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Rally Sport: a origem da sigla RS da Chevrolet

O Chevrolet Onix RS está entre nós, e os entusiastas não estão muito satisfeitos. Sim, entusiastas são bem exigentes. Mas, verdade seja dita: o grande público não se incomoda tanto assim com um Chevrolet Onix dotado de decoração esportiva, um bom pacote de equipamentos, e um moderno e competente motor 1.0 turbo aliado ao conforto do câmbio automático de seis marchas. Na verdade, a Chevrolet admitiu que a demanda dos clientes no segmento é muito mais ligada à estética e aos itens de série do que ao desempenho bruto.

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E mais: de certa forma, a abordagem da Chevrolet está correta. O uso da sigla RS pela marca da gravatinha é historicamente associado a adereços estéticos, e não a versões esportivas. O “problema” é que o carro que primeiro usou a nomenclatura RS é um clássico absoluto, com milhares de fãs: o Chevrolet Camaro de primeira geração, lançado em 1967.

Originalmente, o significado de RS é simples: Rally Sport. Não que o Camaro fosse um carro de rali, mas a associação com as provas cronometradas por vias públicas certamente tinha seu apelo junto aos clientes, especialmente porque o Camaro nasceu para brigar com o todo-poderoso Ford Mustang, e qualquer conotação que indicasse esportividade era muito bem-vinda.

Havia uma diferença chave, porém, em relação aos Chevrolet RS modernos – o pacote RS podia ser aplicado a qualquer versão do Camaro, com qualquer motor. Era mesmo puramente um pacote estético, mas você não precisava comprar o Camaro mais caro de todos para tê-lo. Até porque eram modificações relativamente simples.

 

RPO Z22: o verdadeiro RS

Introduzido em 1967, o pacote RS era identificado na plaqueta do carro pelo código RPO (Regular Production Option) Z22, mantendo-se assim também em 1968 e 1969. Este podia ser combinado tanto ao Camaro básico, com motor de seis cilindros (que ficava conhecido como Camaro RS), quanto ao SS ou mesmo o Z28 – que também era um código RPO. Assim, existiram Camaro RS, RS/SS e RS/Z28. É um pouco confuso, mas os entusiastas dos muscle cars são doidos por estes códigos alfanuméricos.

Independentemente da versão, os itens do pacote RS eram sempre os mesmos em todos os Camaro fabricados em determinado ano. Veja quais são as características dos Camaro RS de cada ano na primeira geração.

Camaro RS 1967

– Emblemas “rs” em letra minúscula nos para-lamas dianteiros e na grade
– Grade totalmente preta
– Faróis ocultos sob a grade
– Setas quadradas, abaixo dos para-choques, na mesma linha vertical dos faróis
– Lanternas traseiras em uma única peça retangular vermelha
– Luz de ré abaixo das lanternas

 

Camaro RS 1968

– Emblemas “rally sport” atrás das caixas de roda dianteiras
– Grade com filetes horizontais cromados
– Lanternas traseiras duplas, vermelhas, com a luz de ré abaixo do para-choque
– Demais características iguais às do modelo 1967

 

Camaro RS 1969

– A dianteira era completamente diferente das outras versões. Grade mais estreita e faróis ocultos sob três filetes horizontais;
– Emblema “RS” em letras maiúsculas na grade e “rally sport” na mesma localização dos carros fabricados em 1968;
– Setas circulares, mais próximas da placa – parecem faróis auxiliares;
– Lanternas exclusivas, ligeiramente trapezoidais e mais largas, com um filete horizontal no meio. Luz de ré continua abaixo das lanternas.

Em qualquer Camaro RS o volante também podia trazer o emblema RS – mas era frequente que os donos mantivessem a gravata da Chevrolet ou, no caso do Camaro SS, o emblema SS. Não havia um padrão rigoroso. Havia, também, a opção pelo emblema no painel.

