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Car Culture

Pesados e furiosos: quando os big rigs americanos disputam provas de arrancada

Por mais que todo entusiasta diga que curte tudo que tem motor, todos temos interesses pelos quais… nos interessamos mais. E isso acaba fazendo com que não consigamos prestar atenção a todos os tipos de veículo, a todas as cenas, a todas as categoria de competição. É simplesmente impossível, ainda mais por conta do volume de informação que é atirado sobre nós todos os dias.

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Por isso, é totalmente perdoável você nunca ter ouvido falar em corridas de arrancada para big rigs – os grandes caminhões americanos, famosos por terem feito parte de um enorme movimento cultural, social e econômico nos anos 70. Mas elas existem, e são barulhentas, fumacentas e espetaculares do jeitinho que você deve estar imaginando.

O fato de existirem corrida de arrancada para big rigs pode ser qualquer coisa, menos surpreendente. Ora, os caminhões da Peterbilt, da International LoneStar e da Kenworth – possivelmente as big three das fabricantes de pesados americanas – têm uma gigantesca comunidade de fãs e entusiastas. Eles são imponentes, têm visual icônico e estão profundamente enraizados no imaginário coletivo dos Estados Unidos. Além disso, do ponto de vista puramente técnico, são veículos realmente fascinantes. Estranho seria se não existissem corridas com eles…

Não há como saber desde quando donos de big rigs se juntam em pistas de arrancada para medir forças, mas provavelmente desde que se dirige caminhões. A forma organizada do esporte, porém, é bem mais fácil de se rastrear: no Canadá, elas ocorrem há mais de trinta anos e, em 1995, deram origem à NAST – National Association of Show Trucks, que dispensa tradução.

Imagine um encontro de carros ao estilo Goodwood – não no público ou nas atrações, mas no formato do evento: uma exibição de veículos com categorias, juízes e premiações, dividindo espaço com um evento de pista. Em vez de carros clássicos com valor na casa dos milhões, caminhões clássicos que, em alguns casos podem até chegar perto disso. Alguns vão só para serem apreciados. Outros, para ver quem é o mais rápido.

Os caminhões em exibição têm todas as cores e estilos de restauração e customização – dos survivors que exibem orgulhosos suas marcas de guerra (ou a falta delas) aos restaurados com perfeição, passando pelos customizados de forma extravagante e, claro, pelos preparados para arrancada. Assim como em Goodwood, as premiações são concedidas de acordo com o julgamento de uma bancada de juízes, que escolhem os melhores representantes em diferentes categorias: o melhor com implemento (Best Combo), o melhor sem implemento (Best Bobtail), o melhor caminhão de trabalho, o melhor “trailer queen” (para caminhões que não rodam e só vão até o evento em cima de trailers) e, claro, as escolhas do público. Não há o mesmo glamour de um evento na propriedade do Lord March, claro, mas a estrutura é semelhante. Incluindo os já citados eventos de pista, que certamente são a principal atração.

Novamente, as corridas seguem uma lógica parecida com as arrancadas de automóveis, com um regulamento que divide os caminhões em categoria de acordo com o tamanho, o tipo de implemento e a força do motor.

A NAST tem uma série de divisões regionais que realizam eventos semelhantes em diferentes partes da América do Norte. Ironicamente para um esporte canadense, o principal evento acotnece nos Estados Unidos, na região dos Grandes Lagos. Lá, ocorre todos os anos o Great Lakes Big Rig Challenge. Em 2020 seria realizada a quarta edição do evento, que foi adiada para este ano.

Este é um clipe da edição de 2018 do Great Lakes Big Rig Challenge. O local usual é a pista de arrancada de Onaway Speedway, no norte do Michigan. O local foi construído em 1983 e, originalmente, a intenção não era receber provas de caminhões. Contudo, em 2017 o local foi comprado por seu atual proprietário e convertido para receber quase exclusivamente as provas da NAST. O trecho oval ainda recebe provas de stock cars de tempos em tempos, mas a atração principal são mesmo as corridas de arrancada.

Elas acontecem em um trecho de aclive em Onaway Speedway, e os caminhões são divididos em diferentes categorias de acordo com o peso, a potência e outras características – são três categorias no total.

A Classe A fica no topo, e é voltada a caminhões com motor de deslocamento entre 16 e 19 litros, no máximo oito cilindros e dois turbocompressores. A Classe B engloba caminhões com menos de 16 litros de deslocamento e apenas um turbocompressor. E, finalmente, a Classe C inclui caminhões com redline até 2.400 rpm e não permite que se troque o turbocompressor.

Todos os caminhões disputam puxando implementos e competem ao longo de três dias – primeiro nas eliminatórias, depois nas finais. Nas eliminatórias, os caminhões puxam implementos de 50 toneladas (o peso é rigorosamente aferido na balança), o que leva seu peso total a cerca de 60.000 kg incluindo o cavalo mecânico. Nas finais, puxando implementos articulados, os caminhões precisam rebocar implementos de 70 toneladas, chegando ao peso total de 80.000 kg com o cavalo mecânico.

A pista tem 10° de inclinação e, apesar de ser uma dragstrip padrão de 402 metros, o percurso da largada à linha de chegada é de 152 metros (500 pés) – o suficiente para que os caminhões mais rápidos alcancem até 112 km/h.

Convenhamos: uma arrancada de carros em uma pista de 150 metros com velocidade até 112 km/h seria, no mínimo, entediante. Agora, quando os veículos são big rigs, a coisa muda. O rugido dos motores a diesel com escape livre é atordoante – e, nas categorias A e B, a fumaça preta dos canos de escape é parte do espetáculo (apenas os caminhões da categoria C não podem emitir fumaça).

Um detalhe importante é que, apesar de existirem regras e um prêmio de US$ 50.000 para o vencedor, a corrida de arrancada em si não é o principal objetivo – tanto é que muitos caminhões recebem modificações no chassi para permitir que o torque do motor durante a largada (que pode passar facilmente dos 200 kgfm), faça com que uma das rodas dianteiras se levante. Quando isso acontece, há um prejuízo considerável no desempenho do caminhão e, consequentemente, seu tempo final aumenta. Para quem está assistindo, porém, o efeito visual é impressionante – e, por conta disso, muitos pilotos de caminhões de arrancada preferem perder a corrida mas garantir o entretenimento do público.

Agora, se você quer velocidade, sempre há os caminhões com turbinas a jato

 

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