A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Project Cars Project Cars #112

Project Cars #112: hora de cuidar dos freios do meu Monza S/R

Ok, depois do carro ter sido testado e aprovado no autódromo, apesar dos percalços, o plano poderia continuar. No entanto, qualquer que fosse a preparação escolhida, um item necessariamente deveria ser melhorado antes de mais nada: os freios.

Uma das vantagens dos carros que usaram o motor Família II da Chevrolet é terem o sistema básico de freios (incluindo vários pontos de fixação) praticamente idêntico. Isso quer dizer que Monza, Kadett, Ipanema, Astra e Vectra compartilham diversas peças de freio, incluindo pontos de fixação, o que muitas vezes faz com que o upgrade seja plug-and-play. No caso do Monza, que tem discos de 236mm de diâmetro na dianteira e tambor na traseira, originalmente, a opção inicial foi substituí-los pelos do Vectra GLS 1994 a 1996, que tem discos de 256mm na dianteira e de 260mm na traseira, na furação 4×100. Há ainda, entre os diversos anos e versões de Vectra, tamanhos maiores de discos e pinças, mas com essa configuração, ainda poderia usar as rodas originais, que são aro 14 tanto no Vectra quanto no Monza, mantendo o visual original do carro.

000

O disco dianteiro original, na minha mão, e o de 256mm, montado no carro.

Em pouco tempo de procura, encontrei um Vectra GLS 1995 em um desmanche perto de casa que tinha exatamente o que eu queria. Com o martelo batido nos 400 dinheiros, levei pra casa as pinças dianteiras e o eixo traseiro completo.

001

Algum tempo depois, comprei novos discos e pastilhas para a dianteira, uns vidrinhos de fluido de freio DOT5.1 (que tem maior temperatura de ebulição que o DOT3 original) e levei tudo bem cedo pra uma oficina de confiança que topou a empreitada pra fazer o upgrade.

002

A idéia inicialmente era substituir as pinças e discos na dianteira e trocar o eixo traseiro inteiro, pra facilitar o troco e a descida. Pinças montadas na dianteira e após ver que não tinha sobrado praticamente nada de espaço entre elas e a roda, fiquei com uma pulga atrás de cada orelha. E se a dianteira tinha ficado assim, o resultado na traseira não poderia ter sido diferente: quando a roda foi montada no lugar, um ressalto da pinça pegava nela e não a deixava girar. Roda desmontada e o mistério: como a roda do Monza pegava e a do Vectra não, se ambas eram aro 14?

003 004

A solução “técnica” foi dada em pouco tempo por um dos que mexiam no carro: “vamos desgastar um pouco dessa orelha e ver se cabe”. E no começo parecia que ia resolver: a cada encostada que a Makita dava na pinça, o espaço entre ela e a roda se aproximava do que acontecia na roda dianteira. E quando já estava próximo do ideal, ao testar a frenagem, o pedal do freio desceu.

005

“Ih, péra, péra…” – Gritava uma voz do lado de fora.

“Afe… já até sei.”

 

006

Sim, aquele ressalto protegia a tubulação de fluido no interior da pinça, que foi rompida pela Makita e acabou por inutilizar a pinça de uma vez. E já passava do horário do almoço e eu ainda tinha que ir trabalhar. Larguei o carro lá e fui pro trabalho de ônibus, imundo, pensando no que fazer pra poder montar o carro. Depois de matutar um pouco, tive que dar o braço a torcer e baixar um pouco a expectativa: teria de usar os discos do Kadett na traseira, de 230mm, se quisesse continuar com as rodas originais sem usar freio a tambor.

No outro dia, rodei a cidade atrás dos tais discos traseiros do Kadett, mas sem muita esperança de encontrar, já que saíram apenas nos GSi e alguns SL/E e GLS como opcional. Mas por increça que parível, achei um GLS descaracterizado que tinha os danados atrás. Mais 200 dinheiros e levei as duas pontas de eixo pra oficina.

007

008

E, depois de todos reparos trocados e de tudo montado no lugar, descobrimos que os suportes dos cabos do freio de mão do eixo do Vectra não batiam com os do Monza. Uma bela respirada funda, desmontamos tudo de novo e montamos no eixo antigo. A configuração final, então, foi a seguinte:

– Pinças, pastilhas e discos dianteiros: Vectra GLS 1994 a 1996 (256mm);

– Pinças, pastilhas e discos traseiros: Kadett GSi 1992 a 1995 (230mm);

– Eixo traseiro e cabo do freio de mão: originais do Monza.

009

Felizmente, depois de tanto trabalho, os resultados foram muito bons: o carro passou a transmitir muito mais segurança nas frenagens e o fading diminuiu consideravelmente. Agora, o gargalo passaria a ser os pneus, que já chegavam ao final da vida, mas que seriam trocados em breve. Um tempo depois, quando tive as rodas do Kadett e do Monza lado a lado, identifiquei o porquê de a pinça de freio do Vectra não ter cabido na roda do Monza: apesar de terem o mesmo off-set, o mesmo diâmetro e a mesma furação, o desenho interno delas era diferente, com a roda mais moderna tendo uma saliência justamente pra poder caber a pinça.

010

Em todo caso, o upgrade estava pronto. Agora eu podia partir pro próximo a maior passo: o motor. Mas uma pergunta ainda ainda assombrava minha mente: será que ia caber?

Não percam os próximos capítulos!

Por Sherman Vito, Project Cars #112

0pcdisclaimer2

Matérias relacionadas

Project Cars #163: o Citroën Xsara VTS sai da pintura e vai para a pista!

Leonardo Contesini

Project Cars #236: a história do meu Peugeot 205 1.6 16v

Leonardo Contesini

Project Trip #210: completando a viagem de costa a costa pelos EUA com um Dodge Challenger

Leonardo Contesini