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Car Culture FlatOut Classics & Street

Ricardo e seu Alfa Romeo 164 1994 | FlatOut Classics


O quadro FlatOut Classics se dedica ao antigomobilismo e aos neocolecionáveis (youngtimers) estrangeiros e nacionais, dos anos 20 ao começo dos anos 2000. Carros originais ou preparados ao estilo da época.
São matérias especiais, feitas para serem saboreadas como as das clássicas revistas que amamos.
Clique aqui para acessar o índice com todas as matérias do quadro.

 

Passione de família

São muitos os entusiastas que devem sua paixão pelos automóveis a um figura em particular. E, em muitos casos, esta figura faz parte da família. É o caso de Ricardo Neves, personagem do FlatOut Classics de hoje. O amor pelos Alfa Romeo veio diretamente de seu pai, que faleceu há alguns anos mas deixou uma herança e tanto: este bellissimo Alfa 164 fabricado em 1994 e equipado com o sonoro motor V6 Busso.

De cara, Ricardo me disse o seguinte: “meu pai foi o maior influenciador para que eu me tornasse um gearhead“. E é como se Ricardo estivesse destinado desde que nasceu a ser um alfista: foi dentro de um Alfa Romeo 2300 – o primeiro dos dois exemplares que seu pai teve – que ele, ainda recém-nascido, deixou a maternidade, em 1977. “E não falo apenas da relação com os carros, mas também com o automobilismo em geral. Meu pai sempre me levava para assistir às corridas em Interlagos – e eu tive a sorte de assistir ao vivo às duas vitórias de Ayrton Senna no Brasil, em 1991 e 1993”. É o tipo de coisa para ser eternamente grato.

Foi mais ou menos nesta época, pouco depois da abertura das importações e com a chegada da Alfa Romeo de forma oficial no Brasil, que o pai de Ricardo decidiu colocar na garagem novamente um cuore sportivo. E ele optou pelo topo de linha da fabricante em nosso País – o belo 164.

O sedã sempre foi usado aos fins de semana, como carro de passeio, para curtir aos fins de semana. Assim, considerando a idade, ele é pouco rodado. O hodômetro digital marca cerca de 26.000 km – quilometragem de seminovo. E, coincidentemente, uma média de 1.000 km por ano.

 

O Alfa Romeo 164

Lançado na Itália em 1987, o Alfa Romeo 164 foi projetado por Enrico Fumia no estúdio Pininfarina – e era um carro tão bem resolvido esteticamente, com sua dianteira em forma de cunha, suas formas elegantes e proporções deliciosamente harmônicas, que permaneceu praticamente igual ao longo de 11 anos, saindo de linha em 1998 para dar lugar ao 166.

A reestilização promovida pela Alfa Romeo para o ano-modelo de 1992 consistiu apenas em faróis de perfil ligeiramente mais baixo e novos para-choques, basicamente. E seu visual ainda influenciou carros considerados de vanguarda em termos de design automotivo, como a dupla Spyder e GTV.

Houve outras motorizações na Europa – o 2.0 Twin Spark da Alfa Romeo, com duas velas por cilindro; o 2.0 turbo da Fiat, e até um V6 turbo de dois litros para adequar-se às condições fiscais do mercado italiano. No Brasil, porém, o 164 só foi vendido com o V6 de três litros da Alfa, em versões com duas ou quatro válvulas por cilindro – esta reservada à versão Super, de caráter mais esportivo, oferecida a partir de 1995 e dotada de 211 cv.

Como os outros Alfa da época, o 164 faz parte do seleto grupo de automóveis desejáveis aos entusiastas mesmo com tração dianteira (“nas rodas erradas”, como dizem). Não apenas por seu ronco maravilhoso, mas também pela dinâmica bem resolvida e pelo design marcante.

Ricardo concorda plenamente. Ele diz que perdeu a conta de todas as vezes em que pegou o 164 “emprestado” do pai, sem avisar, para dar suas escapulidas – mesmo depois que, por conta de um assalto sofrido em plena luz do dia, o carro foi aposentado. Por isso, Ricardo fez questão de se tornar o guardião do carro depois que seu pai partiu – algo que, como comprovam estas belas imagens, anda fazendo muito bem.

 

Legado sobre rodas

Depois do incidente, o Alfa Romeo ficou guardado na garagem por mais de uma década – o pai de Ricardo não teve coragem de vendê-lo. Ficar tanto tempo parado é nocivo para qualquer carro mas, por outro lado, o Alfa Romeo acabou preservado e escapou do destino que muitos dos cerca de 6.300 exemplares vendidos no Brasil tiveram – ou seja, escapou de ser comprado por alguém empolgado com o preço acessível, mas despreparado (tanto financeiramente quanto em conhecimento) para cuidar como se deve de um carro de luxo, potente e sofisticado como o 164.

Levou bastante tempo para que Ricardo conseguisse convencer o pai a colocar o Alfa Romeo de volta nas ruas. “Foi por volta de 2012 que começamos a pensar em utilizar o carro novamente. E em 2013, quando o plano foi colocado em prática, meu pai não permitiu que o motor fosse aberto – o que acabou ocasionando a quebra do motor.” Ricardo conta que, infelizmente, também foi nesta época que a saúde de seu pai começou a piorar – e, depois do luto, veio mais uma pausa no processo de recuperação do 164.

Quando finalmente o projeto foi retomado e o motor foi aberto, Ricardo não fez concessões. Peças foram importadas da Itália, como as juntas dos cabeçotes – “impossíveis de se encontrar no Brasil”, observa. Suspensão e freios também foram restaurados por completo. Por outro lado, a estrutura do carro, a pintura e os acabamentos internos e externos sempre estiveram impecáveis. Um belo serviço de detailing na Redentora, em São Caetano do Sul, foi o que bastou para dar ao 164 o aspecto de zero-quilômetro que tem hoje.

 

Personalidade própria

“Meu objetivo é deixar o carro 90% original. Ou, vá lá, 80%”, diz Ricardo. “Mas ainda não sei exatamente o que quero modificar nele.” Por enquanto, as modificações feitas foram todas leves e reversíveis – as tampas de válvula foram pintadas de preto, as rodas foram trocadas e um rádio mais moderno foi instalado. no ensaio fotográfico ele ainda calçava as rodas originais, mas no momento o Alfa Romeo está com rodas do 159, maiores e mais modernas. E o rádio Alpine que acompanhava o sedã de fábrica deu lugar a um Pioneer atual, com conexão Bluetooth, por uma questão de conveniência.

Ricardo entende a importância de preservar carros de época, mas também acredita que um carro deve refletir a personalidade de seu dono. “O rádio e as rodas originais estão guardados, e posso instalá-los de volta quando quiser”, garante. Mas ele só fará isto para agradar a si mesmo, e não àqueles que preferem o carro totalmente stock.

O Alfa Romeo 164 é tratado com tudo o que há de melhor, isto Ricardo garante – e, como trabalha com vendas de fluidos automotivos, ele não mede esforços e despesas para a manutenção periódica do clássico italiano.

O Alfa Romeo é usado apenas em passeios e longas viagens. Nada de sair com ele no dia-a-dia, desde que ficou pronto em 2018. “Só aos fins de semana e em estradas. Esse carro é uma delícia na estrada. Mas só a passeio”, diz Ricardo. Exatamente como seu pai queria.

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