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Renault Sandero RS: tudo o que você precisa saber na hora de comprar o seu | Guia de Compra


Em agosto de 2014 ouvimos falar no Sandero RS pela primeira vez. O CEO da Renault Sport na época, Patrice Ratti, disse que a divisão esportiva estava avaliando uma versão RS para o Sandero, mas não para a Europa, e sim para “mercados emergentes”. O público incrédulo duvidou. Por que a Renault investiria no desenvolvimento de um esportivo baseado no Sandero? Além disso, eles já haviam feito uma versão “esportiva” do Sandero em 2010 que se diferenciava apenas por uns adesivos e rodas pretas, mas ao menos usava o motor 1.6 16v, o mais potente então. Era o Sandero GT Line.

Três anos mais tarde, contudo, o GT Line virou versão regular e trocou o 1.6 16v pelo 1.6 8v, tornando-se exatamente o que chamamos de esportivo de adesivo. Por que a Renault faria diferente em 2014?

Bem, porque agora eles colocaram a Renault Sport na jogada. E sendo a divisão que levou o motor turbo para a Fórmula 1, que interrompeu a série de vitórias dos Porsche turbo nas 24 Horas de Le Mans em 1978, que fez o carro dos dois títulos de Fernando Alonso, eles jamais deixariam sua marca ser banalizada em um modelo de baixo custo sem nenhuma diferença mecânica e dinâmica quando comparado a um Sandero regular.

E foi assim que nasceu o Sandero RS.

Esportivo à moda antiga, ele segue a receita mais simples possível para se fazer um esportivo: vá até o departamento de peças, pegue o maior motor que encontrar lá, equilibre o resto para lidar da melhor forma possível com a nova potência e pronto, você tem um carro mais rápido que seus semelhantes do pátio. Foi assim que a Volkswagen fez o Golf GTi nos anos 1970 e foi assim que o Gol GT nasceu em 1984. Também foi assim que a própria Renault fez o Clio Williams, o R19 16S e o Clio V6.

No final de 2014 já sabíamos que esta seria a receita do Sandero RS, mas ainda não tínhamos muita noção de como o motor 2.0 F4R usado no Duster seria embalado pelo pessoal da França. Até que o carro finalmente foi lançado, no final de 2015. Pois é… já faz cinco anos.

Muita gente não entendeu como um carro com o motor do Duster remapeado poderia ser considerado um esportivo. Nós explicamos em detalhes na época:

“Para que o Sandero recebesse o emblema RenaultSport, a matriz francesa de performance jogou duro. Criar um pseudo-esportivo de adesivos estava completamente fora de questão, mas mesmo um swap simplificado de powertrain não seria aceito pela divisão esportiva. Os caras entraram de cabeça: em seu processo de desenvolvimento foram investidos mais de 120 mil horas da engenharia da RenaultSport francesa, com 75 engenheiros inteiramente dedicados ao projeto. Cerca de trinta protótipos rodaram mais de 250 mil km na Espanha, França, Suécia, Argentina e Brasil.

O resultado é um carro quase totalmente novo, com motor remapeado, câmbio de seis marchas reescalonado para performance, suspensão com mais carga em todos os componentes (amortecedores, molas, barras estabilizadoras, alinhamento), freios a disco nas quatro rodas redimensionados, pneus esportivos da Continental, sistema de direção exclusivo e, claro um pouco de perfumaria estética por fora e por dentro.

Ele pode não ser radical como o Mégane RS e o Clio RS, mas desdenhar de sua esportividade pode soar como departamento de fanboys de marcas rivais: na prática, a diferença em termos de conjunto é como a que separava o Honda New Civic comum do Civic Si. No evento, os engenheiros franceses da RenaultSport consideraram o Sandero RS um sucessor espiritual do Clio Williams.”

Não era exagero nem empolgação do Juliano após a avaliação do carro. O Sandero RS é um esportivo brasileiro feito com uma atenção aos detalhes e um refinamento mecânico poucas vezes vistos em um esportivo feito neste canto do planeta.

Escolha um aspecto aleatoriamente. Câmbio? Tem seis marchas como aquele usado no Duster, mas suas relações foram todas modificadas e ele se tornou um close ratio. Vá lá, escolha outro. Caixa de direção? Usa a mesma relação do Duster, mas a assistência é eletro-hidráulica, a melhor combinação possível para tirar carga do virabrequim sem matar o feedback do volante. Pode continuar: bancos? Borboleta? Sistema de escape? Tudo foi revisado pela Renault Sport para que o Sandero pudesse ganhar o sobrenome RS.

E como foi feito usando uma receita simples, ele não ficou caro. Enquanto Suzuki Swift Sport com seu 1.6 de 142 cv (em uma curta faixa de 500 rpm) custavam mais de R$ 75.000, e o Civic Si e Golf GTI já passavam dos R$ 110.000, o Sandero RS chegou por menos de R$ 60.000 — R$ 58.880 para ser mais exato.  Talvez você não lembre, mas no mês anterior ao lançamento do Sandero RS, a Volkswagen anunciou o Speed Up TSI por R$ 50.000. E ele sequer estava perto de ser um esportivo.

