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Reinventando a roda: as soluções de engenharia mais esquisitas já vistas nos carros

De vez em quando os fabricantes de automóveis decidem pegar um sistema que está funcionando perfeitamente bem e modificá-lo… por alguma razão. De vez em quando, as soluções adotadas não são exatamente práticas, mas as companhias só percebem isto depois que o público aponta tais “particularidades”.

Aliás, não dá para ser tão duro com todos os casos: a gente até vê certo charme em alguns deles! Mas, por outro lado, alguns dos itens são verdadeiras catástrofes de usabilidade e ergonomia.

Perguntamos aos leitores quais eram seus exemplos favoritos, e agora temos a lista com as respostas!

 

A chave para abrir o capô do Ford Focus

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Sugerido por: Fabrício Gabrielli

As duas primeiras gerações do Ford Focus vendidas no Brasil (2000-2007 e 2008-2013) eram bons carros: bonitos, bem acabados, bons de mecânica (especialmente a segunda geração, com motor Duratec 2.0 de 147 cv) e divertido de guiar. No entanto, ele tinha um “defeito”: para abrir o capô, você precisava sair do carro, ir até a grade, virar o emblema e enfiar a chave. Sério: não dava para abrir o capô por dentro.

E tem mais: não é um processo exatamente simples. Primeiro, você gira a chave para a esquerda, destravando o capô (é como puxar a alavanca de dentro do carro). Depois, para a direita, para soltar, enquanto ergue o capô com a outra mão. Há mais de um ponto negativo nisso: além de impossibilitar que se abra o capô com o motor ligado (você tem que desligar, abrir o capô, voltar para dentro do carro e ligar de novo), o emblema é muito frágil, assim como o mecanismo da fechadura.

 

Avisos no lugar do conta-giros

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Sugerido por: Nego Niculas

Isto aqui está mais para economia de escala do que para solução de engenharia, mas tantos leitores concordaram que não há como deixar de lado: em alguns carros, o conta-giros (instrumento que, para entusiastas, é indispensável)  já foi substituído por, bem, nada. Quer dizer, é colocada uma tampa de plástico em seu lugar, e algumas fabricantes decidem transformar aquilo em “informações úteis”. Você já deve ter dirigido um Fiat Uno ou Palio com um lembrete para utilizar o cinto de segurança no painel.

Ou um VW Gol com a pressão dos pneus indicada em um desenho do carro:

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Claro, estes dois exemplos até trazem informações úteis… mas é um tanto deprimente, também.

 

O esguicho do para-brisa do Volkswagen SP2

Sugerido por: Julio Cezar Kronbauer

Este aqui é um exemplo bem curioso. Aliás, o Volkswagen SP2 é um carro curioso por si só: perfil de Porsche, plataforma derivada do Fusca e da Brasilia, um belíssimo design e… um motor boxer refrigerado a ar de 1,7 litro e 75 cv. Ele não andava muito, mas era divertido. E ele também tinha um sistema curioso para lavar o para-brisa, que utilizava o ar do estepe para bombear a água. Quando a pressão do pneu chegava a 19 psi, uma válvula se fechava e impedia o acionamento do sistema, por questão de segurança. Já pensou se um pneu furasse e o estepe estivesse vazio?

 

Instrumentos no centro do painel

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Sugerido por: Gabrownx

Em alguns casos, é questão de tradição: era comum que carros antigos tivessem os mostradores no centro do painel, facilitando possibilitando a instalação fácil do volante e dos pedais em qualquer um dos lados do carro.

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O Fusca era assim na década de 1930, assim como o Mini clássico dos anos 1950, que preservou esta característica na versão moderna.

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Em outros casos, como no Renault Twingo, aparentemente é pura questão de design.

O mesmo acontece com o Toyota Etios. No entanto, o desenho do painel foi duramente criticado: além de ser de dificil visualização, o cluster de instrumentos era muito feio – diziam que lembrava as antigas balanças Filizola.

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Foi só na mais recente atualização do modelo, em 2016, que a Toyota decidiu dar a seu modelo de entrada um painel digital. A localização continuou esquisita, mas a legibilidade e o visual melhoraram bastante.

