antigomobilista é o perfume da cabine de um car

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