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Project Cars Project Cars #82

Project Cars #82: derrubando mitos sobre o Subaru WRX

Se você leu os posts 1 e 2 do Diário de um Subaru, já sabe que a Susie é uma peruinha WRX bugeye que está comigo desde nova, e que ela foi meu hobby, meu trabalho, amiga, e até transporte. Ela não tem preparação radical, não é um carro clássico ou antigo, mas está comigo desde a minha fase de baladas de solteiro, até a de levar as crianças para escola. E vai estar comigo mesmo depois que eu chegar à fase da maturidade, que no caso dos homens, dizem, começa lá pelos 45 anos.

Muita coisa mudou nestes 13 anos, e de 2001 para cá os Subaru deixaram de ser considerados feios, coreanos (?!), ou coisa de moleque rachador. Hoje eles caíram no gosto do povo, se tornaram símbolos de status e objetos de desejo. Os Subaru estão na moda. Mas da mesma forma que outros modismos com dirigir a noite só com as luzes de sinalização acesas, carros qualquer-coisa-cross, e cabelo no estilo Neymar, a moda não necessariamente funciona para todo mundo.

Não que eu seja algum tipo de oráculo da Subaru, e em geral não tenho muita noção de moda, mas nos últimos anos, com a disseminação da marca e a crescente mítica em torno dela, muitos conhecidos e desconhecidos demonstraram empolgação e interesse em comprar um WRX. Só que entre os que chegaram a comprar, não foram poucos os que acabaram um pouco frustrados.

As críticas variam entre o carro não ter leds nos faróis, o interior ser muito simples ou tomar pau de Jetta mexido, mas notei que a frustração estava mais associada ao perfil daqueles compradores, e ao simples fato deles não saberem o que um WRX não é, e por isso esperavam dele coisas que ele não poderia ser.

É bem provável que as generalizações que apontarei a seguir tenham exceções, como também é verdade que ao longo dos anos a Subaru vem tentando adicionar algumas delas aos novos WRX. Mas isso é parte de um debate continuo sobre as concessões que as montadoras fazem para expandir o público alvo de um modelo, versus o risco de que um carro perca sua essência. Seja como for, segue abaixo o meu resumo das principais coisas que um WRX não é:

Um WRX não é um imã de garotas

O grau de repulsa varia, mas ainda vale, em algum grau, para qualquer WRX (e quase todos os modelos Subaru). A maioria das garotas acha os WRX feios, desconfortáveis, exagerados, infantis e barulhentos, e a julgar pelo anúncio antigo do GL Coupe, isso não é à toa. Parece também existir uma relação diretamente proporcional entre essa repulsa e o tamanho do aerofólio do carro.

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O lado positivo disso é que quando uma garota demonstrar interesse por você, é mais provável que seja mesmo por você, e não pelo seu carro.

 

Um WRX não é um super-carro

Esqueça o que você leu em um fórum na net. A verdade é que um BMW M3 vai deixar um WRX original bem para trás, e mesmo na pista, alguns carros menos afamados podem ser mais rápidos. Em Jacarepaguá um Mini foi quase 0,5 s mais rápido do que virei com a Susie original. E não, o piloto do Mini não era nenhum Senna, eu sei disso porque era eu mesmo.

Por outro lado o potencial de preparação de um WRX é muito elevado, não é incomum que cheguem ao ponto de ser mais rápidos até que esportivos caríssimos.

 

Um WRX não transforma qualquer um em piloto de corrida

Até 2007 nenhum WRX tinha auxílios eletrônicos de estabilidade ou de tração, o setup original sempre faz o carro sair de frente, e lembre-se, a tração integral não tem nenhum efeito em freadas e entradas de curva. Se atrasar a freada, a frente vai “empurrar”. Abuse um pouco mais e a traseira vai soltar, e se bobear, quando acelerar ele vai sair de frente. De novo.

 

Em compensação dirigir um WRX em uma estradinha de terra é uma das experiências mais divertidas que se pode ter! O set-up da suspensão original combinado com a ausência de eletrônica, é uma receita incrível e rara de diversão, sem contar que dá até para arriscar alguns saltos!