 

Os comandos dos Citroën antigos…

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Sugerido por: Matheus Carvalho

Isto é o interior de um Citroën SM, grand tourer fabricado de 1971 a 1975 que foi um dos mais bonitos e ousados da marca francesa. O volante tem um raio só. Você troca as marchas do câmbio automático para os lados. Está vendo aquela bolinha ao lado do acelerador? É o pedal do sistema de freios hidráulicos.

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Quer mais loucura? Este é o interior do Citroën Visa, um simpático subcompacto (ok, “simpático” foi um eufemismo) de tração dianteira vendido na Europa entre 1978 e 1988. Estamos tentando entender como seria operar aquele cilindro onde ficam os comandos para o motorista. Sem falar no volante de apenas um raio só, que foi onipresente nos Citroën desta época.

Aliás, a Citroën é campeã nas soluções inusitadas. Foram eles que convenceram o mundo de que o futuro tinha tração dianteira com o Traction Avant, e com o DS, dispensaram as molas por um sistema de esferas hidro-pneumáticas que oferecia conforto sem igual.

Parte deste espírito, apesar de diluída, sobrevive até hoje.

 

… e dos nem tão antigos assim

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Sugerido por: Éder Augusto Gomes

Lembra daqueles carros e picapes americanas dos anos 1950, 1960 e 1970, com câmbio na coluna? Esta é uma solução inusitada por si só, e ainda mais por ser adotada pela Citroën até hoje. A atual geração do Citroën C4 Picasso, por exemplo, é um dos carros modernos que tem o seletor de marchas do câmbio (uma caixa automática de seis velocidades) na coluna de direção.

 

Bocais de abastecimento em lugares exóticos

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Sugerido por: Eduardo Francisco

Se pensarmos bem, não é tão inusitado assim: com o tanque de combustível na traseira, embaixo do carro, faz sentido que a Ford tenha optado por colocar o bocal de abastecimento entre as lanternas traseiras no Corcel, no Maverick e no Mustang. O Chevrolet Opala também era assim.

No Chevette, a coisa era ainda mais estranha: o bocal do tanque ficava sob um acabamento da coluna C do lado do passageiro – acabamento que também estava presente do outro lado.

 

O Ford Edsel e seus botões para troca de marchas… no volante

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Sugerido por: Alexandre Zamariolli

A Edsel foi uma submarca da Ford que vendeu carros entre 1958 e 1960. Sim, foram só três anos, porque a Edsel foi um fracasso. A ideia era ter um automóvel competitivo para recuperar o espaço perdido para as outras duas grandes de Detroit, a General Motors e a Chrysler. Depois de uma campanha de lançamento que durou um ano inteiro para aquilo que chamou de “o carro do futuro”, a Ford precisou lidar com o gosto amargo da opinião pública, que considerou o Edsel um carro “feio, caro e que sofreu com tanto hype“. O próprio nome “Edsel” virou sinônimo de “projeto fracassado” pouco depois que a marca foi extinta.

E o Edsel tinha mais esquisitices além do formato da grade dianteira (que costuma ser comparada com a genitália feminina). Sabe como você trocava de marchas? Por botões no centro do volante, onde normalmente fica apenas a buzina. Havia até uma propaganda que dizia que isto era bom, pois você não precisava tirar uma das mãos do volante para mudar a marcha. Não nos espanta que o Edsel tenha sido um fracasso!

 

Ford Powershift e os botões para trocas de marcha

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Sugerido por: Marcelo Dalla Rosa

O câmbio de dupla embreagem que a Ford começou a oferecer no Brasil com a segunda geração do Ecosport, em 2014, e também no Focus e no Fiesta, não tem uma fama muito boa: problemas de projeto causavam superaquecimento, trepidação e ruídos durante o funcionamento – algo que foi reconhecido pela Ford há poucos meses, levando a fabricante a promover um recall e aumento da garantia para os carros afetados. Contudo, o câmbio Powershift está nesta lista por outro motivo: seu sistema de troca de marchas. Em vez de aletas atrás do volante, como seria o lógico, foram adotados dois botões na lateral da alavanca de câmbio.

 

Luz alta “a pedal”

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Sugerido por: curió

Normalmente o comando dos faróis é um só: a mesma alavanca ou botão liga as luzes de posição, o farol baixo e o farol alto. No entanto, na década de 1970 alguns carros traziam um botão ao lado da embreagem (ou do pedal do freio, nos automáticos) para o acionamento do farol alto. Levava um tempo para acostumar.

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