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Mercado e Indústria

Qual o melhor carro de sete lugares para quem tem entre R$ 500.000 e R$ 600.000?


Carros nunca foram baratos no Brasil. Mesmo nos períodos em que eles foram realmente baratos. Lembra dos anos 1990, quando o dólar e o real estavam pareados? Pois aquilo era artificial (ou você acha que era verdade aquela história de um real valer o mesmo que um dólar?). E isso ficou claro quando o governo parou de controlar o câmbio. Então o dólar subiu e os carros voltaram a ficar caros.

Depois, decidimos estimular o mercado com crédito facilitado. Teoricamente é um embalo para começar o movimento, mas não é bem assim. Crédito custa dinheiro, por mais louco que isso pareça à primeira vista. Além disso, crédito limita a capacidade de endividamento. Quem compra um carro em 84 meses, fica sete anos sem comprar outro. Os preços até caíram nessa época, mas estamos pagando o preço até hoje, porque a demanda diminuiu, então os preços acabaram subindo porque não havia mais escala para os ganhos em escala.

Qual o melhor carro de sete lugares a venda no Brasil? – Parte 1: até R$ 260.000

Carros de sete lugares são carros de nicho, ou seja: têm pouco apelo para o grande público. Isso os tornaria naturalmente caros. Como um carro normal é caro no Brasil, um carro de nicho acaba sendo ainda mais caro. É por isso que os primeiros carros de sete lugares partem dos R$ 100.000 — e são apenas dois  modelos. É por isso que a maioria dos carros de sete lugares vendidos no Brasil (em volume, não em número de modelos) está na faixa de R$ 250.000.

Qual o melhor carro de sete lugares a venda hoje? – Parte 2: de R$ 260.000 a R$ 400.000

E é por isso que, nesta terceira parte do guia dos carros de sete lugares, estamos chegando aos R$ 600.000. O segmento começa tecnicamente nos R$ 450.000, mas a maioria dos modelos fica ali nos R$ 500.000 baixos, chegando aos R$ 600.000. “Maioria” aqui é apenas um recurso de linguagem – estou falando de apenas quatro modelos: Volvo XC90, Audi Q7, Land Rover Defender e Land Rover Discovery. E, pasmem, a lista não para por aqui, porque ainda há a categoria dos super-premium, que parte dos R$ 750.000 e passa do R$ 1.000.000. Mas isso é papo para a próxima lista. Por enquanto, vamos começar com os dois modelos de acesso:

 

Audi Q7 e Volvo XC90

Ultrapassando a barreira dos R$ 400.000 encontramos a mesma situação dos segmentos inferiores: há uma modelo isolado na tabela de preços oferecendo uma ótima relação custo/benefício. Nas listas anteriores estes modelos eram o CAOA Chery Tiggo 8 e o Mitsubishi Outlander HPE-S 2.2 diesel. Nesta, a posição vantajosa é do Volvo XC90 T8 Inscription em sua versão básica, de R$ 454.590.

O Volvo, contudo, se posiciona isoladamente apenas nesta versão de entrada da linha XC90. Claro que, falando do modelo de topo da marca sueca, não estamos falando de um modelo espartano — até por que a Volvo tem como estratégia de branding oferecer a suíte completa de sistemas de segurança mesmo nas versões de entrada (como se dissesse “segurança não é uma opção”).

Portanto, por esse valor você leva um XC90 com o motor 2.0 dualcharger combinado a um sistema elétrico para formar seu powertrain híbrido plug-in (recarregável pela tomada). O conjunto é o mais potente do segmento: combinados os motores, a potência total é de 407 cv, e o torque é de insanos 65,1 kgfm. Nesse quesito o Volvo supera até mesmo os modelos das categorias superiores.

Como disse mais acima, mesmo o pacote básico do XC90 é interessante: tem assistente de mudança de faixa, monitor de ponto cego, frenagem automática de emergência, assistente de aclives/declive, sete airbags, sistema autônomo de estacionamento, teto solar panorâmico, quatro opções de revestimento interno, cruise control adaptativo e quadro de instrumentos digital, além de uma das maiores telas que você pode encontrar em um carro atual, sem achar exagerado.

Além disso, o Volvo XC90 é, sem dúvida, um dos carros mais bonitos oferecidos no Brasil atualmente. O modelo já está em seu quinto ano de mercado e não parece envelhecido de forma alguma. Você pode até estar acostumado a ele, mas não venha com aquela história de “visual cansado”. Especialmente seu interior, que continua elegante e moderno, sem querer ser ultra-tecnológico e esbarrar no brega (certo, dona Mercedes?). O carro é uma combinação matadora de qualidades quando se fala em desempenho e estilo.

Quando falamos em espaço, bem, aí ele não é tão superior assim. Porque quando você acrescenta o pacote opcional Inscription — que custa R$ 70.000 extras —, ele chega aos R$563.150 e fica mais caro que qualquer versão do Audi Q7.

O Audi não tem tanta potência quanto o Volvo — seu powertrain é um V6 3.0 TFSI de 340 cv, mas seu porta-malas é sutilmente maior (740 litros ante 721 litros do Volvo). E com os dois bancos extra armados, o volume restante é praticamente o mesmo: 262 litros no Audi e 259 litros no Volvo.

O problema do Audi é que a fabricante, sabe-se lá por qual razão, não exibe claramente quais os itens de série de cada versão, tampouco os opcionais e seus preços, então, infelizmente, não temos como fazer uma comparação direta entre ambos e ficamos limitados aos preços do Q7 básico, divulgados em uma tabela do mês passado pela Audi ( veja o quadro abaixo).