Agora, passados cinco anos, muitos proprietários de primeira hora já consideram o momento de se desfazer de seus Sandero RS; os preços no mercado de usados começam a ficar interessantes e, se antes ele parecia um sonho distante, para muita gente ele já se tornou uma opção de carro usado.

Como todo carro usado, é preciso ter alguns cuidados na hora de escolher o seu, e foi por isso que conversamos com proprietários e especialistas no modelo: para trazer tudo o que você precisa saber para não entrar em uma roubada.

Colaboraram com esta matéria Hebert Cangueiro (@hebertcangueiro), Lara Andreia (@andreialara), Willian Baraviera (@willianbaraviera), Bruno Ordones (@ordospec), Rafael Sapaterro, Luciano Pereira (@rs51tumati), Henrique Roepcke (@henriqueroepcke

 

Por que escolher um Sandero RS?

Porque os atributos e qualidades são evidentes: motor potente que proporciona bom desempenho — a aceleração de zero a 100 km/h é completada na casa dos nove segundos —, seu acerto dinâmico tem o DNA da Renault Sport, o câmbio tem relações encurtadas para tornar o carro mais ágil, ele é um esportivo purista e um dos melhores oferecidos em sua faixa de preço no mercado de usados.

Além disso, ele certamente será o último de sua espécie, foi feito para ser usado no dia-a-dia como qualquer Sandero e qualquer Duster, é versátil e, o melhor de tudo, ainda está em produção (ainda que não por muito tempo), o que significa que você pode encontrar peças originais na concessionária.

Outro atributo desejável do Sandero RS é o motor F4R. Atualmente produzido apenas no Brasil ele foi muito usado na Europa, tanto em aplicações regulares quanto esportivas, e teve até uma configuração turbo semelhante à usada no Fluence GT (note que o Fluence não conquistou o direito de ser um RS), o que significa que ele é praticamente uma tela em branco para quem deseja prepará-lo.

Por último, você não precisa modificar um único parafuso para ter um carro com comportamento bastante decente nos track days. Ele já tem um bom acerto e até um seletor de modo de condução, com as opções Sport e Sport+ — o primeiro tornando o acelerador mais preciso, visando eliminar as respostas mais lentas do mapa padrão; e o segundo desativando as assistências eletrônicas para explorar o potencial do carro na pista.

“Acho que o principal ponto, além da estética, é dirigir o carro antes de ler a ficha técnica. Quem analisa o carro apenas pela ficha técnica não vê lá grandes coisas. Na época eu estava atrás de um DS3, mas foi só dirigir o Sandero RS de um amigo, que mudei de ideia e fui atrás do meu. Já está comigo há 45.000 km e incontáveis voltas em autódromos e sem sustos ou dores de cabeça”, conta Henrique Roepcke, proprietário de um RS 2018.

 

Qual versão escolher?

O Sandero RS teve apenas duas versões: a básica/regular e a Racing Spirit, lançada em 2017 e com apenas 1.500 exemplares. Os Racing Spirit se diferenciavam basicamente elos apliques em vermelho por todos os lados (para-choques, quadro de instrumentos, painel etc) e pelos pneus Michelin Pilot Sport 4 em vez dos Continental Sport Contact.

Todos os Racing Spirit são numerados e têm uma plaqueta com o número do exemplar na série instalada no console central.

Agora, há um detalhe ao qual você deve estar atento: o Sandero RS foi lançado por R$58.800 em 2015 com rodas de 16 polegadas. Para ter as rodas de 17 polegadas era preciso pagar um extra de R$ 1.000 — o que muita gente vez. Portanto, se o Sandero no qual você está de olho não for um Racing Spirit, fique atento ao diâmetro das rodas e dê preferência para as rodas de maior diâmetro.

Outra dica: os modelos 2015/2016 não tinham as chaves “canivete” nem função “one-touch” para os vidros.

 

Quanto custam?

Como é um carro ainda oferecido novo e com apenas cinco anos de mercado e, principalmente, voltado a entusiastas o preço vai depender da originalidade e das condições do carro em questão. Um Sandero RS zero-quilômetro já está batendo à porta dos R$82.000, mas um Sandero 2021 usado já custa entre R$ 70.000 e R$ 75.000. Em geral, os preços partem dos R$ 42.000, normalmente cobrados pelos modelos 2015/2016 e seguem a tabela Fipe (que é a média dos valores praticados no mercado). Mesmo a versão Racing Spirit pode ser encontrada pelo valor aproximado da tabela Fipe.

 

No que ficar de olho?

Anéis sincronizadores: o problema mais recorrente do carro são os anéis sincronizadores do câmbio, que se desgastam prematuramente. Para verificar se estão em bom estado, basta observar a suavidade dos engates ao dirigir o carro, especialmente nas trocas em altas rotações. Se reparar algum tipo de dificuldade para engrenar a marcha ou o conhecido ruído de marcha arranhada, é quase certo que os anéis já estejam comprometidos.