 

O Camaro RS ao longo das décadas

Lançada em 1970, a segunda geração do Chevrolet Camaro não é, nem de longe, tão desprezada quanto o Mustang II de 1973 – em grande parte porque, diferentemente do que a Ford fez, o Camaro não foi transformado em um compacto com plataforma de um modelo mais barato e não perdeu completamente a aura de esportivo. Por outro lado, ele não é tão adorado quanto o Camaro de primeira geração – e, como os muscle cars e pony cars estavam perdendo força nos Estados Unidos, a segunda geração dos RS não trazia o mesmo capricho em se diferenciar dos demais Camaro. Sendo assim, os carros com pacote RS não são vistos com os mesmos olhos e nem catalogados com a mesma dedicação que os Camaro RS originais.

Contudo, o Camaro RS de 1970 tinha algumas peculiaridades interessantes. A principal delas eram os para-choques dianteiros – sim, para-choques, pois eram duas peças (chamadas “bumperettes”), uma de cada lado da grade, e um spoiler frontal e do letreiro “RALLY SPORT”, em maiúsculas, atrás das caixas de roda dianteiras. Além disso, vinha com as setas circulares, ao lado da grade – nos Camaro não-RS elas ficavam abaixo do para-choque. Novamente o código RPO era o Z22, e novamente ele podia ser associado a qualquer versão do Camaro.

Em 1971 e 1972, a opção RS permaneceu praticamente inalterada. Esteticamente, os carros de 1973 eram muito parecidos – uma proeza da Chevrolet, que conseguiu incluir reforços estruturais na dianteira para adequar o Camaro RS à legislação vigente (que, a partir de 1973, passou a exigir que os carros não sofressem danos em colisões a até 8 km/h) sem a necessidade dos horríveis para-choques de impulsão.

A partir de 1974, o opcional Rally Sport mudou de abordagem: agora, era uma pintura em dois tons especial, sem grandes alterações nas peças estéticas – e a Chevrolet rendeu-se de vez aos para-choques de impulsão. Foi assim até o final da segunda geração do Camaro, que saiu de linha em 1981.

O pacote RS só voltaria a aparecer em 1989, no fim do ciclo de vida do Camaro de terceira geração. A nosso ver, era o mais parecido em filosofia com os RS modernos: consistia em um pacote estético que dava ao Camaro básico, equipado com motor V6 de 2,8 litros, a mesma aparência do Camaro IROC-Z, versão esportiva com motor V8 da época – as rodas eram iguais e os para-choques vinham na cor da carroceria. Faltavam apenas os adesivos.

Com a chegada da quarta geração, em 1993, o pacote RS foi extinto, retornando apenas na quinta geração, lançada em 2009. A ideia do Camaro RS de 1989 foi reaproveitada – em essência, o pacote RS trazia visual semelhante ao do SS com motor V8, emblemas próprios da versão e lanternas traseiras com bordas cromadas, porém acompanhados do motor V6 de 300 cv da versão básica.

 

O retorno dos RS

Com o retorno do Camaro RS na linha 2010, a Chevrolet aproveitou para reviver a sigla em boa parte de sua linha nos Estados Unidos. Malibu, Sonic e a maior parte dos utilitários da marca nos EUA passaram a ter o pacote RS como opção a quem buscava um visual mais esportivo com bom nível de equipamentos, usando como base diferentes versões da gama. No caso das picapes e SUVs, a denominação usada é RST (Rally Sport Truck).

No caso do Chevrolet Malibu, o ponto de partida é a versão de entrada LT, enquanto na Silverado e na Blazer, o pacote RS é aplicado aos modelos topo de linha.

 

As características das versões RS variam levemente de modelo para modelo, mas geralmente incluem spoilers na carroceria, faóis auxiliares e rodas exclusivas. No fim das contas, nada muito diferente do que a Chevrolet fazia com o Camaro original – como dissemos no início desta matéria. Ou seja, não é de se estranhar que o Onix RS não seja um esportivo de fato. Afinal, nenhum Chevrolet RS era um esportivo de fato.

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