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Car Culture

Qual é o perfil do comprador do Bugatti Veyron?

O Bugatti Veyron é um carro superlativo em todos os sentidos — da velocidade máxima e dados técnicos ao prejuízo que o Grupo Volkswagen diz ter a cada unidade fabricada e vendida, apesar de ele custar 1,8 milhão de euros. Mas nada disso parece ter pesado na hora de fazer os planos para o futuro (os mesmos que podem matar o up! devido à baixa demanda), pois o grupo está trabalhando em um sucessor híbrido ainda mais potente, mais veloz e certamente mais caro — e com mais potencial de prejuízo.

Mas então por que raios a Volkswagen continua produzindo e oferecendo um carro que é vendido por quase um terço do seu preço de venda? Simples: com ele a Volkswagen marca presença no mercado de altíssimo luxo, um segmento no qual nem mesmo a Rolls-Royce entrou até agora.

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Na verdade, se você parar para pensar, o Bugatti Veyron não tem concorrentes. Um Rolls é mais luxuoso, mas não é tão veloz. O GT-R acelera tão rápido quanto ele, mas não tem a luxuosidade. Os Koenigsegg CCX e Agera também passam dos 400 km/h, mas são espartanos e mais parecidos com protótipos de corrida do que grand tourers. 

Então, quando um zilionário que já tem tudo o que consegue desejar decide comprar um carro, não é um mero Rolls-Royce Phantom que ele vai comprar. Muito menos algo personalizado por uma preparadora, por mais renomada que ela seja — até por que é bem provável que eles já tenham algo do tipo. Esses caras estão em um outro nível de consumo, bem distante da compreensão da maioria das pessoas.

Para deixar bem claro qual é o público-alvo e o posicionamento do Bugatti Veyron, o CEO da marca Wolfgang Durheimer, deu um exemplo prático ao Bloomberg:

A clientela da Bentley [NE: que é rival direto da Rolls] e da Bugatti são muito diferentes. O cliente Bentley tem, em média, oito carros. O cliente da Bugatti tem em média 84 carros, três jatos e um iate”.

Ok. Daremos um momento para você processar o que acabou de ler. Não foi um erro de digitação, nem de tradução (nós somos craques em alemão): quem compra um Veyron já tem, em média, OITENTA E QUATRO CARROS, TRÊS JATOS E UM IATE! Pense na garagem do seu prédio – é bem provável que ela abrigue menos de 84 carros, e mesmo que ela tenha mais que isso, ainda faltam os três jatos. Não um, nem dois. Três jatos! E como se não bastasse, eles ainda têm um iate.

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Na verdade não deveríamos encarar o Veyron com um mero supercarro. As dezenas de versões especiais (fizemos um guia explicando os detalhes de todas elas) mostram que a intenção da Volkswagen é criar um investimento seguro em forma de carro para bilionários que já investem e colecionam todos os tipos de coisa.

Isso fica claro pelo perfil dos clientes, e mesmo que o Veyron desvalorize nos seus primeiros anos imagine o potencial valor destes 450 carros em longo prazo. Eles têm grandes chances de valorizar estupidamente, da mesma forma que seus ancestrais do começo do século passado, ainda que não tenham o pedigree das pistas. Até mesmo por que hoje em dia ninguém parece ligar muito para isso no universo dos bilionários.

[ via Jalopnik US ]