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Car Culture

Porsche 911 “ALD 964”: quando a moda e os carros clássicos se encontram

Geralmente colaborações entre fabricantes de automóveis e grifes de vestuário acabam virando chacota entre os entusiastas – geralmente por forçar associar determinado estilo a um carro de forma artificial. Mas, de vez em quando, as fabricantes (e grifes) acertam. E o acerto de hoje veio da Porsche.

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Os alemães divulgaram hoje os primeiros materiais a respeito de seu mais novo especial one-off feito em parceria com uma marca fashion and lifestyle. No caso, estamos falando da Aimé Leon Dore, empresa nova-iorquina fundada pelo estilista Teddy Santis.

Você está perdoado se não conhecer a ALD: a marca de streetwear é relativamente nova, fundada em 2014. O estilo de suas coleções é minimalista e se baseia muito em figuras geométricas e paisagens surrealistas, aliadas a tecidos e materiais tradicionais.

Agora é a hora em que você pergunta o que isso tem a ver com o FlatOut. E a gente responde: Teddy Santis gosta tanto de moda quanto gosta de carros. No Instagram, ele alterna entre fotos de moda e de carros clássicos – com uma predileção especial pelos BMW, Mercedes, Land Rover e, claro Porsche. Aliás, um de seus posts é uma foto sua quando criança, ao lado do que parece ser um Porsche 944 da década de 1980:

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📍. Queens 1996 –

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Certamente foi uma escolha pessoal de Santis usar um exemplar de 1990 do Porsche Carrera 4 como base para a collab entre a Aimé Leon Dore e a Porsche. Provavelmente ele só queria juntar as suas duas maiores paixões e tinha os meios para fazê-lo.

Originalmente, o Carrera 4 da geração 964 era equipado com um flat-six arrefecido a ar de 3.600 cm³ com injeção eletrônica, duas velas por cilindro, 250 cv a 6.200 rpm e 31,6 kgfm de torque a 4.800 rpm, com giros limitados a 6.700 rpm. Não são números aterradores hoje em dia mas, honestamente, em um esportivo de motor traseiro com câmbio manual e tração nas quatro rodas, nos parece o suficiente para garantir diversão para a vida toda.

Nem a Porsche, e nem a ALC falaram a respeito de modificações mecânicas, mas o vídeo de apresentação divulgado hoje (04) pela AImé Leon Dore tem todos os elementos de uma propaganda clássica do 911 — o que mostra que, talvez, esta não seja uma opção meramente estética, como feita por tantos fashionistas ligados a carros clássicos.

Gostamos de ver que um carro fashion como este foi feito com bom gosto e sem exageros – apenas com alguns toques especiais que remetem à grife. A pintura, por exemplo, foi feita na mesma cor branca da sede da ALD em Manhattan, no famoso bairro nobre de SoHo.

As rodas escolhidas foram as clássicas Cup 2, e a única decoração mais chamativa na carroceria é o emblema dos cavalos alados nos para-lamas dianteiros – ao que parece, uma referência ao pégaso da Mobil (algo que não foi confirmado, mas faz sentido, não faz?). Fora isto, há um pequeno badge circular na grade do motor, onde se lê as palavras Aimé Leon Dore – Nine Six Four. Este minimalismo, segundo Santis, tem a ver com os valores compartilhados entre a Porsche e a Aimé Leon Dore: “simplicidade, ambição, tradição e beleza.”

Também não podemos deixar de citar o spoiler traseiro do tipo ducktail, que nos parece uma clara referência ao Porsche 911 Carrera 2.7 original – e cai muito bem ao 964.

Do lado de dentro, o minimalismo também falou mais alto: nada de cores vibrantes ou revestimentos exóticos – apenas couro e Alcantara na cor caramelo e um tecido com padrão houndstooth (ou pied-de-poule) em bordô e azul nos insertos dos bancos Recaro envolventes. Este tecido, aliás, é muito comum nos Porsche 911 clássicos, e também será usado na coleção outono/inverno da ALD para 2020 (que, no momento, ainda não foi revelada — o que nos dá uma pista sobre a função deste Porsche para a ALD).

O padrão também aparece no porta-malas dianteiro, que traz um bolso e uma mala desenhada exclusivamente para o projeto.

É o tipo de customização que qualquer entusiasta de bom gosto aprovaria: sem exageros, sem reinvenções, e apenas com alguns toques pessoais. A Porsche, obviamente, aprovou – segundo o chefe do departamento de marketing da fabricante, o Dr. Kjell Gruner: “Teddy Santis é tão fã da Porsche quanto nós mesmos, e estamos felizes em ver sua inspiração e criatividade aplicadas ao 911. Sua interpretação é visualmente estonteante, e também dá ao 964 características exclusivas – e verdadeiramente o único do tipo”. Na prática, o que ele quis dizer é que a Porsche sabe escolher bem suas colaborações.

 

O carro ficará exposto na galeria de arte de Jeffrey Ditch, diretor do Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles, entre os dias 6 e 9 de fevereiro. Depois disto, esperamos, ele continuará se sujando de neve, barro e fuligem de asfalto, apesar da delicadeza de seu visual e do capricho na execução.

Embora nem a ALD e nem a Porsche tenham sido claras a respeito de uma possível colaboração futura (como uma série especial do 992 inspirada pelo carro, por exemplo), o que temos aqui pode ser uma referência para futuros projetos de restomods feitos por entusiastas – algo que os puristas não curtem muito, mas é inevitável. Especialmente agora que os carros clássicos estão sendo redescobertos pelos jovens alternativos, que podem não ser muito ligados na heritage de que tanto gostamos, mas percebem os antigos como um acessório estilístico – estejam eles perfeitamente preservados (como na foto abaixo, que que faz parte do material da coleção outono/inverno da ALD para 2018), ou modernizados.

Considerando o quanto se proclama que “os jovens não estão interessados por carros”, vê-los aparecendo desta forma é melhor e mais animador do que parece à primeira vista.

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