 

Um WRX não é “hi-tech”

A despeito da boa performance, em geral, a tecnologia aplicada aos WRX está mais para durabilidade e confiabilidade, do que para inovação e sofisticação. Não espere transmissão de dupla embreagem ou algum tipo de suspensão digital… São poucas as firulas eletrônicas disponíveis, e na maioria das versões, retrovisores que rebatem automaticamente, computadores de bordo sofisticados e bancos com ajuste elétrico, não estavam disponíveis nem como opcionais.

Há muitos aspectos positivos nesta abordagem, como simplicidade de manutenção e facilidade de preparação, mas é um fato que versões mais recentes (de 2008 em diante) recebem um pacote de auxílios e amenidades bem mais generoso (a fim de apelar para aquele leque mais amplo de compradores). Talvez por isso mesmo, estas versões sejam tão criticadas pelos puristas.

 

Um WRX não é igual a Lego

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Sim, muita gente diz isso, e é até verdade que há peças de preparação que podem ser usadas em versões diferentes, mas a verdade é que o intercambio de peças não é tão plug&play assim. Quase nada da suspensão do STI cabe nos WRX sem adaptações, os cabeçotes JDM são ótimos, mas o AVCS não vai funcionar se não trocar a ECU, muitas opções de turbina exigem modificações adicionais, algumas bastante extensas. No final das contas, como em qualquer preparação, um Subaru exige atenção a detalhes, estudos e muito trabalho, para não terminar em um festival de gambiarras.

O lado bom é que há opções de preparação para todos os gostos, e dá para dizer que um Subaru (bem) preparado, nunca é igual a outro, por mais que se modifique um WRX, ele nunca será um STI E isso é bom, porque essas características são traços da personalidade de cada carro.

 

Um WRX não é infalível nem inquebrável

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A robustez e confiabilidade são atributos típicos de um Subaru, e um WRX não foge a regra. A qualidade das peças originais costuma ser altíssima, ao ponto que me lembro de um único recall nos WRX bugeye, relacionado ao cruise-control. Mas há pontos fracos, como discos de freio que costumam empenar, juntas do cabeçote suicidas e sensores de knock que ficam surdos.

Além disso, transmissão, motor e turbo, podem aguentar aumentos de potência e torque de 50%, mas suas vidas úteis serão reduzidas exponencialmente. Há carros que recebem menos manutenção do que o ideal, peças de reposição de má qualidade, e que são abusados sistematicamente. Mas um WRX bem cuidado ainda é um dos carros mais confiáveis e robustos que existem.

Um WRX não é um carro para levar noivas a Igreja 

Isso é provavelmente óbvio para quase todos, mas anos atrás, quando minha irmã perguntou se não poderia usar meu carro no seu casamento, e eu concordei (desde que eu mesmo dirigisse, e nada de latinhas amarradas no para-choque traseiro).

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No dia do casamento, um pouco antes da hora marcada, cheguei ao salão para buscá-la, mas assim que me viu, ela levou as mãos ao rosto e começou a chorar… Eu sabia que era um momento importante para ela, afinal nessa vida só nos casamos algumas vezes… Disse que tudo ia dar certo, e essas coisas que se diz nestas horas… Mas ela me interrompeu, e ainda soluçando disse: “não era esse carro que eu queria! Era para ser o preto, eu queria o carro preto!”

Ela se referia ao Marea, um sedã turbo preto, que eu vinha tentando vender desde que comprara a Susie, mas que estava consignado em uma loja do outro lado da cidade. E assim uma noiva chegou à igreja em uma peruinha WRX, um pouco frustrada, com a maquiagem borrada, e certamente apertada com aquele vestido imenso no banco traseiro, mas ela chegou bem rapidinho…

 

No próximo post contarei como é usar um WRX no dia a dia e em Trackdays. Como sempre, fiquem a vontade para discutir criticar e sugerir nos comentários! Até a próxima!

Por Marcelo R., Project Cars #82

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