Porém, considerando que o Audi Q7 S-Line básico parte de R$ 549.990, é seguro afirmar que seus opcionais o levam à casa dos R$ 600.000 — mesma faixa que o Volvo XC90 esbarra quando é equipado com rodas de 22 polegadas opcionais na versão R-Design.

 

Defender: 5+2 também é sete

Aí entramos no território de um carro que, à primeira vista, parece muito mais caro, mas, no fim das contas, surge como uma alternativa muito atraente a essa dupla teuto-sueca: o Land Rover Discovery.

Antes de chegar a ele, contudo, encontramos uma alternativa “premium” dentro do segmento já premium (é o premium do premium, sacou?). Isso aconteceu nas outras listas, também — lembra do GLB200 e do Land Rover Discovery Sport, que eram menores, mas ofereciam um pacote interessante e mais refinamento por um valor semelhante?

Pois aqui esse papel é do Land Rover Defender. Ele parte de R$ 556.950 e pode chegar aos R$ 580.950 e tem o maior entre-eixos desta faixa de preço, mas, ao mesmo tempo, é o mais curto do grupo. Isso afeta negativamente o espaço na terceira fileira, que é bem limitado para adultos e mais adequado a crianças ou praticantes de yoga. Por essa razão a Land Rover considera seu Defender um “5+2”, e não um sete-lugares.  Seu porta-malas com sete ocupantes também é o menor de todos aqui, com apenas 160 litros — o que é irônico, pois com apenas cinco lugares ele tem o maior porta-malas (740 l).

O motor é o menos potente, também, sendo um 2.0 turbo de 300 cv (o mesmo do Velar, que se mostrou uma opção econômica, apesar da aerodinâmica e do peso do SUV), e seu pacote de itens de série (versão SE) é pouco inferior ao do Volvo XC90 Inscription de entrada. O Defender não tem, por exemplo, cruise control adaptativo, nem sistema autônomo de estacionamento, tem uma tela multimídia menor (10″ ante 12,5″ do Volvo), não tem monitor de pontos cegos, nem faróis direcionais ou iluminação interna personalizada. E se você pagar os R$ 70.000 do pacote opcional do Volvo, ele ficará situado exatamente entre o Defender SE e o HSE e terá ainda mais itens de conforto, conveniência e segurança.

O Defender se sobressai em relação ao Volvo em um único aspecto: a capacidade off-road, marca registrada da Land Rover. O Volvo, embora tenha tração nas quatro rodas, não tem pretensão de sair do asfalto — seus ângulos de ataque, transposição e saída são medianos: 24º, 21º, 23º, respectivamente. Também por isso ele não tem nenhum sensor de nível de alagamentos e vaus. Já o Defender tem excelentes 38º graus de ataque, 29º de transposição e 40º de saída, números próximos do Jeep Wrangler.

Eu sei que a comparação aqui é descabida — seria como escolher entre um sapato de couro inglês e uma sapatilha de corrida —, mas os números reforçam o argumento de que este é o único trunfo sobre o XC90 quando se considera apenas aspectos objetivos.

Subjetivamente a história é outra: o Defender tem como principal apelo sua herança de 70 anos da primeira geração do modelo, algo que está materializado em seu visual retrô-moderno, que lhe dá essa cara de carro conceito que escapou do Salão e foi parar na linha de produção. Outro ponto positivo é a sobriedade e elegância do interior, que rivaliza duramente com o do Volvo e do Audi Q7, deixando de lado aquele velho aspecto de máquina agrícola que o primeiro Defender tinha.

O problema dos itens de conforto e conveniência, contudo, pode ser resolvido com aquilo que é o maior solucionador de problemas da história: mais dinheiro. Há uma série de pacotes opcionais (a Land Rover não especificou até o fechamento desta matéria) que podem deixá-lo tão equipado quanto Volvo e Audi. Só que aí ele começa a entrar no terreno de outro Land Rover — um Land Rover bem mais adequado ao transporte de sete pessoas.

 

Land Rover Discovery

Se, por acaso, você chegar aos R$ 600.000 com os opcionais dos outros três modelos já mencionados aqui, o Discovery passa a ser uma opção interessante. Ele é menos refinado que Audi e Volvo, mas tem mais espaço para os ocupantes da terceira fileira, tem motor diesel e capacidade off-road semelhante à do Defender.

Na versão de entrada, a SE, ele custa R$ 620.950, enquanto a de topo, HSE, sai R$ 644.950. Por esse preço, ele traz um motor 3.0 turbodiesel de 300 cv e 61,2 kgfm, espaço para sete adultos, um porta-malas razoável quando estes sete adultos estão a bordo, e um pacote mais completo deste segmento.

O sistema de áudio premium Meridian, por exemplo, já está disponível na versão de entrada SE. Assim como a frenagem automática de emergência, as câmeras de 360 graus, assistente de manutenção de faixa, monitoramento de pontos cegos, alerta de tráfego na traseira, bancos com ajuste elétrico e memória, conjunto óptico de LED (dianteiro e traseiro), faróis com nivelamento automático, teto solar panorâmico. A versão HSE vai além e oferece ajuste elétrico e aquecimento nos bancos traseiros, sistema de áudio Meridian surround, faróis de matriz LED, monitor de colisão traseira, cruise control adaptativo e iluminação interna premium.

O modelo, à primeira vista, parece muito maior que os demais desta lista, porém seu entre-eixos é menor que o do Defender (2.920 mm vs. 3.022 mm), e seu comprimento é praticamente o mesmo do Volvo. A impressão de ser um carro imenso vem de sua largura e altura — somente o Defender é pouco mais alto que o Discovery. No Defender a altura vem da suspensão mais elevada, mas no Discovery, se deve à altura do habitáculo mesmo, o que, juntamente da largura ampla, o tornam mais cômodo para adultos na terceira fileira.

 

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