Coxins dos amortecedores: a suspensão firme da Renault Sport cobra seu preço na durabilidade dos coxins. Os proprietários relatam que eles estouram precocemente devido às condições das ruas brasileiras. O coxim deteriorado costuma causar folgas e variação da geometria e você pode perceber isso pelo desgaste dos pneus, que será irregular, ou por barulhos em pancadas nas rodas dianteiras. Um par custa cerca de R$ 300.

Capa da correia dentada: um dos pontos mais críticos do Sandero RS é a capa da correia dentada. Ela tem  que tem uma borracha que se solta e acaba enroscada na correia de sincronização. Quando isso acontece o motor perde a sincronia entre o virabrequim e os comandos de válvula, os pistões atropelam as válvulas e, na melhor das hipóteses, você acaba com válvulas empenadas ou pistões quebrados. A única forma de prevenir esta situação é soltando a capa e retirando a borracha.

“Eu fui um dos que tiveram problema com a borracha da capa da correia dentada que soltou e fez o carro atropelar todas as válvulas de admissão e escape — com 45.000 km rodados, o que é bem antes da troca indicada no site. O problema, assim como ocorrido com outros, se deu na hora da partida”, explica William Baraviera, proprietário de um RS 2015.

Acabamento interno: por ser um modelo de baixo custo, o Sandero tem acabamento relativamente espartano, com plásticos rígidos texturizados e pouco material emborrachado. Com o tempo estes plásticos causam rangidos e ruídos incompatíveis com um carro de sua faixa de preço e proposta, mas esperado de um carro barato com o tempo. “Eu não gosto do acabamento de painel e painéis de portas, mas neste último isso foi um pouco melhorado, assim como a chave canivete que substituiu a chave antiga, da época do Clio”, conta Lara Andreia, proprietária de um RS entre 2016 e 2018.

Eixo traseiro: o eixo traseiro é o delator dos carros que foram abusados por motoristas menos zelosos. Em carros que foram mais usados do que abusados, ele acaba empenando, alterando a geometria da suspensão traseira. O problema é fácil de identificar, porque a suspensão assume um ângulo de cambagem demasiadamente negativo, o que deixará indícios no desgaste dos pneus traseiros. Se o carro estiver com pneus novos, basta pegar uma estrada de terra e depois rodar um pouco no asfalto para verificar onde os pneus ficaram mais limpos.

 

Onde encontrar peças?

Como já dito anteriormente, o Sandero RS ainda está em produção, então a rede autorizada da Renault ainda tem todo o catálogo de peças à disposição — uma situação que deverá permanecer por mais quatro ou cinco anos após o fim de sua produção. O motor F4R, embora tenha calibragem específica para o RS, compartilha peças com o F4R dos demais modelos da Renault no Brasil, então a disponibilidade é grande dada a popularidade de modelos como o Duster e Captur, que também foram equipados com esse motor.

Se você pretende preparar o carro, a única opção é a Ordospec (acima), marca especializada em motores Renault e, principalmente, no Sandero RS. O catálogo inclui short shifter, coletores de escape, camber bolts, molas, rodas, coletores de admissão, diferencial de deslizamento limitado, gauge pods para o rebaixo central do painel e fundos personalizados para o quadro de instrumentos.

 

Depoimentos

Rafa Sapaterro (@sapaterro)

Na época em que comprei o meu Sandero RS achei o preço muito bom para um zero-quilômetro, com excelente custo/benefício.

O principal do carro é aguentar muito desaforo, principalmente no uso diário, é um carro bom pra cidade com ruas bem pavimentadas, em ruas com asfalto ruim incomoda um pouco pelo fato do carro ser duro, mas a diversão vale a pena.

Tive um por 63.000km e em todo o tempo com ele não tive dores-de-cabeça, apenas as manutenções regulares — nem mesmo o famoso problema crônico de anéis sincronizados. Participei de alguns track days com o carro, e voltei de todos dirigindo o carro, sem problema algum.

Andando devagar na cidade ele é um carro econômico, porque é possível rodar em velocidade baixa na sexta marcha. Na estrada ele é mais beberrão devido à relação curta do câmbio.

 

Willian Baraviera (@willianbaraviera)

Meu RS é de uso geral (é o único carro da casa), então ele serve tanto para trabalhar, ir ao mercado, viajar e aos trackdays. Eu saí de um Ônix para o Sandero Rs em 2015. Na época, a primeira coisa que eu vi foram as rodas 17 que achei lindas e nenhum carro do segmento tinha. Também achei que os parachoques deram um ar totalmente diferente ao carro junto às DRL.

Os bancos e o volante são um show à parte (também nunca havia visto isso em um carro da faixa de preço), aí veio a suspensão mais baixa e rígida e fiquei fascinado com o carro. O câmbio curto aliado ao motor 2.0 me cativaram na hora pela forma como o carro respondia e, mais ainda, os freios (e que freios, não se comparava à experiência que eu havia tido até então).

Quando comecei a andar nos trackdays, eu vi o quão diferenciado o conjunto era em relação aos concorrentes, somente carros de uma faixa muito acima do RS conseguiam andar no mesmo tempo de volta, porém, eu dava 70 voltas e voltava para casa com o carro de boa, enquanto a maioria andava a metade, tendo que fazer voltas de cooldown constantes.

 

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